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Quase nada: a decoração enxuta da estilista Paula Kim

A estilista abre as portas do seu apartamento em São Paulo e compartilha sua jornada movida pelo triatlo, que a despertou para o minimalismo

Por Marina Marques Atualizado em 12 Maio 2022, 13h36 - Publicado em 13 Maio 2022, 08h12

É na tranquilidade de um apartamento de paredes em tons neutros, luz natural e uma decoração enxuta e escolhida a dedo que Paula Kim cria seu refúgio criativo. Formada em moda com foco em design de estamparia, é quase irônico que seja num espaço tão sóbrio que a estilista sinta-se mais inspirada para criar suas peças coloridas.

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Os cães de Paula repousam no calor do sol. |Foto: Mayra Azzi/CLAUDIA

Adepta do minimalismo, Paula teve a ideia de viver com menos após adotar um estilo de vida nômade, guiado pelo amor ao esporte. “Quando trabalha-se com moda, sempre existe a questão do consumo intenso. Eu tive a minha fase ‘patricinha’, queria ter a bolsa da época, o sapato de salto. Por conta da prática esportiva, passei por uma transição orgânica. O que eu buscava era conforto”, conta a paulistana de 34 anos, que já trabalhou para as grifes Burberry, Tommy Hilfiger e Dior.

Aos 18, foi morar em Londres para cursar moda na Central Saint Martins. Já formada, viveu anos intensos transferindo-se a trabalho de um país para outro. Durante uma passagem por Corunha, cidade portuária na Espanha, mergulhou de cabeça no triatlo. “Sempre gostei de correr e de andar de bicicleta, mas o triatlo me encantou pelo sentimento de persistência, de superar limites e me ajudar na concentração”, conta.

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Uma vez por ano, Paula visita a família na Coreia. Da última viagem, trouxe um tecido de mesa que virou quadro: “Vamos juntos”, diz a frase |Foto: Mayra Azzi/CLAUDIA

Depois de tantas mudanças e anos vivendo sem local fixo, os pertences da estilista eram poucos, mas foram reduzidos a zero depois de um incidente. Quando retornou ao Brasil, o contêiner que transportava todos os seus bens foi inundado por uma enchente. “Eram itens e memórias de um período de dez anos. Tinha tudo que você possa imaginar: livros, diários, roupas. Perdi absolutamente tudo e chorei por três dias. Mais tarde, me dei conta de que não precisava daquilo, que não fazia falta”, conta sobre o imprevisto que ocorreu há quatro anos.

No seu atual apartamento, localizado no bairro paulistano da Vila Mariana, ela divide a missão de viver com o mínimo possível ao lado de Pedro Andrade, seu parceiro de vida e profissão. Juntos, eles administram as marcas P. Andrade e Piet, mais o laboratório criativo M.I.L. Workshops. Eles têm móveis sóbrios com texturas naturais e paleta de cor em cinzas, marrons e brancos que preenchem da sala ao quarto, junto à vivacidade de alguns vasos e plantas que Paula e Pedro ganharam de amigos.

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“O triatlo tem esse poder de me mostrar que sou capaz. É um esporte que te apresenta limites que você antes não conhecia.” |Foto: Mayra Azzi/CLAUDIA

Nesse espaço, compartilham a rotina de alimentação orgânica, meditação e yoga indoor – veja pelo perfil @paulakkim – com Palí e Popô (expressões que significam, respectivamente, “rápido” e “beijo” em coreano). Os galgos italianos seguem Paula pelo apartamento como duas sombras, e fazem jus aos nomes que receberam. Há também elementos que representam a paixão da estilista pelo movimento: na sala, no lugar do tapete, ela optou por uma esteira de tatame feita em palha de arroz trançada. Confortável, a peça ajuda os moradores em momentos de relaxamento e ainda é prática para uma casa com cães.

Dessa vibe de entrelaçar o esporte com o conforto na rotina surgiu também a vontade de criar roupas esportivas ao lado da amiga Gabriela Brandileone. Em 2020, elas fundaram a Lapô (pronúncia de la peau, “a pele”, em francês), marca com a premissa de exaltar a sustentabilidade e a diversidade de corpos. “Sempre tive dificuldade de achar um tênis do meu tamanho. Por calçar 34/35, só encontrava modelos cor-de-rosa com glitter. Quando ia comprar um look de treino, tinha que ir para a seção masculina, porque na feminina era sempre o neon ou caimentos muito justos, com preenchimento no bumbum. Nunca encontrava nada com o qual me identificasse”, comenta.

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Detalhes do apartamento de Paula Kim. |Foto: Mayra Azzi/CLAUDIA
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Os pequenos itens de decoração são carregados de significado. |Foto: Mayra Azzi/CLAUDIA

Com tamanhos que vão do PP ao GG, as peças são feitas a partir de tecidos desenvolvidos com uma tecnologia que utiliza o fio de poliamida biodegradável: ao ser descartado corretamente em condições de aterro sanitário, se decompõe no período de três anos, sem deixar resíduos têxteis. As peças também são livres de produtos tóxicos para a pele e produzidas com água de reuso.

A linha fluxo perfeito, por exemplo, ainda foi pensada para ser usada durante a menstruação, sem a necessidade de calcinha ou absorvente. “Queremos prezar pela saúde física e mental. O mundo está tão intoxicado, de poluição e das imposições sociais… A marca precisava ser minha porta-voz, ser alegre através das cores, das escolhas das modelos. Por mais que ainda pequena, eu acredito que seja uma semente que vai se transmitindo para as outras pessoas”, declara.

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Mais detalhes da decoração de Paula Kim, que evidenciam seu amor pelos esportes. |Foto: Mayra Azzi/CLAUDIA
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Decoração minimalista, mas ainda assim cheia de personalidade nos mínimos detalhes. |Foto: Mayra Azzi/CLAUDIA
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Paula sempre gostou de andar de bicicleta, mas foi o triatlo que a encantou pela persistência e superação de limites. |Foto: Mayra Azzi/CLAUDIA

Não são só as experiências e informações absorvidas ao longo de sua trajetória que influenciam no seu trabalho. Nascida no Brasil, Paula vem de uma linhagem de coreanos – seu pai imigrou para cá aos 3 anos de idade. “Acredito na questão genética. Acho que tenho influência das minhas origens. O Pedro fala bastante que meus designs têm uma coisa diferente, que ele não sabe explicar. São pedacinhos da cultura coreana, sabe? De ser o mais mínimo possível, de não ter muita informação. Não é sobre o macro, mas sobre o micro. Não digo nem que seja perfeccionismo, mas é uma questão de detalhes. Não tem como fugir disso, é engraçado”, diz. E é na casa que nossas referências são refletidas, não tem como negar, né, Paula?

 

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