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Entre 2017 e 2018 mulher negra foi espancada e estuprada no Carrefour

O caso aconteceu em uma unidade do Rio de Janeiro. Segundo o defensor Eduardo Newton, os exames da vítima eram assustadores

Por Da Redação 23 nov 2020, 14h06

A rede de supermercados Carrefour tem sido alvo de protestos pelo país, depois do último episódio na quinta-feira (19). Na véspera do Dia da Consciência Negra, João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, foi morto por dois seguranças em uma loja da varejista em Porto Alegre.

No sábado (21), a empresa foi desligada da Iniciativa Empresarial pela Igualidade Racial, que reúne 73 organizações, e, segundo Raquel Vicente, organizadora da iniciativa, a exclusão aconteceu porque “tem a ver com fato de serem reincidentes”.

E a afirmação de Raquel não está errada. Entre os anos de 2017 e 2018 – não se sabe ao certo a data- uma mulher negra e dependente química em recuperação teria furtado um bolinho de bacalhau em uma loja Carrefour na zona oeste do Rio de Janeiro.  Isso foi o suficiente para que ela fosse levada por seguranças até uma sala da unidade, e segundo a vítima, foi espancada e violentada sexualmente com pedaço de madeira. Depois, ela foi encaminhada para um hospital pelo delegado antes do flagrante ser registrado, algo incomum de acontecer.

“Além da espécie de fralda, ela tinha marcas no corpo de pancadas que, para ficar marcado no corpo dela que era negra, foram muito fortes. Era uma situação de agressão e humilhação, de ela não conseguir falar para a gente”, relatou do defensor público Eduardo Newton que acompanhou o caso, em entrevista à Folha.

Os exames da vítima eram assustadores, de acordo com o defensor. “Exames de imagem apontavam que tinha um machucado bem feio no ânus, não lembro o termo técnico. Se não me engano, ela foi de cadeira de rodas para a audiência”, recorda Newton.

A juíza Cristina Cordeiro lembra que o registro de ocorrência informava apenas que a mulher havia sido flagrada furtando alimentos, foi detida no estacionamento e conduzida à delegacia. “Teve uma coisa que me marcou muito. Ela costumava sumir nas cracolândias da cidade, e sua companheira sempre ia atrás dela achá-la. Era muito amor que essa mulher tinha por ela.

No registro, constava que a vítima não estava em situação de rua, e a família havia apresentado uma série de documentos de que ela estava sendo tratada da dependência química. Procurado pela equipe da Folha, o Carrefour disse não ter encontrado informações sobre o caso.

Em nota, declarou que repudia todo e qualquer ato de violência. “Nós temos valores muito fortes que vão contra este tipo de atitude, em todos os países que atuamos, mas sabemos que, infelizmente, algumas pessoas acabam por não cumprir as regras.

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Em um comunicado oficial depois do caso de João Alberto, o Carrefour anunciou que romperia o contrato com a empresa responsável pelos seguranças, além de demitir o funcionário responsável pela loja no momento do ocorrido.

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