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A casa de Helena Silvarolli: decoração mistura clássico, vintage e arte contemporânea

Influenciadora abre as portas de seu lar e revela como a moda e as boas memórias inspiraram o projeto de interiores assinado por Christina Hamoui

Por Marina Marques Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 16 set 2026, 09h00
Mulher loira, com cabelo ondulado preso em rabo de cavalo lateral, veste blusa verde-limão decotada e plissada, olhando para a direita. Ao fundo, uma tela abstrata com círculos coloridos e, à direita, um vaso verde com flores brancas
A relação com a moda e a influência da família ajudaram a formar o olhar de Helena Silvarolli para estética e decoração (Wesley Diego Emes/CLAUDIA)
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A casa de Helena Silvarolli: decoração mistura clássico, vintage e arte contemporânea Priorizar nos meus resultados Google

Helena Silvarolli recebe quem chega em seu lar com a mesma energia que leva para a vida: conversa fácil, entusiasmo e vontade de fazer o outro se sentir à vontade.

Na casa onde vive há quase quatro anos, no Morumbi, gosta de receber, embora a rotina intensa faça com que isso aconteça menos do que desejaria.

O jeito caloroso de acolher aparece também nos ambientes, pensados para serem vividos, com uma base neutra de bege, madeira e tecidos claros que ganha vida em obras de arte e tons de verde. “Todo mundo que entra aqui fala: ‘Nossa, Le, isso aqui é sua cara. Te vejo em cada cantinho’”, se anima.

Sala de estar luxuosa com sofá bege, duas poltronas verdes, mesa de centro com vasos de flores e estante espelhada cheia de livros e objetos decorativos. Uma tela preta com a frase Hopes and Dreams está na parede. O ambiente tem piso de madeira e tapete claro com padrão geométrico, e uma lareira moderna com revestimento de mármore e detalhes pretos. Ao fundo, uma porta de vidro reflete o ambiente
À esquerda, o quadro personalizado com frases, da série Open Book, são da amiga e artista plástica Fernanda Naman (Wesley Diego Emes/CLAUDIA)
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A identificação começou no próprio processo de criação da casa, feito ao lado da arquiteta Christina Hamoui, profissional que Helena admirava pelo trabalho com cores.

A relação com o imóvel também é familiar: ela se mudou para lá depois de se casar e, quando veio a separação, decidiu permanecer. O pai, que havia participado de toda a reforma, perguntou se ela gostaria de ficar, voltar a morar com os pais ou procurar outro lugar.

Quarto luxuoso com cama de casal branca e cabeceira estofada bege, duas mesas de cabeceira pretas com abajures de cristal. Ao fundo, um closet iluminado com roupas e sapatos organizados em prateleiras e araras
Os tons neutros dão sensação de descanso no quarto (Wesley Diego Emes/CLAUDIA)
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“Quero ficar porque a gente construiu isso com muito amor e carinho”, lembra. A obra levou cerca de dois anos e atravessou a pandemia. Para Helena, o primeiro dia no novo lar, quando pronto, marcou uma passagem para a vida adulta. “Foi chocante e gratificante ao mesmo tempo. Me veio o sentimento de ter dado um grande passo.”

Um caminho próprio

Embora tenha crescido em um ambiente ligado à moda, Helena não seguiu o caminho profissional esperado.

A família está à frente da marca Corello, de calçados, mas, quando chegou a considerar trabalhar nos negócios familiares, foi o pai quem a incentivou a construir uma trajetória independente: “Não, eu quero que você trace o seu caminho”, lembra sobre o conselho que carregou para a vida. 

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Mulher loira de blazer e calça coloridos sentada em sofá claro, segurando um cão chihuahua branco. Ao fundo, espelho com a frase LIFE HAPPENS ALL THE TIME e decoração moderna
A moradora com sua cachorrinha, Matilda. Ao fundo, o quadro da artista plástica Fernanda Naman (Wesley Diego Emes/CLAUDIA)

A escolha se mostrou decisiva. Em 2018, começou a publicar com mais frequência no Instagram, inicialmente looks e registros do cotidiano. O interesse dos seguidores cresceu e os pedidos para que produzisse mais conteúdo vieram naturalmente.

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Uma amiga que trabalhava na agência que hoje a representa percebeu seu potencial e a incentivou a profissionalizar a atividade. Ela abriu a própria empresa e passou a trabalhar com conteúdo digital, mantendo a moda como eixo, mas ampliando os assuntos para beleza, viagens, receitas e dicas dos mais diversos assuntos para mais de 100 mil seguidores.

O trabalho, porém, está longe de se resumir às imagens publicadas nas redes. Há planejamento, negociação com marcas, produção e uma exposição constante que nem sempre acompanha o momento pessoal.

