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A importância da tenista Naomi Osaka e de seus protestos no US Open

Birracial, com mãe japonesa e pai haitiano, a atleta brilha nas quadras com suas vitórias e com a luta contra a brutalidade policial

Por Gabriela Maraccini (colaboradora) - Atualizado em 16 set 2020, 13h19 - Publicado em 12 set 2020, 10h00

Naomi Osaka, além de brilhar nas quadras de tênis durante o US Open, também traz ao esporte todo o seu ativismo pelas vidas negras e antirracismo. Nas partidas do campeonato, a tenista que se tornou, neste ano, a atleta feminina mais bem paga da história  usou máscaras estampadas com os nomes de vítimas da violência policial nos Estados Unidos.

Filha de mãe japonesa e pai haitiano, Naomi carrega consigo a birracialidade afro-asiática e expõe suas duas etnias ao jogar tênis. Apesar de morar desde os três anos nos Estados Unidos, ela representa o Japão no esporte, enquanto realiza protestos e homenagens às vidas negras. Breonna Taylor, Elijah McClain, Trayvon Martin, Ahmaud Arbery e, mais recentemente, George Floyd, foram os nomes que apareceram em suas máscaras.

Apesar de ser uma atleta pouco acompanhada no Brasil, a não ser pelos amantes de tênis, Naomi é, certamente, um nome que merece atenção. Além de representar, talvez de maneira única no esporte, a descendência afro-asiática, é um talento nato.

Quem é Naomi Osaka?

Nascida em Osaka, no Japão, em 16 de outubro de 1997, Naomi Osaka é filha da japonesa Tamaki Osaka e do haitiano Leonard François. Começou a jogar tênis com apenas três anos de idade, por influência da irmã mais velha, Mari, que também é tenista.

“Eu queria muito vencer a minha irmã e ela era muito melhor do que eu”, conta em vídeo produzido pela WTA (Women’s Tennis Association, associação de tênis feminino, nos EUA). Ela só conseguiu vencer a irmã pela primeira vez aos 16 anos.

Apesar de tímida, Naomi não se intimida no esporte. Aos poucos, foi conquistando seu espaço no Tênis e acumulando vitórias. Seu primeiro título chegou em 2018, ao vencer a russa Daria Kasatkina, na final feminina de Indian Wells, por dois sets a zero.

Serena Williams parabenizando Naomi Osaka após final do US Open, em 2018 Tim Clayton/Corbis/Getty Images

No mesmo ano, chegou a derrotar um de seus ídolos, Serena Williams, na US Open. Com o feito, a jovem, que tinha apenas 20 anos na época, se tornou a primeira japonesa a vencer o Grand Slam contra a veterana que já havia ganhado o troféu 23 vezes.

Na ocasião, o choro de emoção por vencer sua maior inspiração foi ofuscado pela polêmica que envolveu Serena e o juíz português, Carlos Ramos, que discutiram durante partida. Cerca de um ano depois, a atleta revelou que pediu desculpas a Naomi e a parabenizou pelo feito. “Eu nunca gostaria de tirar o holofote de outra mulher, principalmente outra mulher negra”, dizia mensagem revelada à Harper’s Bazaar.

Em janeiro de 2019, a jovem tenista também se tornou a primeira asiática a chegar ao primeiro lugar do ranking da WTA, após conquistar o Australian Open contra a tcheca Petra Kvitová. Atualmente, Naomi ocupa o 9º lugar, logo atrás de Serena.

Em 2020, Naomi entrou para a lista anual da Forbes de atletas mais bem pagos do mundo, tornando-se a atleta feminina a receber mais. Ela e Serena são as únicas mulheres da lista. A jovem faturou, no último ano, 37,4 milhões de dólares (cerca de 200 milhões de reais, com o dólar atual), conquistando o 29º lugar no ranking.

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Racismo e ativismo

Naomi, com toda a representatividade que carrega por ser afro-asiática, também traz muita militância às quadras. O uso de máscaras com nomes de vítimas de violência policial nos Estados Unidos não foi o primeiro ato de protesto da tenista.

Em agosto deste ano, Naomi chegou a anunciar que desistiria de jogar a semifinal do torneiro de Cincinnati, pois estavam previstos para acontecer no dia 27 de agosto, dia que ficou marcado pelos protestos contra o racismo no esporte americano, iniciados no dia anterior com um boicote de jogadores da NBA aos jogos dos playoffs.

A decisão da japonesa fez com que os organizadores do torneio adiassem as partidas das semifinais para o dia 28 de agosto, como um gesto coletivo de luta contra a desigualdade racial e brutalidade policial.

“Eles se ofereceram para adiar todos os jogos até sexta-feira e na minha cabeça isso chama mais atenção para o movimento. Quero agradecer a WTA e ao torneio por seu apoio”, disse Osaka em coletiva.

Matthew Stockman / Equipa/Getty Images

Naomi também sofre ataques por parte dos japoneses, por ser negra. Em setembro de 2019, uma dupla de comediantes desferiram comentários racistas contra a tenista, afirmando, durante uma transmissão ao vivo, que Naomi precisava passar por um “branqueamento” e que ela era “muito queimada de sol”.

“Nós, sinceramente, nos desculpamos por fazê-la se sentir desconfortável”, afirmou a comediante Ai Murakami, da dupla conhecida como “Masso”.

Anteriormente, Naomi também se viu envolvida em outro caso de racismo. A tenista estrelou um comercial de uma fabricante de macarrão instantâneo, que a desenhou com a pele bem mais clara. O caso gerou polêmica e um pedido de desculpas da patrocinadora.

Fato é que, dentro e fora das quadras, Naomi brilha, seja pelo seu talento, seja pelo seu ativismo. Certamente, é um nome que merece atenção dos amantes de esporte e da luta antirracista, e que irá trazer ainda muitas vitórias para o Japão.

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