A casa de Helena Silvarolli: decoração mistura clássico, vintage e arte contemporânea
Influenciadora abre as portas de seu lar e revela como a moda e as boas memórias inspiraram o projeto de interiores assinado por Christina Hamoui
Helena Silvarolli recebe quem chega em seu lar com a mesma energia que leva para a vida: conversa fácil, entusiasmo e vontade de fazer o outro se sentir à vontade.
Na casa onde vive há quase quatro anos, no Morumbi, gosta de receber, embora a rotina intensa faça com que isso aconteça menos do que desejaria.
O jeito caloroso de acolher aparece também nos ambientes, pensados para serem vividos, com uma base neutra de bege, madeira e tecidos claros que ganha vida em obras de arte e tons de verde. “Todo mundo que entra aqui fala: ‘Nossa, Le, isso aqui é sua cara. Te vejo em cada cantinho’”, se anima.
A identificação começou no próprio processo de criação da casa, feito ao lado da arquiteta Christina Hamoui, profissional que Helena admirava pelo trabalho com cores.
A relação com o imóvel também é familiar: ela se mudou para lá depois de se casar e, quando veio a separação, decidiu permanecer. O pai, que havia participado de toda a reforma, perguntou se ela gostaria de ficar, voltar a morar com os pais ou procurar outro lugar.
“Quero ficar porque a gente construiu isso com muito amor e carinho”, lembra. A obra levou cerca de dois anos e atravessou a pandemia. Para Helena, o primeiro dia no novo lar, quando pronto, marcou uma passagem para a vida adulta. “Foi chocante e gratificante ao mesmo tempo. Me veio o sentimento de ter dado um grande passo.”
Um caminho próprio
Embora tenha crescido em um ambiente ligado à moda, Helena não seguiu o caminho profissional esperado.
A família está à frente da marca Corello, de calçados, mas, quando chegou a considerar trabalhar nos negócios familiares, foi o pai quem a incentivou a construir uma trajetória independente: “Não, eu quero que você trace o seu caminho”, lembra sobre o conselho que carregou para a vida.
A escolha se mostrou decisiva. Em 2018, começou a publicar com mais frequência no Instagram, inicialmente looks e registros do cotidiano. O interesse dos seguidores cresceu e os pedidos para que produzisse mais conteúdo vieram naturalmente.
Uma amiga que trabalhava na agência que hoje a representa percebeu seu potencial e a incentivou a profissionalizar a atividade. Ela abriu a própria empresa e passou a trabalhar com conteúdo digital, mantendo a moda como eixo, mas ampliando os assuntos para beleza, viagens, receitas e dicas dos mais diversos assuntos para mais de 100 mil seguidores.
O trabalho, porém, está longe de se resumir às imagens publicadas nas redes. Há planejamento, negociação com marcas, produção e uma exposição constante que nem sempre acompanha o momento pessoal.
Quando se separou, por exemplo, tinha uma entrega profissional para uma grande grife no mesmo dia.
“Às vezes acontece de você não estar bem, não querer falar. Mas o que você diz para as marcas? Tchau, eu não vou fazer o conteúdo porque estou chorando? Não tem como, e sou muito responsável.”
A experiência também trouxe uma percepção mais crítica sobre o ambiente digital. “Existe muito sentimento de inveja nesse meio, muita competição, as pessoas não torcem uma pela outra. Acho triste isso, porque um profissional não anula o outro; uma pessoa não apaga a outra. Mas amo meu trabalho. Sempre falo que sou feliz no que faço.”
Aos 31 anos, ela reconhece na carreira construída fora dos negócios da família uma conquista pessoal. Parte desse repertório naturalmente atravessa a casa: está no closet, nos livros de moda e decoração, nas escolhas de objetos e na maneira como organiza os ambientes.
A quatro mãos
Christina Hamoui é a responsável pelo projeto de interiores do sobrado, enquanto Gilberto Elkis assina o paisagismo. Com a profissional, Helena encontrou espaço para combinar uma arquitetura mais clássica com elementos contemporâneos.
Os espelhos são uma das marcas mais visíveis do projeto. A moradora foi reduzindo a quantidade ao longo da obra, mas preservou o recurso em pontos estratégicos. “A Cris é fã dos espelhos, fui gostando da ideia, mas com algumas adaptações para não ficar em excesso, evitando a sensação de que tudo está se refletindo.”
Na sala, os painéis foram desenhados e recortados em formas geométricas, seguindo as proporções definidas pela arquiteta. O acabamento amarronzado também ajuda a amenizar o reflexo.
As obras de arte orientam o projeto. Helena pesquisou artistas e escolheu peças pensando em tamanhos, cores e relações com os móveis. Dois trabalhos de Fernanda Naman, amiga da família, foram presentes de casamento; as frases foram escolhidas por Helena em parceria com a artista.
No móvel-bar, uma peça da venezuelana Isabella Despujols foi criada especialmente para o espaço, com tamanho e cores definidos para conversar com o ambiente.
Na estante da sala, livros de arte e decoração dividem espaço com vasos, esculturas, objetos de vidro e lembranças de viagens. Há também peças de familiares, como um castiçal da avó, além de presentes do pai e do irmão. É o principal xodó: “Acho aquela estante é especial, porque tem um pouquinho de cada pessoa que amo ali”.
