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Planilhafobia: o medo de cuidar do próprio dinheiro

A fobia é real, e causa ansiedade em mulheres que preferem evitar olhar o próprio extrato a encarar a situação de frente. Se for seu caso, posso te ajudar

Por Paola Carvalho
20 jul 2023, 06h46

Viciada em planilha que sou, entendo o medo que linhas, colunas e números podem provocar. Eu já estive nesse lugar e, vira e mexe, volto a ele, como quando alguma amiga antiga do trabalho me pergunta: “O que você tanto via naquelas planilhas?” Na época, há mais de 10 anos, eu mal sabia responder: “As informações que preciso enxergar, mas outros não veem, estão ali”. Hoje, posso ir além. Essa habilidade tem a ver com o meu empoderamento, com a minha autonomia e independência, com planejamento de sonhos e a realização deles — e também com a suspensão do uso do remédio antroposófico para auxiliar na insônia. 

Creio que essa amiga e outras mulheres lidam, sem se dar conta, com um tipo de transtorno de ansiedade caracterizado por medo ou aversão a um objeto ou situação, talvez ainda não tratado em artigos científicos das melhores universidades do mundo: a planilhafobia. Esse medo, esmagador e debilitante sobre o controle minucioso do dinheiro, representa perigo à sua conta bancária e à sua aposentadoria, e pode provocar uma repulsa desproporcional que paralisa e chega a impedir muitas de conferirem o seu próprio extrato. 

Calma, há tratamento. 

A criança que existe em cada uma de nós cresceu em uma sociedade que tendia a delegar a responsabilidade da gestão financeira aos homens, criando uma dependência sutil, mas constante, que mantinha as mulheres afastadas do controle das contas, ganhos e gastos, aumento ou sumiço de patrimônio. Voltar para esse lugar pode ser revelador. Afinal, homens e mulheres só foram considerados iguais em direitos e obrigações na Constituição. Antes, o Código Civil de 1916 considerava as mulheres casadas “incapazes”, eram proibidas de terem conta em banco, estabelecimento comercial ou mesmo viajar sem autorização dos maridos. Uma primeira mudança, de fato significativa, só aconteceria em 1962, com a promulgação do Estatuto das Mulheres Casadas. Essa herança e os muitos traumas perduram.

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A planilha, portanto, é uma ferramenta de luta contra desigualdades de gênero, uma aliada da mulher na busca de sua autonomia. Derrube a crença limitante de que números não são para nós e faça dela uma parceira de rotina. Confronte os medos, ou apenas a simples falta de vontade, e assuma o controle da vida financeira. 

Depois de uma sessão de análise, uma conversa com as amigas ou consigo mesma, siga o tratamento. Anote a seguir a receita de uma planilha caseira — e dose sem moderação. Ah! Você pode contratar alguém para te ajudar, ou automatizar; seja como for, você sempre no controle. 

Escolha uma plataforma (papel e caneta, Excel, Google Sheets, aplicativos). Use ao menos duas colunas: ganhos e despesas. Anote todas as movimentações, o que entra e o que sai. Isso a ajudará a ter uma visão macro do quanto está disponível. Pode parecer simples, mas descobrir com o que você mais gasta, ou gasta desnecessariamente, pode ajudar no seu comportamento de consumo e indicar a criação de novos hábitos. Autoconhecimento faz bem.

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Faça também uma lista do que pode ser considerado patrimônio, passando por poupança, veículo, casa, propriedades e/ou investimentos: acompanhe a valorização de cada um, já que a desvalorização pede mudanças. Liste também desejos corriqueiros e sonhos grandes, o quanto eles custam e o que você precisa fazer para mantê-los ou alcançá-los. E não se esqueça da reserva de emergência. 

Uma forma de se livrar da fobia é se expor gradualmente à situação temida. Tire um tempo para revisitar os números regularmente e fazer ajustes. Prepare-se: você terá insights valiosos. Se a planilha continuar provocando medo, peça ajuda para tomar decisões mais embasadas e assertivas de gestão e investimento. Busque conhecimento e siga desafiando estereótipos para conquistar a confiança de que você superou a planilhafobia.

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