Fernanda Feitosa: a brasileira poderosa do mercado de arte

Fernanda Feitosa abdicou de sua carreira de advogada para formar o maior festival de arte da América Latina, SP- Arte

Se o Brasil ganhou mais destaque no mercado de arte mundial, parte do mérito é de Fernanda Feitosa. Para pôr em prática seu projeto de realizar um evento profissional do setor aberto ao público, a advogada (que não exerce mais a profissão) teve bastante trabalho para convencer cerca de 40 galerias a participar da primeira SP-Arte, em 2005.

Hoje, mais de uma década depois, o número de expositores quadruplicou e o público já é seis vezes maior do que o registrado na primeira edição. Em 2017, foram 30 mil visitantes.

De 11 a 15 de abril deste ano, o maior festival internacional de arte de galeria da América Latina abre suas portas no Pavilhão da Bienal, no Ibirapuera, em São Paulo, com 140 galerias nacionais e estrangeiras (na estreia, era somente uma internacional no grupo).

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Também há uma programação “além Bienal” que começa antes mesmo da abertura oficial. Oferecida desde 2016, uma das iniciativas é a visita noturna guiada a galerias paulistanas, batizado de Gallery Night.

Outra é o circuito de ateliês, um roteiro a pé, diurno, para conhecer in loco os artistas em seus estúdios do bairro da Vila Madalena, como SAO, Fonte, Fidalga e Hermes.

Vencedora do Prêmio CLAUDIA 2017, na categoria Negócios, Fernanda sempre está disposta a inovar. Se no passado se esforçou para trazer gente de fora, agora ela quer é levar a arte brasileira bem longe, a lugares como Milão.

 (Loio Pérsio/Divulgação)

CLAUDIA: Você gosta de apostar em novidades. Quais são as do ano?

Fernanda Feitosa: Estamos sempre acrescentando nomes ou conceitos que promovam uma sintonia fina com o que acontece ao nosso redor. Isso ficará evidente em nossa programação de talks (palestras e debates). Neste ano, temos em pauta assuntos como gênero e impacto das redes sociais no trabalho dos artistas.

E há uma conversa simpática, que chamamos de collecting as practice. Conduzida por Aaron Cezar, diretor da Delfina Foundation (fundação inglesa que estimula o intercâmbio artístico e criativo), e por convidados locais, abordará o perfil atual do colecionador.

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CLAUDIA: O que é imperdível?

Fernanda Feitosa: Diria que, se tem pouco tempo, é legal percorrer pelo menos os setores com curadoria, que trazem 16 jovens artistas e outros 16 mais consagrados. Daí, há as galerias novatas – 12 neste ano – e as tradicionais e os espaços dedicados a design e performance. Bom mesmo é visitar tudo!

 (Ione Saldanha/Divulgação)

CLAUDIA: Quais serão os já esperados roteiros guiados temáticos deste ano?

Fernanda Feitosa: Alguns estão definidos, sempre com duração de 50 minutos e vagas limitadas. Certos temas se repetem, como o tour sobre artistas já no meio da carreira e outros sobre quem está em voga no Brasil ou no exterior. Estamos pensando em novos com base em temas mais contemporâneos, como o poder criativo feminino, assunto tão em evidência.

CLAUDIA: Os roteiros paralelos, como o Gallery Night, vieram para ficar?

Fernanda Feitosa: Todas as novidades serão mantidas enquanto derem certo. É a terceira edição em que proporcionamos essa experiência de estender o horário das galerias. Particularmente, considero importante ocupar a cidade. E o mesmo vale para a SP Foto (evento de fotografia que ocorre depois e está na terceira edição). Conta com atrações bem similares. Nosso objetivo é arrebanhar e coordenar uma programação ampla e de muita qualidade.

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