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Fim amargo do MasterChef? Programa vira ‘BBB’, com menos cozinha e mais barraco

Críticas a provas em grupo e excesso de dinâmicas colocam o formato em xeque

Por Marina Marques Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 11 ago 2026, 15h00 | Atualizado em 11 ago 2026, 15h09
Críticas à 13 temporada do MasterChef Brasil
13ª temporada é alvo de críticas por provas repetitivas e excesso de conflitos (Melissa Haidar/Band/Reprodução)
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A 13ª temporada do MasterChef Brasil trouxe uma série de mudanças para tentar renovar um formato que está no ar há mais de uma década. A Band anunciou a edição como uma temporada de “dinâmicas totalmente inéditas”, com uma estrutura inspirada em torneios esportivos e disputas por equipes.

A tentativa de encontrar novos caminhos para o reality, no entanto, acabou provocando uma discussão que vai além do desempenho de um ou outro participante: será que o programa está conseguindo se renovar sem perder aquilo que o tornou um sucesso?

Audiência não tão boa…

Os números ajudam a explicar o momento. A 13ª temporada estreou com 1,3 ponto de audiência na Grande São Paulo, chegou a 1,6 ponto em seu melhor resultado e, em junho, registrou 0,8 ponto, antes de oscilar na faixa de 1,2 a 1,5 em julho.

Não é possível atribuir esse desempenho exclusivamente às mudanças desta edição, mas a audiência mais modesta coincide com uma onda de críticas nas redes sociais. O incômodo, ao que parece, não está simplesmente na renovação do formato, mas na direção que essas mudanças tomaram.

Mais uma prova em grupo

Uma das reclamações mais frequentes diz respeito às provas em grupo. A dinâmica coletiva sempre fez parte do MasterChef e tem a função de avaliar liderança, organização, trabalho em equipe e capacidade de adaptação.

O problema aparece quando ela se torna tão recorrente que deixa menos espaço para descobrir quem, individualmente, cozinha melhor.

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Comentário de @alinemachado8495 há 12 dias, com foto de perfil de uma mulher sorrindo, dizendo: até eu não aguento mais prova em equipe kkkk. Cadê os leilões, as provas de degustação às cegas???. O comentário tem 563 curtidas e um botão para responder, além de indicar 2 respostas abaixo
Crítica ao MasterChef no YouTube (YouTube/Reprodução)

É justamente essa percepção que aparece nos comentários de espectadores nas redes. Há pedidos pelo retorno de provas individuais, das caixas misteriosas, dos leilões e de desafios que coloquem os participantes diante de problemas culinários mais complexos.

Leilão, caixa misteriosa: queremos as provas antigas de volta!

Em uma discussão recente no X, um espectador resumiu a crítica dizendo que não há problema em provas de grupo, mas que as dinâmicas atuais estariam premiando cada vez menos aquilo que tem relação com cozinhar.

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Outro questionou se o formato ainda está, de fato, procurando o melhor cozinheiro.

Comentário de @ganso08304 em um portal de notícias, criticando o foco de um programa de culinária em brigas entre participantes, com 1,3 mil curtidas e opção de responder
Crítica ao MasterChef no YouTube (YouTube/Reprodução)

A questão da criatividade das provas também merece atenção. Depois de 13 temporadas, é natural que seja difícil encontrar desafios completamente inéditos. Mas o MasterChef sempre teve uma vantagem: a gastronomia oferece possibilidades praticamente infinitas.

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Ingredientes, técnicas, cozinhas regionais, restaurantes, chefs convidados, pratos clássicos e diferentes restrições podem produzir provas novas sem que seja necessário transformar a competição em um jogo de estratégia.

Virou BBB?

Não é por acaso que muitos fãs do programa têm definido a 13ª temporada como uma aproximação do MasterChef com o reality Big Brother Brasil, justamente pela valorização de intrigas, alianças e relações entre os competidores em detrimento da cozinha.

A comparação com o BBB não significa que o MasterChef nunca tenha trabalhado com personalidade ou conflito.

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Sempre houve participantes que se tornaram protagonistas por suas características, rivalidades e relações, já que isso faz parte da lógica de qualquer reality.

