Jardim de inverno: o segredo para deixar a casa mais bonita e aconchegante
Rega adequada, iluminação e espécies corretas são alguns dos pontos a considerar no jardim de inverno; saiba mais e confira inspirações elegantes
O jardim de inverno tem conquistado cada vez mais espaço nos projetos de arquitetura e design de interiores. Além de valorizar a decoração com plantas e trazer a natureza para dentro de casa, essa solução contribui para criar ambientes mais agradáveis e acolhedores.
Os benefícios vão além da estética: segundo pesquisa publicada na revista Environmental Health Perspectives, pessoas que vivem em locais com mais áreas verdes apresentam menores taxas de depressão e ansiedade.
Uma boa pedida para integrar a natureza para a decoração do lar são os jardins de inverno, que incorporam uma proposta estética e sensorial, trazendo o verde para o interior e criando uma atmosfera mais acolhedora.
O que é um jardim de inverno?
Conforme explica a arquiteta Isabella Nalon, o jardim de inverno surgiu em regiões mais frias como uma forma de manter o contato com a natureza mesmo em períodos de baixa temperatura, permitindo o cultivo de plantas dentro de espaços protegidos.
“Com o tempo, esse conceito foi incorporado também em países de clima mais ameno, como o Brasil”, explica a especialista.
Originalmente, tratava–se de estruturas envidraçadas, semelhantes às estufas. Hoje, os jardins de inverno não requerem uma superfície envidraçada, podendo integrar à sala, ao corredor o, inclusive, no quarto.
Benefícios do jardim de inverno
O jardim de inverno também traz uma série de benefícios à residência. Do ponto de vista funcional, o jardim de inverno auxilia na filtração da luz natural, além de melhorar a sensação térmica e tornar o ambiente mais agradável ao morador.
Em paralelo, a utilização de espaços verdes em áreas internas traz uma série de benefícios ao morador, reduzindo a fadiga mental, combatendo os sintomas de estresse e depressão e estimulando a produtividade.
Segundo o relatório chamado “Green and Blue Spaces and Mental Health” (Espaços verdes e azuis e saúde mental), publicado pela Organização Mundial da Saúde (OM), o tempo na natureza – incluindo áreas urbanas e periurbanas – melhora o humor, a mentalidade e a saúde mental.
Já do ponto de vista estético, o principal ganho é, sem dúvidas, a presença do verde, que incorpora movimento, personalidade e textura ao ambiente.
Tipos de jardim de inverno
Apesar de criados para climas frios e com estruturas envidraçadas, atualmente, os jardins de inverno possuem possibilidades e tipos diversos.
O mais comum é o vertical, ideal para ambientes compactos, nos quais a parede é utilizada como apoio para as plantas, criando um efeito volumosos e conferindo cor à parede.
Com paisagismo assinado por Flávia D’Urso Paisagismo e decorado pela arquiteta Paula Gonçalves Reis, este jardim vertical foi incorporado ao espaço gourmet, integrando-se à área de convivência e dando continuidade ao conceito tropical do cômodo, inspirado na paisagem brasileira.
Outra opção são os jardins abertos, comuns, especialmente, em áreas com clima mais ameno. Este tipo é montado sem fechamentos, permitindo com que as plantas cresçam livremente e ocupem um espaço maior do cômodo.
Para a iluminação, nestes casos, é possível incorporar janelas grandes ou claraboias, que permitem a iluminação zenital das espécies.
Assinada pelo Nitsche Arquitetos, esta sala traz um conceito de jardim de inverno aberto, com plantas volumosas em vasos grandes. Para facilitar os cuidados, as espécies foram posicionadas próximas às janelas, elas harmonizam com as tonalidades presentes no décor, como o azul e os revestimentos naturais.
Já para quem gosta do efeito elegante e contido, o jardim de inverno fechados, pautados por estruturas de vidro, delimitam bem o ambiente e, ainda, possuem um efeito visual potente e elegante.
Neste espaço, com projeto de arquitetura do Denise Zuba Arquitetos e paisagismo do Depieri Paisagismo, o jardim foi incorporado entre a sala de estar e o espaço de jantar, integrado entre si.
Com estrutura envidraçada, o elemento destaca-se por ir do piso ao teto, conferindo um efeito de amplitude ao cômodo. Ainda, o verde acrescenta personalidade ao cômodo, marcado, principalmente, pelo estilo minimalista.