Quando se separou, por exemplo, tinha uma entrega profissional para uma grande grife no mesmo dia.

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“Às vezes acontece de você não estar bem, não querer falar. Mas o que você diz para as marcas? Tchau, eu não vou fazer o conteúdo porque estou chorando? Não tem como, e sou muito responsável.”

A experiência também trouxe uma percepção mais crítica sobre o ambiente digital. “Existe muito sentimento de inveja nesse meio, muita competição, as pessoas não torcem uma pela outra. Acho triste isso, porque um profissional não anula o outro; uma pessoa não apaga a outra. Mas amo meu trabalho. Sempre falo que sou feliz no que faço.”

Aos 31 anos, ela reconhece na carreira construída fora dos negócios da família uma conquista pessoal. Parte desse repertório naturalmente atravessa a casa: está no closet, nos livros de moda e decoração, nas escolhas de objetos e na maneira como organiza os ambientes.

A quatro mãos

Christina Hamoui é a responsável pelo projeto de interiores do sobrado, enquanto Gilberto Elkis assina o paisagismo. Com a profissional, Helena encontrou espaço para combinar uma arquitetura mais clássica com elementos contemporâneos.

Os espelhos são uma das marcas mais visíveis do projeto. A moradora foi reduzindo a quantidade ao longo da obra, mas preservou o recurso em pontos estratégicos. “A Cris é fã dos espelhos, fui gostando da ideia, mas com algumas adaptações para não ficar em excesso, evitando a sensação de que tudo está se refletindo.”

Na sala, os painéis foram desenhados e recortados em formas geométricas, seguindo as proporções definidas pela arquiteta. O acabamento amarronzado também ajuda a amenizar o reflexo.

As obras de arte orientam o projeto. Helena pesquisou artistas e escolheu peças pensando em tamanhos, cores e relações com os móveis. Dois trabalhos de Fernanda Naman, amiga da família, foram presentes de casamento; as frases foram escolhidas por Helena em parceria com a artista.

Um aparador moderno com tampo espelhado e base geométrica dourada, exibindo uma bandeja com copos coloridos, garrafas de bebida e um vaso de flores brancas. Ao fundo, uma tela abstrata com círculos e linhas em tons vibrantes, e cortinas bege. Dois pufes redondos de veludo verde estão à direita
No móvel-bar, toques de verde e a obra assinada por Isabella Despujols trazem cor para os revestimentos neutros da sala de estar (Wesley Diego Emes/CLAUDIA)

No móvel-bar, uma peça da venezuelana Isabella Despujols foi criada especialmente para o espaço, com tamanho e cores definidos para conversar com o ambiente.

Na estante da sala, livros de arte e decoração dividem espaço com vasos, esculturas, objetos de vidro e lembranças de viagens. Há também peças de familiares, como um castiçal da avó, além de presentes do pai e do irmão. É o principal xodó: “Acho aquela estante é especial, porque tem um pouquinho de cada pessoa que amo ali”.

Sala de estar luxuosa com estantes repletas de livros de arte e objetos decorativos. Duas poltronas de veludo verde-esmeralda, uma com manta estampada, e uma mesa de centro cinza com livros e velas.
No estar, a estante é composta por livros e memórias de família (Wesley Diego Emes/CLAUDIA)

Nela, a moradora segue modificando a composição dia a dia, incorporando objetos que chegam de viagens, presentes e também descobertas.

Cor e personalidade

As cores aparecem nos objetos, tecidos, obras e móveis, enquanto as paredes permanecem neutras. O verde foi escolhido quando Helena ainda era casada, como alternativa que funcionasse para os dois moradores, e acabou se tornando o tom que melhor conversa com o restante da decoração. “Sou uma pessoa muito ‘arco-íris’”, dá risada.

“Minhas amigas falam isso. Eu já fui mais até, hoje em dia sou um pouco menos, mas achei que o verde combinou bastante com o neutro. É uma cor que entrou em sintonia com todos os elementos restantes da casa.” Essa mistura também aparece no modo como Helena se veste.

“Me defino como um mix do clássico com o vintage. Inclusive nas roupas, tenho coisas modernas, mas sempre com algo mais atemporal, um blazerzinho. Acho que sou muito essa mistura, então minha casa traduz isso. A base dela é mais sóbria, daí você vem com elementos mais modernos que dão essa quebrada.”