Cinco participantes do MasterChef Brasil, três homens e duas mulheres, vestem aventais brancos com o logo vermelho do programa e seus nomes. Eles estão lado a lado, com expressões sérias, em uma cozinha profissional. O homem da esquerda usa óculos escuros e tem o braço sobre o ombro do segundo homem, que tem bigode. A mulher do centro tem cabelo curto e loiro, e o braço sobre o ombro da quarta mulher, de cabelo cacheado. A última mulher, à direita, usa um gorro azul e óculos. Ao fundo, prateleiras com utensílios de cozinha e a hashtag #MasterChefBR
Competidores da 13ª temporada do MasterChef Brasil durante uma prova de eliminação da repescagem (Band/Reprodução)

A diferença está na proporção: quando a personalidade ajuda a construir a narrativa de uma competição culinária, ela funciona. Quando a competição começa a ser construída para produzir personalidade, conflito e torcida, existe o risco de o programa perder parte de sua especificidade.

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A própria Band parece reconhecer a importância desse componente. A cobertura oficial da temporada tem destacado repetidamente os embates entre participantes, enquanto os títulos publicados no site da emissora exploram conflitos, provocações e relações dentro da cozinha.

Entre as chamadas dos episódios aparecem, por exemplo, “Aline é detonada por equipe: ‘Líder ruim’”, “Aline define Nuri como ‘o maior água de salsicha’” e “Rodrigo explica atrito com adversários”.

Isso mostra como o conflito passou a ser uma parte relevante da narrativa editorial da temporada.

A gastronomia em segundo plano

Há ainda uma segunda frente de críticas: o nível culinário percebido pelo público. Comentários publicados nas últimas semanas questionam a preparação técnica dos participantes e afirmam que o elenco estaria abaixo do nível de temporadas anteriores.

Publicação de Thais no Twitter, com foto de perfil de uma mulher de cabelo escuro beijando alguém. O texto diz: um recadinho para a produção do masterchef: na próxima temporada do amadores, arrumem um elenco que SAIBA cozinhar, masterchef não é bbb, quem assiste o programa gosta de ver gente cozinhando e não gente que vai só pra dar close. #MasterChefBR. A postagem tem 28 comentários, 241 retweets, 2 mil curtidas e 31 mil visualizações
Crítica ao MasterChef no X (X/Reprodução)

Uma discussão recente nas redes reúne justamente essa percepção com outra reclamação recorrente: a de que os julgamentos dos chefs estariam mais superficiais.

Alguns espectadores dizem sentir falta das avaliações mais técnicas, nas quais os jurados explicavam com maior profundidade o que havia dado errado em um prato.

Essa crítica é particularmente relevante porque o julgamento sempre foi um dos grandes diferenciais do MasterChef. Assistir a Erick Jacquin, Henrique Fogaça e Helena Rizzo avaliando uma preparação não significa apenas descobrir quem será eliminado.

Quatro pessoas em um palco de programa de culinária. À esquerda, um homem careca com barba e óculos, vestindo suéter bege, braços cruzados, sorrindo. Ao centro, uma mulher de cabelo preso, óculos e roupa preta, mãos na cintura, olhando para a direita. À direita, um homem de terno vinho e colete marrom, com o dedo no nariz, e uma mulher de costas, com blusa preta e avental branco, apoiando as mãos em um balcão com o logo do MasterChef
Aline apresenta seu prato aos jurados durante uma das provas da 13ª temporada do MasterChef Brasil (Band/Reprodução)

Muitas vezes, o interesse estava justamente em entender por que um prato funcionou ou fracassou. A avaliação servia como uma espécie de aula de gastronomia para quem estava em casa.

Por isso, quando o público percebe menos rigor nas avaliações, a insatisfação vai além de gostar ou não de determinado participante. A sensação é de que o critério que orientava a competição ficou menos evidente.

Doce de leite pronto

O episódio envolvendo a participante Jéssica e o uso de doce de leite já pronto é um exemplo dessa discussão nas redes: muitos questionaram por que a escolha não recebeu uma cobrança mais severa, considerando o rigor que o programa historicamente demonstrou com produtos prontos.

Quem acompanha o reality da Band, principalmente pelas redes sociais, notou que existe é uma parcela bastante vocal de espectadores questionando as escolhas da produção e o nível de exigência culinária.

É aí que entra a ideia de saturação. Talvez o problema não seja simplesmente o MasterChef estar há 13 temporadas no ar. Um formato pode durar muitos anos quando encontra maneiras de se renovar sem abandonar sua identidade.

O desafio aparece quando a tentativa de renovação começa a fazer o programa parecer menos diferente dos demais realities. Uma prova coletiva com uma dinâmica repetida pode produzir conflitos, mas não necessariamente cria curiosidade sobre gastronomia.

Depois de 13 temporadas, o MasterChef talvez precise responder a uma pergunta simples: como continuar despertando curiosidade sem esquecer que, no fim das contas, o que o público veio assistir é gente cozinhando?

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