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‘Lacrimeja sangue’, diz irmão de Jane, espancada e abandonada na estrada

Salvador Cherubim conta que, quando encontrou a irmã, achou que ela estivesse morta; o agressor, Jonas Amaral, está foragido

Por Vinicius Tamamoto Atualizado em 18 fev 2020, 10h55 - Publicado em 7 mar 2019, 16h15

Jane Cherubim, de 36 anos, foi espancada e abandonada em uma estrada em Dores do Rio Preto, no Espírito Santo. Muito machucada, ela foi encontrada na madrugada da segunda-feira (4) pelos irmãos e está internada. Quem a agrediu foi o namorado, Jonas Amaral, que está foragido.

À CLAUDIA, o irmão de Jane, Salvador Cherubim, conta que quando viu a irmã jogada na estrada, seminua e quase irreconhecível por causa dos ferimentos, achou que ela estivesse morta. Só percebeu que ela ainda estava viva quando a tocou. “Senti que ainda estava quentinha e tinha um pouco de pulsação”, relata emocionado.

Salvador diz que amanheceu nesta quinta (7) mais abalado com a situação. “Foi muito difícil passar por isso e tinha medo que as investigações não andassem”, desabafa. Mesmo assim, ele prefere falar sobre a violência para que não seja esquecida e para que o culpado seja capturado.

Abaixo, leia o depoimento de Salvador à CLAUDIA

“Na minha opinião, foi um caso premeditado. Ele [Jonas Amaral, namorado de Jane] foi tão calculista. Ele convivia com a minha família, que é simples e pequena, e participava de tudo há 1 ano ou 1 ano e meio. Parecia um rapaz tranquilo, sempre pronto para ajudar e calmo. Hoje a gente vê que essa imagem não tem nada a ver com a real pessoa que ele é.  

No dia em que tudo aconteceu, minha irmã estava trabalhando junto com meu outro irmão. Era um trabalho de fim de semana para complementar a renda porque ela tem um filho na faculdade e precisa ajudá-lo. Ao final do expediente, como de costume, ela entrou no carro para ir embora, mas o namorado fez o caminho inverso.

Reprodução/Facebook

A informação que temos é a de que ele havia pedido para a Jane tirar uma foto, mas ela estava cansada e ele se irritou. Pediu para ela entrar no carro e seguiu no sentido contrário. Meu irmão percebeu que havia algo estranho  e começou a ligar, mas ele não atendia. Ligou também para a minha irmã, que também não atendia. Até que uma hora ele atendeu, mentiu sobre o local onde estava para desviar a atenção.

Foi quando começamos as buscas. Quando a encontramos, minha irmã estava no final de uma curva, no meio de uma estrada. Ele a deixou lá, acredito que para simular um atropelamento e até eu mesmo poderia tê-la atropelado se não estivesse atento. Ela estava ferida, no chão, extremamente machucada, da cabeça até o dedão do pé, seminua, sem as peças íntimas.

Pelo estado, a gente tinha certeza que ela estava morta. O corpo, da forma que estava, seminua… Só quando coloquei a mão é que senti que ela estava quentinha e tinha um pouco de pulsação.

Nesse momento, tínhamos duas opções: socorrer minha irmã ou procurar o namorado dela porque o carro estava a cerca de 35 metros de distância. Optamos por socorrê-la. Quando chegamos ao primeiro hospital, ele não tinha estrutura e tivemos que esperar uma ambulância, que não poderia ser comum, porque ela não resistiria. Foram momentos muito difíceis.  

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Quando conseguiu falar, minha irmã relatou que pediu a ele várias vezes que parasse porque ele iria matá-la. “Jonas, por favor, pare, você vai me matar”, mas ele continuou com as agressões em uma região que não tinha socorro. Ela poderia ter gritado, mas não ia ter socorro.

Polícia Militar/Reprodução

Ela ficou desde segunda sem conseguir abrir os olhos, tinha marcas de agressão da cabeça aos pés, unhas machucadas, o pescoço tinha uma marca horrível de tanto estrangulamento, chutes que ela levou. Eu não tenho dúvida de que ele acreditou que a tinha matado.

Ontem à noite [quarta, 06] ela conseguiu abrir os olhos um pouco, lacrimejando sangue o tempo todo. Nem sabemos ainda se ela ficará com sequelas nas vistas. Ela não conseguia se alimentar ou respirar direito. Agora está evoluindo bastante, sendo tratada de forma excelente pelo hospital. Já conseguiu se alimentar um pouquinho com uma espécie de massa de frutas.

Ela foi gigante pelo tamanhozinho dela, suportou todas as pancadas, não quebrou nada a não ser o nariz. Foi uma coisa absurda, ele costuma jogar futebol, então isso potencializa o chute, tem força nas mãos.

A Jane começou a voltar a si e disse uma frase para a minha mãe que até nos entristeceu muito. Disse assim: “poxa, mãe, o que fizeram comigo?” Parece que ela não entendia o que fizeram e hoje está mais consciente.

Meus pais receberam a notícia com muita tristeza e desespero. Somos cinco irmãos, mas minha mãe já perdeu minha irmã de 14 anos e depois o Paulo, que tinha 29. Agora ela passa de novo por um susto tão grande e tão próximo da morte. Não temos previsão de alta, mas acredito que ela não saia em menos de 12 ou 15 dias.

Nos entristece que até o momento não temos o paradeiro do Jonas e pedimos a todos que tentem localizar esse rapaz. É muito difícil não vê-lo preso, causa ansiedade, e pensar que ele pode sair no dia seguinte [da prisão] é muito preocupante. Mas confiamos na Justiça e aguardamos.”

Quem tiver notícias sobre o paradeiro de Jonas Amaral, contate o disque-denúncia 181. 

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