Mulher loira, de cabelos longos e ondulados, vestindo um conjunto verde-limão de blusa decotada e saia justa, posa em um ambiente decorado com arte abstrata colorida e móveis verdes
Helena Silvarolli em seu sobrado, no Morumbi, onde reúne objetos de família e referências que acompanham sua trajetória na moda (Wesley Diego Emes/CLAUDIA)

Na casa, essa combinação aparece em poltronas de veludo, espelhos geométricos, arte contemporânea, vasos de vidro, livros coloridos e alguns móveis antigos garimpados.

A relação entre moda e decoração fica especialmente evidente no closet: um dos quartos originais foi incorporado ao ambiente para ampliar o espaço dedicado às roupas, bolsas e acessórios. Era uma das prioridades da reforma e hoje o cômodo funciona também como espaço de trabalho.

À esquerda, prateleiras com bolsas de luxo coloridas, incluindo modelos Jacquemus rosa, creme e verde-limão. À direita, um closet organizado com roupas penduradas em cabides e dobradas em nichos iluminados, com gavetas cinzas e puxadores dourados
Cômodo primordial desde o início do projeto, o closet é onde Helena Silvarolli passa a maior parte do tempo em casa, criando conteúdo para redes sociais (Wesley Diego Emes/CLAUDIA)

“Eu enfatizei que precisava de um closet, e hoje é um dos lugares da casa em que mais fico. O escritório, por exemplo, nem uso. Mas o closet é o lugar onde me arrumo, faço minha maquiagem e gravo conteúdo.”

Memórias à mesa

O interesse pela casa vem da infância e passa principalmente pela avó paterna, Etty, hoje com 85 anos. Helena cresceu observando a maneira como a matriarca cuida dos ambientes e recebe a família.

Toda quarta-feira, há um jantar com os primos, e a mesa posta virou uma espécie de tradição familiar. “Sempre observei isso e refletia sobre como queria ser igual a ela quando crescesse.”

A influência da avó também aparece na relação de Helena com a mesa. Ela gosta de montar produções, guarda jogos de pratos e já fez uma colaboração com uma marca de artigos para casa. O prazer está tanto nos objetos quanto na possibilidade de criar um ambiente para receber.

Essa vocação para o encontro se estende à área externa. O paisagismo de Gilberto Elkis envolve a piscina e cria uma continuação dos interiores, com o verde como elemento de ligação. É ali que a influenciadora procura um pouco de sol quando consegue escapar da rotina.

Três ambientes luxuosos: um aparador de madeira escura com vasos de flores brancas e espelhos, uma área externa com espreguiçadeiras e jardim vertical, e um painel decorativo verde-azulado em um hall espelhado
À direita, o imponente quadro, instalado logo na entrada, é do artista contemporâneo Claudio Solferini (Wesley Diego Emes/CLAUDIA)

A casa, porém, nem sempre é tão usada quanto ela gostaria. Entre trabalho, viagens, eventos, academia e amigos, Helena passa boa parte do tempo fora. Sempre que está no lar, prefere desacelerar.

“Quando estou aqui, não quero fazer nada. Quero só ficar no sofá, no celular, rolando meu feed. Eu juro, pode parecer loucura, porque já trabalho com redes sociais, mas para mim é terapêutico ficar rolando o Instagram”, ri de si mesma.

“Amo ficar de pernas para o ar, nessa salinha aqui onde estamos conversando. É isso que gosto de fazer em casa, porque não paro aqui.”

Sofá claro com almofadas estampadas e lisas, em frente a um quadro grande que mostra um salão clássico com colunas e teto de vitral, cheio de balões coloridos flutuando
A antessala guarda a obra com balões de Flávia Junqueira (Wesley Diego Emes/CLAUDIA)

Essa rotina movimentada dá outro peso ao silêncio do imóvel. Depois de um evento ou de uma viagem, voltar para casa representa uma mudança de ritmo.

“Quando tenho evento de trabalho, é uma loucura, com muita gente. Quando chego, fico até com o ouvido zumbindo. Então sinto aquela sensação de que é maravilhoso estar de volta.”

O imóvel, construído ao lado do pai e ligado a uma fase importante da vida, acabou ganhando um significado que vai além do projeto arquitetônico.

Mulher loira, com blazer cropped amarelo e saia midi preta, posa em um closet espaçoso com roupas coloridas organizadas em prateleiras e cabides
O closet da casa é o lugar onde Helena se arruma, faz sua maquiagem e grava conteúdo (Wesley Diego Emes/CLAUDIA)

“É uma casa muito especial, por isso não consigo me ver longe dela. Claro, se eu me casar de novo, quem sabe me mude, mas agora vou ficar por aqui.”

Uma casa que, para Helena, não precisa estar sempre cheia para cumprir seu papel: basta que, quando alguém chegue, encontre ali a mesma leveza que ela procura quando retorna para seu cantinho. 

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