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Diziam que minha mãe era psicopata, conta vítima da seita NXIVM

Para CLAUDIA, Índia e Catherine Oxenberg relembram as marcas que os abusos deixaram em suas vidas. A história delas é contada em uma nova série da Starzplay

Por Ana Carolina Pinheiro Atualizado em 16 nov 2020, 15h32 - Publicado em 15 nov 2020, 10h00

O drama vivido pela atriz hollywoodiana Catherine Oxenberg, que também é descendente da realeza europeia, e sua filha Índia Oxenberg com a seita NXIVM ganhou uma série documental na plataforma de streaming Starzplay.

Seduced: Inside the NXIVM Cult, das cineastas Cecilia Peck e Inbal B. Lessner, estreia neste domingo (15) e traz, em primeira pessoa, o relato de Índia sobre a sua violenta jornada dentro do suposto grupo de autoajuda, criado em 1998 e liderado pelo predador sexual Keith Raniere.

Assim como Catherine, que levou a filha para a instituição, mais de 17 mil pessoas caíram na promessa de evolução pessoal, vendida por Raniere. O criminoso foi condenado a 120 anos de prisão no dia 27 de outubro deste ano após acusações de extorsão, tráfico sexual, pornografia infantil e trabalho forçado, entre outros crimes. Catherine tem uma participação importante nessa condenação.

A atriz conseguiu escapar dos abusos e discursos manipuladores da seita, mas sua filha não. Pressão psicológica, escravidão sexual e até uma marca na pele, por meio de uma queimadura, selaram a prisão de Índia e outras vítimas dentro do grupo criminoso. Assim, Catherine não poupou esforços para reunir provas e denunciar Raniere, além de libertar a filha e outras vítimas das frequentes violências sexuais.

“Estou cercada por mulheres e homens excepcionais que trabalharam arduamente para derrubar essa pessoa. Minha família, amigos e eu somos incrivelmente validados pelo veredicto. Obrigado ao juiz e ao sistema de justiça por expor isso, devolver todas as nossas vidas e nos fazer sentir seguros novamente”, afirmou Índia Oxenberg sobre a decisão judicial.

Além das agressões dentro da seita, Índia revela que as ameaças de Raniere não cessaram. “Vou falar e compartilhar minha declaração sobre o impacto da vítima na sentença do dia 27. Ele está ameaçando as pessoas agora que está na prisão. Então este é um homem que não consegue parar de fazer o que está fazendo, ele está doente”, disse na entrevista, que aconteceu antes do julgamento.

Para CLAUDIA, mãe e filha contam sobre a separação delas, do processo de recuperação de Índia e seus traumas. A entrevista foi feita antes do julgamento de Raniere.

Dá para notar que a conexão entre você é muito forte. Como foi esse tempo distante uma da outra e o que sentiram quando se viram novamente?

Índia: Dentro do grupo eu estava sendo avisada que minha mãe era uma pessoa ruim, psicopata, que estava tentando me machucar e todas essas coisas negativas. Esse momento foi muito difícil, estressante e confuso para mim. Precisei tirar um tempo para mim mesma fora daquele grupo para ter uma relação com a minha mãe de novo e reconstruir nossa confiança. No reencontro, estava tão nervosa e assustada de estar com a minha mãe, que não sabia se ia conseguir falar se minhas emoções.

Catherine: Naquele momento em que estávamos separadas, me senti como um tigre aprisionada, com inquietação interior e desesperada por não poder procura-la. A primeira vez que ela me procurou eu fiquei estava muito nervosa. Não acreditava que estava ansiosa para ver minha própria filha.

Como você se sentiu ao relembrar os sete anos na seita durante as entrevistas da série?

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Índia: Foi tão difícil. Demorou muito e coloquei todo meu coração neste projeto, porque queria ter certeza de que, quando as pessoas assistissem, elas iriam embora com mais compreensão e educação do que com julgamento. Para ter minha vida de volta e superar isso, precisava compartilhar minha experiência no documentário. Falar foi parte da minha própria cura e recuperação da minha vida. O fato de não falarmos sobre isso se torna cada vez mais desconfortável, mostrando que as coisas. Mas você também não quer falar e compartilhar sempre. Às vezes só fico deitada na cama e choro.

Catherine: Eu estava com muito medo durante as filmagens que ela ficasse traumatizada novamente e tivesse uma recuperação ainda mais conturbada, mas não há como voltar atrás sem se retraumatizar, então é preciso muita coragem.

O discurso do NXIVM é muito persuasivo. Quando vocês perceberam que algo não estava certo?

Catherine: honestamente, desde o início. Sou muito aberta sobre isso. Toda vez que eu perguntava por que você não pode fazer isso ou por que isso é importante, eles já tinham uma justificativa definida, que você pode realmente comprar.

Índia: então essa era a habilidade deles. E isso é típico desses grupos, eles sempre têm uma resposta definida para as perguntas de qualquer pessoa. Eles preveem que você terá essas perguntas e fazem com que você suprima seu instinto natural repetidamente, e assim você não questiona mais.

Na série, vemos você conversando com sua terapeuta. O que é mais difícil de superar neste processo e o que mais tem te ajudado?

Índia: Eu tentei tipos diferentes de terapia e recomendo para todos que podem. Minha mãe também me deu todo apoio. Tenho feito psicoterapia regularmente, fisioterapia e aprendi boxe para que eu pudesse recuperar minha força e meu poder novamente.É muito bom socar algo, quando você está com raiva ou chateado. Uma das coisas mais difíceis de enfrentar é o abuso sexual, quero dizer, é muito difícil aceitar que você é vítima de abuso sexual, principalmente quando é disfarçado e veiculado pela mídia.

Sua missão era salvar sua filha e destruir o Nexium. Como você se sente com a sentença dada a Ranieri e que conselho você daria para quem convive com uma vítima de abuso sexual ou violência psicológica?

Catherine: Acredito que Keith é um sociopata, eu até escrevi para o juiz no ano passado e disse ‘ele é um perigo para a sociedade, ele precisa ser preso para o resto da vida, de preferência nesta prisão subterrânea, chamada supermax em Florence, no Colorado ‘. Ele deve estar no subsolo porque enquanto ele tiver acesso para se comunicar com qualquer pessoa, ele vai destruir a vida das pessoas. Para os pais, recomendo a leitura do livro que escrevi, em que mostro o caminho de resgaste que criei. Minha filha também está produzindo um do ponto de vista da vítima. Além disso, não corte a comunicação com a pessoa. Ela está nessa condição, porque tentam tomar o controle dela. Por isso, mostre que há outros lugares para ir e que não existe apenas a única opção que ela vive.

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