A mulher que viu o sol nascer e se pôr 16 vezes por dia. Todos os dias.

A astronauta americana Christina Koch está de volta à Terra depois de quebrar o recorde de 328 dias direto no Espaço

Com os braços abertos e os pés no chão, a astronauta americana Christina Hammock Koch não se conteve: “Agora tem isso!”, postou em sua conta do Instagram.

Nem praia nem a foto se comparam aos posts que ela tem em sua conta, mas a foto é significativa, afinal, ela completou uma semana de volta à Terra depois de passar nada menos do que 328 dias consecutivos no Espaço.

Isso mesmo, ela ficou quase um ano literalmente fora de casa e agora ela é d
ona da marca recorde de ser a primeira astronauta mulher a realizar a mais longa viagem contínua fora da Terra.

O recorde anterior eram 289 dias, 5 horas e 1 minuto, estabelecido pela astronauta Peggy Whitson, em 2017. Outro feito de Koch enquanto esteve fora da Terra foi de ter conduzido em outubro de 2019, ao lado da colega Jessica Meir,  a primeira caminhada espacial apenas de mulheres.  Agora o trabalho da engenheira e astronauta segue em solo terreno.

 

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And then there was this.

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“Essa viagem é de todos. Eu agradeço a todos envolvidos no sucesso de nossa missão e por ter nos dado a oportunidade de levar os sonhos de todos para o Espaço”, ela postou assim que voltou. “Tenho muita gratidão por estar de volta ao Planeta”, disse ao retornar.

Ela aterrissou  no Cazaquistão na madrugada de quinta (6) com dois colegas astronautas.

Koch é uma cientista que entrou para a NASA em 2013, na primeira turma em que houve o número equilibrado entre homens e mulheres na história da agência.  

 

Koch registrou seu período fora da Terra com fotos nada menos do que incríveis em sua conta do Instagram (@astro_christina). Enquanto esteve fora, ela viu o sol se pôr e nascer 16 vezes por dia. Todos os dias.

“Meu passatempo favorito durante as folgas no @iss é olhar para fora na janela da cúpula, admirando e registrando a beleza da nossa casa”, ela postou em agosto de 2019.

E quem disse que não há selfie no Espaço? Em junho a astronauta se divertiu com a experiência e dividiu o resultado com seus seguidores.

Originalmente, a missão era de apenas seis meses, mas o prazo foi estendido para colher mais dados dos efeitos no corpo humano depois de uma longa duração em um vôo espacial.  “É muito importante para os planos futuros de vôos espaciais de ire à Lua e à Marte”, ela disse em uma entrevista realizada por satélite quando esticou o período da viagem.

Koch também se sentiu honrada com a oportunidade e com o recorde quebrado.

Peggy [Whitson] é uma herói para mim e ela foi muito bacana em ser minha mentora ao longo dos anos, então é um compromisso [o recorde quebrado] de passar à frente e ser uma mentora quando voltar”, disse a Koch em 30 de dezembro de 2019, quando ultrapassou a marca de Whitson.

O recorde atual de maior tempo no Espaço ainda está com um homem, o astronauta russo Valeri Polyakov, que passou 438 dias em uma estação espacial entre janeiro de 1994 e março de 1995. Peggy Whitson ainda é a mulher com maior tempo no Espaço, com um total de 665 dias, mas intercalados com retorno à Terra. 

Enquanto esteve no espaço, Christina Hammond Koch viveu na Estação Espacial Internacional, a ISS ( International Space Station), que fica em órbita – como um satélite – e hospeda astronautas em suas missões científicas há 20 anos. A ISS é do tamanho de uma casa grande e tem 5 quartos, dois banheiros, uma sala de ginástica, vários laboratórios e uma sala com uma grande janela de onde se vê a Terra. A sala da cúpula de onde Koch fez várias de suas fotos

Ela participou de 16 caminhadas no espaço, incluindo a primeira realizada apenas por mulheres.

O retorno bem sucedido da astronauta é celebrado pela NASA. Hoje, as mulheres representam apenas um terço da equipe de cientistas da agência espacial americana e da indústria aeroespacial como um todo. Segundo uma pesquisa da própria NASA, apenas 28%  das posições de liderança e16% das posições mais altas entre os cientistas são de mulheres. E até o momento nenhuma astronauta negra participou de caminhadas no espaço. São metas ainda a serem alcançadas. No meio tempo, a linguagem usada por astronautas tem sido adaptada para não mais ter gênero e há um programa em andamento, o Artemis (gêmea de Apollo) para mandar um homem e uma mulher para a Lua em 2024.  

Quanto à Christina Hammond Koch, antes de voltar à Terra ela dividiu do que sentia mais falta. “Sinto muito a falta de sentir o vento no meu rosto, as gotas de chuva, areia nos meus pés e o som das ondas quebrando em da praias de Galveston [sua cidade natal]”, ela disse. E de voltar a usar garfo e faca.  “Em órbita nós comemos com colher. UMA colher. 328 dias com a mesma colher!”, riu.  

Bem-vinda à Terra, Christina!