Nela, a moradora segue modificando a composição dia a dia, incorporando objetos que chegam de viagens, presentes e também descobertas.
Cor e personalidade
As cores aparecem nos objetos, tecidos, obras e móveis, enquanto as paredes permanecem neutras. O verde foi escolhido quando Helena ainda era casada, como alternativa que funcionasse para os dois moradores, e acabou se tornando o tom que melhor conversa com o restante da decoração. “Sou uma pessoa muito ‘arco-íris’”, dá risada.
“Minhas amigas falam isso. Eu já fui mais até, hoje em dia sou um pouco menos, mas achei que o verde combinou bastante com o neutro. É uma cor que entrou em sintonia com todos os elementos restantes da casa.” Essa mistura também aparece no modo como Helena se veste.
“Me defino como um mix do clássico com o vintage. Inclusive nas roupas, tenho coisas modernas, mas sempre com algo mais atemporal, um blazerzinho. Acho que sou muito essa mistura, então minha casa traduz isso. A base dela é mais sóbria, daí você vem com elementos mais modernos que dão essa quebrada.”
Na casa, essa combinação aparece em poltronas de veludo, espelhos geométricos, arte contemporânea, vasos de vidro, livros coloridos e alguns móveis antigos garimpados.
A relação entre moda e decoração fica especialmente evidente no closet: um dos quartos originais foi incorporado ao ambiente para ampliar o espaço dedicado às roupas, bolsas e acessórios. Era uma das prioridades da reforma e hoje o cômodo funciona também como espaço de trabalho.
“Eu enfatizei que precisava de um closet, e hoje é um dos lugares da casa em que mais fico. O escritório, por exemplo, nem uso. Mas o closet é o lugar onde me arrumo, faço minha maquiagem e gravo conteúdo.”
Memórias à mesa
O interesse pela casa vem da infância e passa principalmente pela avó paterna, Etty, hoje com 85 anos. Helena cresceu observando a maneira como a matriarca cuida dos ambientes e recebe a família.
Toda quarta-feira, há um jantar com os primos, e a mesa posta virou uma espécie de tradição familiar. “Sempre observei isso e refletia sobre como queria ser igual a ela quando crescesse.”
A influência da avó também aparece na relação de Helena com a mesa. Ela gosta de montar produções, guarda jogos de pratos e já fez uma colaboração com uma marca de artigos para casa. O prazer está tanto nos objetos quanto na possibilidade de criar um ambiente para receber.
Essa vocação para o encontro se estende à área externa. O paisagismo de Gilberto Elkis envolve a piscina e cria uma continuação dos interiores, com o verde como elemento de ligação. É ali que a influenciadora procura um pouco de sol quando consegue escapar da rotina.
A casa, porém, nem sempre é tão usada quanto ela gostaria. Entre trabalho, viagens, eventos, academia e amigos, Helena passa boa parte do tempo fora. Sempre que está no lar, prefere desacelerar.
“Quando estou aqui, não quero fazer nada. Quero só ficar no sofá, no celular, rolando meu feed. Eu juro, pode parecer loucura, porque já trabalho com redes sociais, mas para mim é terapêutico ficar rolando o Instagram”, ri de si mesma.
“Amo ficar de pernas para o ar, nessa salinha aqui onde estamos conversando. É isso que gosto de fazer em casa, porque não paro aqui.”
Essa rotina movimentada dá outro peso ao silêncio do imóvel. Depois de um evento ou de uma viagem, voltar para casa representa uma mudança de ritmo.
“Quando tenho evento de trabalho, é uma loucura, com muita gente. Quando chego, fico até com o ouvido zumbindo. Então sinto aquela sensação de que é maravilhoso estar de volta.”
O imóvel, construído ao lado do pai e ligado a uma fase importante da vida, acabou ganhando um significado que vai além do projeto arquitetônico.
“É uma casa muito especial, por isso não consigo me ver longe dela. Claro, se eu me casar de novo, quem sabe me mude, mas agora vou ficar por aqui.”
Uma casa que, para Helena, não precisa estar sempre cheia para cumprir seu papel: basta que, quando alguém chegue, encontre ali a mesma leveza que ela procura quando retorna para seu cantinho.
Assine a newsletter de CLAUDIA
Receba seleções especiais de receitas, além das melhores dicas de amor & sexo. E o melhor: sem pagar nada. Inscreva-se abaixo para receber as nossas newsletters:
Acompanhe o nosso WhatsApp
Quer receber as últimas notícias, receitas e matérias incríveis de CLAUDIA direto no seu celular? É só se inscrever aqui, no nosso canal no WhatsApp.
Acesse as notícias através de nosso app
Com o aplicativo de CLAUDIA, disponível para iOS e Android, você confere as edições impressas na íntegra, e ainda ganha acesso ilimitado ao conteúdo dos apps de todos os títulos Abril, como Veja e Superinteressante.
As receitas de CLAUDIA Cozinha na sua mão
Receitas práticas e saborosas para qualquer hora do dia! Seja para um ocasião especial ou até para um jantar rápido e saudável. O aplicativo de CLAUDIA Cozinha com nossas melhores receitas está disponível para iOS e Android.







