Fim amargo do MasterChef? Programa vira ‘BBB’, com menos cozinha e mais barraco
Críticas a provas em grupo e excesso de dinâmicas colocam o formato em xeque
A 13ª temporada do MasterChef Brasil trouxe uma série de mudanças para tentar renovar um formato que está no ar há mais de uma década. A Band anunciou a edição como uma temporada de “dinâmicas totalmente inéditas”, com uma estrutura inspirada em torneios esportivos e disputas por equipes.
A tentativa de encontrar novos caminhos para o reality, no entanto, acabou provocando uma discussão que vai além do desempenho de um ou outro participante: será que o programa está conseguindo se renovar sem perder aquilo que o tornou um sucesso?
Audiência não tão boa…
Os números ajudam a explicar o momento. A 13ª temporada estreou com 1,3 ponto de audiência na Grande São Paulo, chegou a 1,6 ponto em seu melhor resultado e, em junho, registrou 0,8 ponto, antes de oscilar na faixa de 1,2 a 1,5 em julho.
Não é possível atribuir esse desempenho exclusivamente às mudanças desta edição, mas a audiência mais modesta coincide com uma onda de críticas nas redes sociais. O incômodo, ao que parece, não está simplesmente na renovação do formato, mas na direção que essas mudanças tomaram.
Mais uma prova em grupo
Uma das reclamações mais frequentes diz respeito às provas em grupo. A dinâmica coletiva sempre fez parte do MasterChef e tem a função de avaliar liderança, organização, trabalho em equipe e capacidade de adaptação.
O problema aparece quando ela se torna tão recorrente que deixa menos espaço para descobrir quem, individualmente, cozinha melhor.
É justamente essa percepção que aparece nos comentários de espectadores nas redes. Há pedidos pelo retorno de provas individuais, das caixas misteriosas, dos leilões e de desafios que coloquem os participantes diante de problemas culinários mais complexos.
Leilão, caixa misteriosa: queremos as provas antigas de volta!
Em uma discussão recente no X, um espectador resumiu a crítica dizendo que não há problema em provas de grupo, mas que as dinâmicas atuais estariam premiando cada vez menos aquilo que tem relação com cozinhar.
Outro questionou se o formato ainda está, de fato, procurando o melhor cozinheiro.
A questão da criatividade das provas também merece atenção. Depois de 13 temporadas, é natural que seja difícil encontrar desafios completamente inéditos. Mas o MasterChef sempre teve uma vantagem: a gastronomia oferece possibilidades praticamente infinitas.
Ingredientes, técnicas, cozinhas regionais, restaurantes, chefs convidados, pratos clássicos e diferentes restrições podem produzir provas novas sem que seja necessário transformar a competição em um jogo de estratégia.
Virou BBB?
Não é por acaso que muitos fãs do programa têm definido a 13ª temporada como uma aproximação do MasterChef com o reality Big Brother Brasil, justamente pela valorização de intrigas, alianças e relações entre os competidores em detrimento da cozinha.
A comparação com o BBB não significa que o MasterChef nunca tenha trabalhado com personalidade ou conflito.
Sempre houve participantes que se tornaram protagonistas por suas características, rivalidades e relações, já que isso faz parte da lógica de qualquer reality.
A diferença está na proporção: quando a personalidade ajuda a construir a narrativa de uma competição culinária, ela funciona. Quando a competição começa a ser construída para produzir personalidade, conflito e torcida, existe o risco de o programa perder parte de sua especificidade.
A própria Band parece reconhecer a importância desse componente. A cobertura oficial da temporada tem destacado repetidamente os embates entre participantes, enquanto os títulos publicados no site da emissora exploram conflitos, provocações e relações dentro da cozinha.
Entre as chamadas dos episódios aparecem, por exemplo, “Aline é detonada por equipe: ‘Líder ruim’”, “Aline define Nuri como ‘o maior água de salsicha’” e “Rodrigo explica atrito com adversários”.
Isso mostra como o conflito passou a ser uma parte relevante da narrativa editorial da temporada.
A gastronomia em segundo plano
Há ainda uma segunda frente de críticas: o nível culinário percebido pelo público. Comentários publicados nas últimas semanas questionam a preparação técnica dos participantes e afirmam que o elenco estaria abaixo do nível de temporadas anteriores.
Uma discussão recente nas redes reúne justamente essa percepção com outra reclamação recorrente: a de que os julgamentos dos chefs estariam mais superficiais.
Alguns espectadores dizem sentir falta das avaliações mais técnicas, nas quais os jurados explicavam com maior profundidade o que havia dado errado em um prato.
Essa crítica é particularmente relevante porque o julgamento sempre foi um dos grandes diferenciais do MasterChef. Assistir a Erick Jacquin, Henrique Fogaça e Helena Rizzo avaliando uma preparação não significa apenas descobrir quem será eliminado.
Muitas vezes, o interesse estava justamente em entender por que um prato funcionou ou fracassou. A avaliação servia como uma espécie de aula de gastronomia para quem estava em casa.
Por isso, quando o público percebe menos rigor nas avaliações, a insatisfação vai além de gostar ou não de determinado participante. A sensação é de que o critério que orientava a competição ficou menos evidente.
Doce de leite pronto
O episódio envolvendo a participante Jéssica e o uso de doce de leite já pronto é um exemplo dessa discussão nas redes: muitos questionaram por que a escolha não recebeu uma cobrança mais severa, considerando o rigor que o programa historicamente demonstrou com produtos prontos.
a jéssica só conseguiu fazer toda essa quantidade “bonita” de alfajor pq o doce de leite dela já era pronto
passaram pano pro doce de leite industrializado por publicidade. medo de estigmatizar ou criticar uma marca que tem potencial pra ser patrocinador #masterchefbrasil https://t.co/FwXfvsxxVC
— taís (@tais13_) July 31, 2026
Quem acompanha o reality da Band, principalmente pelas redes sociais, notou que existe é uma parcela bastante vocal de espectadores questionando as escolhas da produção e o nível de exigência culinária.
É aí que entra a ideia de saturação. Talvez o problema não seja simplesmente o MasterChef estar há 13 temporadas no ar. Um formato pode durar muitos anos quando encontra maneiras de se renovar sem abandonar sua identidade.
O desafio aparece quando a tentativa de renovação começa a fazer o programa parecer menos diferente dos demais realities. Uma prova coletiva com uma dinâmica repetida pode produzir conflitos, mas não necessariamente cria curiosidade sobre gastronomia.
Depois de 13 temporadas, o MasterChef talvez precise responder a uma pergunta simples: como continuar despertando curiosidade sem esquecer que, no fim das contas, o que o público veio assistir é gente cozinhando?
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