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Estômago de mulher salta para fora após cesariana

Hoje ela depende do transplante de cinco órgãos para sobreviver

Por Da Redação Atualizado em 18 fev 2020, 09h13 - Publicado em 29 abr 2019, 17h48

Michelle Oddy tinha 28 anos quando deu a luz à sua filha Kiera por meio de uma cesariana. E foi justamente a cicatriz que deveria representar uma prova de amor que se tornou um pesadelo na vida da cabeleireira do condado de Derbyshire, na Inglaterra.

Tudo começou em 2014, dez anos após o nascimento de Kiera. Em uma manhã, Michelle acordou e percebeu que havia um buraco no lugar da cicatriz. “O conteúdo de meu estômago estava vazando, eu estava coberta de sangue”, conta ela, acrescentando que também vazava material fecal.

A súbita ruptura era resultado de uma fístula, um tipo anormal de conexão entre diferentes áreas do intestino de Oddy, causada pela Doença de Crohn, com a qual ela havia sido diagnosticada aos 14 anos.

Carters News Agency/Reprodução

Ainda incurável, essa síndrome afeta o sistema digestivo causando inflamações e, segundo dados da associação Crohn’s and Colitis UK, um a cada três casos pode levar à formação de fístulas.

Em Michelle, a fístula foi do tipo gastrointestinal, interligando parte de seu intestino ao exterior de seu estômago, o que levou à ruptura através da pele já cortada durante a cesariana.

Submetida a um tratamento intenso, ela enfrentou uma drástica perda de peso, chegando ao ponto de pesar menos de 30 quilos. O emagrecimento severo contribuiu para complicar ainda mais os problemas em seus órgãos.

Carters News Agency/Reprodução

“É difícil de explicar, mas por causa de todas as operações em meus intestinos, eles pararam de funcionar então tudo se acumula em meu corpo e precisa sair de algum modo. Me disseram que meus órgãos ‘empacotaram’ e eu tinha apenas mais alguns dias de vida.”

Surpreendentemente, após quatro semanas no hospital, Michelle recebeu alta, indo para casa acompanhada de equipamentos para ser alimentada por meio de tubos.

Hoje ela depende da visita de uma enfermeira ao menos seis vezes na semana, responsável por administrar a alimentação líquida que lhe fornece os nutrientes vitais. “Meu peso começou a melhorar, mas uma enfermeira ainda precisa vir me alimentar todos os dias, o que é insano. Eu não posso continuar vivendo desse jeito”, diz ela. “Meus órgãos pararam de funcionar, eu ainda tenho um buraco em meu estômago e uma bolsa permanente de colostomia”.

Ano passado, ela adoeceu e foi encaminhada com urgência ao hospital. “Após ficar lá por algumas horas, minha esposa, Laura, entrou no quarto e me encontrou totalmente sem reação, encarando o nada. A única coisa que me lembro é do quarto cheio de médicos. Eu tive um choque séptico por causa de infecções causadas pela alimentação parenteral e minhas veias só desistiram depois de serem bombeadas de nutrientes líquidos nos últimos quatro anos”.

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Carters News Agency/Reprodução

“Assim que me estabilizaram, eles pediram à Laura que viesse me ver, assim poderíamos nos despedir porque eu não estaria viva no dia seguinte. Dizer adeus para minha filha e para Laura foi um dos momentos mais difíceis que já enfrentei”.

Mas, de algum modo, duas horas depois Michelle estava inteiramente recuperada. Foi quando decidiu que se casaria com Laura, o que fez seis semanas depois.

Agora ela recebeu a notícia de que sua alimentação artificial não é mais suficiente. Aguardando na fila de transplantes, ela precisa de um novo fígado, pâncreas, intestinos e metade de um estômago. Para minimizar o nível de rejeição, todos os órgãos devem vir de um único doador. Prevista para durar 20 horas, a cirurgia precisará ser realizada por uma variedade de especialistas.

Os médicos a alertaram, porém, que há 35% de chances de Michelle não sobreviver ao procedimento. “O que sempre tenho em mente é que tem também 65% de chances de eu acordar melhor, de ser capaz de levar minha filha em um passeio, de nadar com ela”, diz Michelle. “Eu quero minha qualidade de vida de volta, quero aproveitar os dias com minha família como qualquer pessoa”.

Andrew Butler, consultor em cirurgias de transplante do hospital da Universidade de Cambridge, explicou ao Daily Mail que a cirurgia é rara e complexa. Desde 1992 apenas 100 procedimentos do tipo foram realizados no Reino Unido.

Carters News Agency/Reprodução

Mas sabendo como fica pior a cada dia, Michelle diz que é apenas uma questão de tempo até sua morte. “Minha qualidade de vida é tão ruim que eu estou disposta a me arriscar ter metade de meus órgãos substituída”. “As pequenas tarefas se tornaram tão difíceis, eu só quero aproveitar uma refeição ou sair sem me preocupar que minha barriga vai se abrir”.

Para o bem ou para o mal, ela enfrentará o procedimento por causa da família. “Sem minha esposa e filha, que foram maravilhosas durante todo o processo, eu já teria desistido. É por elas que estou me arriscando.”

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