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Deputado recebe agressor da Maria da Penha e diz que sua “versão” é “intrigante”

Publicação de Jessé Lopes, deputado estadual (PSL), foi alvo de críticas nas redes sociais

Por Da Redação 1 set 2021, 14h36

O deputado estadual (PSL) Jessé Lopes, de Santa Catarina, recebeu em seu gabinete Marco Antonio Heredia Viveros, ex-marido de Maria da Penha e condenado por tentar matar a brasileira que deu nome à lei que combate a violência contra a mulher no País. O momento foi registrado e compartilhado nas redes sociais do político na última terça-feira (31) com a seguinte legenda:

“Conhecem este senhor? Seu nome é Marco Antonio, o marido (sic) da Maria da Penha. Visitou o meu gabinete e contou sua versão sobre o caso que virou lei no Brasil. Sua história é, no mínimo, intrigante.”

Foto compartilhada no Instagram do Deputado Jessé Lopes que posa ao lado do agressor de Maria da Penha
Foto compartilhada no Instagram do Deputado Jessé Lopes que posa ao lado do agressor de Maria da Penha Instagram/@deputadojesselopes/Reprodução

Maria da Penha ficou paraplégica e quase foi assassinada duas vezes pelo ex-marido. A Lei Maria da Penha foi justamente criada como resultado da luta da farmacêutica para punir seu agressor e, hoje, busca proteger outras mulheres vítimas de violência doméstica.

A publicação logo virou alvo de críticas e um dos assuntos mais comentados no Twitter.

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Além da publicação, o deputado não deu explicações sobre o encontro, muito menos o motivo pelo qual ouviu a “versão” do agressor.

Violência contra a mulher aumentou durante pandemia

A pesquisa Visível e Invisível: a Vitimização de Mulheres no Brasil, realizada pelo Datafolha e encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, apontou que uma em cada quatro mulheres, no país, foi vítima de algum tipo de violência no último ano, durante a pandemia. O levantamento, divulgado em junho deste ano, entrevistou 2.079 pessoas acima de 16 anos em maio deste ano, em 130 municípios do país, de 10 a 14 de maio de 2021.

Dentre as violências registradas, 18,6% era verbal; 6,3% envolvia tapas, chutes ou empurrões; 5,4% tinha violência sexual; 3,1% teve ameaças com faca ou arma de fogo e 2,4% houve espancamento.

Lei Maria da Penha

Em 2021, a Lei Maria da Penha completou 15 anos. “A lei é histórica por ter, finalmente, transformado a violência doméstica em um problema de ordem pública e por atuar não só na punição do agressor, mas também criando mecanismos que ajudam a previnir e coibir violência física, psicológica, sexual, patrimonial e moral contra a mulher”, afirma a promotora Gabriela Manssur.

Leia também: Promotora Gabriela Manssur ressalta a importância da Lei Maria da Penha

A lei define que a violência doméstica contra a mulher é crime e aponta as formas de evitar, enfrentar e punir a agressão. A lei indica a responsabilidade que cada órgão público tem para ajudar a mulher que está sofrendo a violência. Com a Lei Maria da Penha, o juiz e a autoridade policial (em situações especificadas previstas em lei) passaram a ter poderes para conceder as Medidas Protetivas de Urgência.

Canais de denúncia oferecidos pelo Governo Federal:

  • Disque 100
  • Ligue 180
  • Mensagens no WhatsApp – (61) 99656-5008
  • Canal “Direitoshumanosbrasilbot” no Telegram
  • Site da Ouvidoria do Ministério
  • Aplicativo “Direitos Humanos Brasil”, disponível na loja de aplicativo do seu celular
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