Homem morde e decepa nariz de mulher, que terá que fazer 15 cirurgias

O caso aconteceu em 2017, mas Talita Oliveira sofre ainda com as consequências físicas e psicológicas

Em novembro de 2017, a vendedora Talita Oliveira, 28 anos, teve seu nariz decepado e a sua orelha esquerda arrancada pelo seu ex-namorado, Ricardo Willians Cazuza, com quem viveu por dois anos. Há poucos mais de uma semana, a jovem passou pela quinta cirurgia de reconstrução nasal. Ainda faltam dez, no mínimo, para que Talita tenha seu nariz reconstruído, segundo os médicos. O cruel caso de violência doméstica é relatado por Paulo Sampaio, do portal Universa, do UOL.

Talita conta que a motivação do ato canibal foi o fim do relacionamento, que em seus últimos momentos estava se tornando violento. “Eu havia dito que não queria mais o relacionamento, ele foi embora, levou tudo, mas naquele dia (da agressão no rosto) teve jogo do Corinthians. Toda vez que tinha futebol, ele chegava em casa muito agressivo. Me batia, e no outro dia pedia desculpas, arrependido.”

A jovem relembra que o primeiro ano de seu namoro “foi uma lua de mel”. Os dois se conheceram em uma festa de amigos em comum. A pedido dele, ela abriu um salão de cabeleireiros em casa, já que ele não queria que ela trabalhasse fora. “Nós dois administrávamos o comércio”, conta.

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Com o tempo, as implicâncias em torno do jeito de Talita começaram a acontecer e críticas rondavam o relacionamento dos dois. O agressor criticava, até mesmo, o modo como ela mascava chicletes. “Ele dizia que era coisa de puta.”

Porém, se Talita resolvesse contar aos conhecidos as agressões verbais que recebia, ninguém acreditaria, na opinião dela. O ex-companheiro era carinhoso com os amigos, familiares e com os três filhos do casamento anterior da jovem. Segundo seu relato, as agressões físicas aconteciam aos finais de semana, dias em que seus filhos ficavam na casa dos avós ou do pai.

 (Divulgação/Arquivo pessoal)

O dia da agressão

Em um domingo de 2017, quando os dois já não moravam juntos, a violência atingiu maior patamar.

“Depois do jogo (do Corinthians) ele começou a me ligar, me xingando de tudo; dizia que, se eu não falasse, ele iria até a minha casa e me mataria. Às 2h ele apareceu em um carro que devia ser emprestado, bateu na minha janela, eu acordei, abri a porta. Ele queria que eu o acompanhasse, desse uma volta, eu disse que não ia, que não deixaria meus filhos. Ele entrou e vasculhou tudo atrás de algum namorado meu, até debaixo da cama. Acabou indo embora, mas voltou”, relata Talita.

Após a ameaça, ela foi para a casa de sua mãe, com os seus filhos. Entretanto, o agressor foi até a casa da ex-sogra. “Ouvimos um barulhão lá fora, e os vizinhos vieram falar que ele estava invadindo a casa de todo mundo atrás de mim, aos gritos. Eles pediram para eu acalmá-lo.”

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Ao sair com os filhos para expulsar o rapaz, ele disse a um deles: “Pode se despedir da sua mãe, porque daqui a três horas eu vou voltar, sem dó”, mas Talita não acreditou. E ele voltou.

Fora de si, o agressor a agarrou no movimento de uma gravata e esmurrou sua cabeça. Depois, tentou quebrar seu pescoço. “Eu vi tudo escuro várias vezes”, lembra. Talita também enfatiza sua indignação ao se recordar que ninguém na vizinhança tentou impedir a violência ou chamar a polícia. 

Na sequência, o homem mordeu o nariz e a orelha esquerda. Talita lembra que, quando ele foi embora, tentou conservar os pedaços arrancados em um pote com gelo, mas esqueceu de embrulhar e o contato direto com o gelo necrosou a pele.

Um ano e meio depois da agressão

Tatiane nunca mais viu o ex-namorado, mas a cada cirurgia a que se submete, ela fica mais triste. “É uma dor que eu não merecia.” Para ela, não é fácil de distinguir se a dor que ela sente é física ou psicológica. Em seu relato, Talita conta que, no começo, quando pedia abraço aos seus filhos, eles sentiam medo de se aproximarem devido a deformação de seu rosto. “Nunca mais dormi direito. Choro muito à noite, escondida deles.”

Os médicos responsáveis pela sua reconstrução nasal são do SUS. No último procedimento que passou, abriram um pouco mais as suas narinas. “Eu tenho dificuldade de respirar, me sinto tão cansada.”

A polícia, na visão de Talita, fez um bom trabalho. O agressor foi capturado em Pirapora, cidade a 600 km de Belo Horizonte, tentando fugir, e foi condenado em primeira instância.

Na delegacia em que ela registrou o boletim de ocorrência, o plantonista classificou o caso como “lesão corporal grave”; já na delegacia de mulheres, a acusação passou a ser considerada uma “tentativa de feminicídio”, agravando a situação do réu. “A família achou que ele fosse sair direto pra casa. Mas eles o mandaram para júri popular.” Ainda não foi confirmada a data do julgamento.

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