É possível ter jardim de inverno em casas pequenas?
Sim, é possível, sendo apenas necessário ter um bom planejamento. Em ambientes reduzidos, o segredo está na escolha das espécies e na escolha da implantação.
“Em vez de vasos grandes, funciona melhor trabalhar com floreiras lineares ou composições verticais. Uma boa estratégia é usar plantas em diferentes alturas dentro de um mesmo espaço compacto, criando volume sem ocupar muita área”, diz a arquiteta.
Vale investir em soluções de iluminação que valorizem o conjunto, além de considerar soluções práticas, como sistemas de irrigação.
Na sala de estar, assinada pelo Guelo Nunes Arquitetura, o jardim de inverno é incorporado por meio de uma jardineira, incorporada na varanda integrada, aproveitando bem os ambientes.
O que saber antes de colocar um jardim de inverno
Antes de investir, é necessário considerar as necessidades do elemento, como sistema de irrigação, iluminação e outros fatores.
“Naturalmente, considere a iluminação natural disponível. Plantas precisam de claridade, mesmo espécies de “meia sombra” precisam de claridade. Havendo o suficiente, o próximo passo é avaliar, junto de um profissional paisagista ou botânica, as melhores espécies para o uso”, pontua a arquiteta Patricia Penna, do escritório homônimo.
Para isso, posicione o jardim próximo às janelas ou áreas com entradas de luz. Nestes casos, soluções de iluminação zenital, como as claraboias, não somente são ideais para as plantas, mas conferem um visual elegante e maior conexão com a natureza.
Em locais sem iluminação natural adequada ou suficiente, é possível complementar com iluminação específica para plantas, mas sem substituir totalmente a luz natural.
A ventilação também é essencial, já que ambientes totalmente fechados podem prejudicar a saúde das plantas. Outro ponto a considerar é a questão estrutural, principalmente em apartamentos, já que vasos grandes podem ter peso significativo e precisam ser bem planejados.
Analise bem a escolha das espécies, que devem ser adequadas com as condições disponíveis no espaço. “Não adianta optar por espécies que precisam de sol pleno em ambientes com pouca luz”, esclarece Isabella.
Avalie as condições e possibilidade de rega, seja por meio de pequenos tubos com temporizador, que requerem de torneira, seja com mangueira ou regador.
Por fim, considere o recolhimento do excesso de água, que pode ser feito por meio da drenagem via rede de coleta ou pratos.
Lembre-se também que integrar um jardim de inverno não é um elemento decorativo qualquer, e requer de atenção constante.
O espaço exige de acompanhamento, além de absorvimento de mudanças e possível realização de ajustes. Não pense nisso como tarefa, mas sim como momento de reconexão com a natureza.
Melhores materiais e acabamento para jardim de inverno
A escolha dos materiais depende, principalmente, do local onde o jardim será incorporado. Segundo Patricia, se o jardim for de maiores proporções, a estrutura pode ser em alumínio com vidro, que não enferruja e é leve.
“Em pequenos espaços, onde haverá um ‘cantinho verde’, é necessário avaliar a disponibilidade de espaço para a definição dos vasos e espécies”, pontua a arquiteta.
O ideal, porém, é optar por materiais resistentes à umidade e de fácil manutenção. Porcelanatos, por exemplo, funcionam muito bem, assim como revestimentos que suportem contato frequente com água.
Melhores espécies para jardim de inverno
As melhores espécies são aquelas adaptadas à meia-sombra ou ambientes internos, como maranta, costela-de-adão, ráfis, pacová e filodendro.
Essas plantas adaptam-se melhor à luz indireta e exigem menos exposição ao sol pleno. Além disso, permitem composições interessantes com diferentes formatos de folhas e tonalidades de verde, trazendo riqueza visual ao ambiente.
Como fazer a manutenção do jardim de inverno?
Sobre a manutenção, Isabella alerta: “A rega deve seguir a frequência adequada, evitando tanto o excesso quanto a falta de água”, explica a profissional.
De acordo com ela, também é importante retirar folhas secas, fazer adubação periódica e observar como as plantas estão reagindo ao ambiente. “A estrutura deve ser mantida limpa, principalmente em relação ao acúmulo de água e sujeira”, conclui.
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