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Ginecologista é denunciado pelo MP por estupro de vulnerável

Nicodemos Júnior é acusado de cometer crimes sexuais em mais de 50 casos, ele nega e afirma que comentários eram "brincadeiras"

Por 25 out 2021, 17h48 | Atualizado em 4 jun 2026, 14h45
estupro abuso
Dentista sente medo de retornar as suas atividades (|Palmiro Domingues/Getty Images)
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Na última sexta-feira (22), o Ministério Público de Goiás fez a primeira denúncia por estupro de vulnerável contra Nicodemos Júnior Estanislau Morais, 41, ginecologista que atendia pacientes em Anápolis, interior de Goiânia.

A denúncia conta com mais de 700 páginas e foi enviada a Vara de Anápolis na última semana, de acordo com a promotora de Justiça Camila Fernandes.

O acusado sempre negou as denúncias e afirmou que nunca tocou as pacientes de forma indevida. Em entrevista, ele alegou que os comentários feitos em redes sociais eram apenas “brincadeiras”.

Nicodemos é defendido pelo advogado Carlos Eduardo, que disse nesta segunda-feira (25) que não vai se manifestar sobre a denúncia. Como o processo corre em segredo, o Tribunal de Justiça não informou se a denúncia do MP foi aceita.

De acordo com Camila, a denúncia é sobre os relatos das três primeiras mulheres que registraram ocorrência na Polícia Civil. Após a repercussão dos primeiros casos, mais de 50 pacientes registraram ocorrência na Delegacia de Atendimento a Mulher de Anápolis.

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A promotora explicou ainda que fez a denúncia por estupro de vulnerável porque as vítimas “não tinham condições de oferecer resistência no momento da consulta”. O crime prevê pena de 8 a 15 anos de prisão.

“Pedimos também na denúncia a manutenção da prisão do médico. Com relação às outras vítimas, o Ministério Público iniciou a análise dos inquéritos e, tão logo seja concluída, as denúncias serão encaminhadas ao Poder Judiciário”, esclareceu Camila Fernandes.

Nicodemos Júnior continua preso no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia. O médico já foi indiciado por violação sexual mediante fraude contra quatro pacientes em Abadiânia, próximo ao Distrito Federal.

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As pacientes relatam diversas formas de assédio em comportamentos e comentários com conotações sexuais vindos do ginecologista. Durante uma consulta no último ano, uma das vítimas disse que o médico elogiou seus olhos e seu órgão sexual. E ainda perguntou sobre sua relação sexual com o marido.

“Eu fiquei congelada e ele fazendo manipulações, isso tudo com os dois dedos introduzidos na minha vagina. Eu não consegui nem respirar no momento. É uma situação que a gente nunca espera que vai acontecer”, contou a mulher.

“Ele teve conversas inadequadas, me mostrou sites obscenos, brinquedos eróticos e tocou em mim não da forma que um ginecologista deveria tocar. Quando ele colocou minha mão na parte íntima dele, sabe?”, disse outra paciente.

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A aromaterapeuta Kethlen Carneiro, 20, relatou que foi abusada por Nicodemos quando tinha 12 anos. “Ele veio me falar que eu podia começar a me masturbar. Me mostrou histórias em quadrinho pornô e vídeos. Me mandando os links e quais eu podia assistir. Depois levantou, pegou minha mão e colocou nele, na parte íntima dele”, disse.

Além disso, o ginecologista fez diversos comentários considerados indecentes nas redes sociais, o que ele considera como “brincadeiras”.

“É muito complexo. Eu brinco com algumas coisas. Às vezes, nisso, eu pequei, realmente. (…) Mas, nunca, em nenhum momento, eu toquei em uma paciente com objetivo de ter prazer sexual ou de fazê-la ter um prazer sexual, porque o objetivo ali é o exame físico”, disse o acusado.

“Muitas vezes, elas falam, ‘olha, doutor, eu fiz alguma coisa assim, será que vai acontecer alguma coisa?’. Um erro meu, concordo, brinco no WhatsApp, comento alguma coisa de uma forma inadequada. Concordo que eu fiz isso, nisso eu estou errado”, admitiu.

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