Ícone de fechar alerta de notificações
Avatar do usuário logado
Usuário

Usuário

email@usuario.com.br
Oferta Relâmpago: Claudia por apenas 7,99

O tempo de Cida

Jacqueline Resch traça paralelos entre as obras de Conceição Evaristo e Olga Tokarczuk para refletir sobre a importância do tempo

Por Jacqueline Resch
17 abr 2024, 10h51 • Atualizado em 17 abr 2024, 10h54
Coluna exclusiva de Jacqueline Resch para a Revista CLAUDIA.
Jacqueline Resch utiliza o trabalho de Conceição Evaristo para refletir sobre questões temporais.  (Dani Justus/Divulgação)
Continua após publicidade
  • Cida é criação de Conceição Evaristo. Ela vive no conto “O cooper de Cida”, no livro “Olhos D’água”, que ganhei da amiga Silvana em uma recente terça-feira, quando a convidei para um programa às cegas, certa de que não havia a menor chance de ela não gostar. Confiou em mim e nos deleitamos com Maria Fortuna entrevistando a inspiradora Conceição Evaristo, na segunda edição do “Conversas para Iluminar o Mundo”, que vem acontecendo no Manouche, no Jockey Club carioca. Que noite! Que conversa! Que beleza ouvir as histórias da senhora Conceição (quem assistiu, entenderá). Que maravilha ver como Maria preparou e conduziu as perguntas de um jeito tal que permitiu ao público tanta proximidade com a escritora!

    Cida é a personagem do conto. Ela é “portadora da urgência da vida”, programada para sempre “corrercorrer” e é assim que toca a vida, no modo maratona. Sempre inicia o seu dia fazendo um cooper na praia de Copacabana. Até que, em “uma semi desperta manhã, Cida é inundada de um sentimento pachorrento de um desejo de querer parar, de não querer ir. Sem perceber, permite uma lentidão aos seus passos, e, pela primeira vez, vê o mar”.

    Nesta emblemática manhã, “Cida lembra que é uma mulher e não uma máquina desenfreada e louca. E neste dia não somente vê o mar como o percebe também.”

    Esse fluxo de consciência no qual “Cida lembra que é uma mulher e não uma máquina” – me transportou imediatamente para o livro “A Alma Perdida”, da escritora polonesa Olga Tokarczuk, prêmio Nobel de Literatura de 2019.

    A Alma Perdida” conta a história de João, um homem que trabalhava muito, que quase não prestava atenção no tempo que passava diante de seus olhos e acabou perdido de sua alma. Buscou uma médica, uma sábia senhora que lhe dá a receita para reencontrar-se com sua alma. Cida, que surgiu para o público brasileiro em 2014, pelas mãos de Conceição, é para mim, irmã gêmea de João, ainda que este tenha chegado ao mundo pelas mãos de Olga, três anos depois de Cida.

    Continua após a publicidade

    Na manhã em que Cida se distrai e esquece das horas, ela se atrasa para o trabalho e decide, então, que não vai, “quer parar um pouco, não fazer nada de nada talvez”. E então, fala baixinho, como se fosse uma prece: “Vou me dar um tempo”.

    Tempo este que também foi necessário ao João para voltar a viver feliz para sempre com sua alma.

    Júlia Roberts também já declarou em uma entrevista que o maior luxo do mundo era ter tempo para si.

    Continua após a publicidade

    Em 1992 quando eu iniciei o MBA na COPPEAD/UFRJ, nós, alunos, fomos convidados a um exercício para pensar como utilizávamos nosso tempo. Imagino que o exercício buscava nos alertar para a necessidade de gerir bem o tempo, já que o curso nos exigiria muitas horas de estudo.

    Lá se vão anos, mas lembro nitidamente da surpresa e alegria de constatar que a colega de classe, María Elisa e eu éramos as alunas com maior % de horas dedicadas a nós mesmas, entre outras categorias de uso do tempo. Nunca tinha pensado sobre isso e creio que foi um alerta importante para jamais perder esse luxo de vista.

    Na virada de 1995 para 1996, escrevi um verso para amigos e clientes, dando as boas vindas ao ano novo:
    Dizia assim:

    Continua após a publicidade

    Dê-se tempo
    Dê-se ouvido
    Dê-se voz
    Dê-se vez
    Dê-se um feliz 1996

    Vinte e oito anos se passaram e permaneço fiel ao tempo para mim.

    Conversas para iluminar o mundo” foi um destes tempos que me ofereci numa noite de terça–feira de histórias e estrelas que clareiam os caminhos de quem as presencia.

    Continua após a publicidade

    Conheça Jacqueline Resch

    Jacqueline Resch é sócia-fundadora da Resch RH, membro do Conselho Deliberativo da ABRH-RJ , membro do Comitê Curador do RH Rio e professora do MBA em RH do IAG/ PUC Rio.

    Com formação em psicologia pela PUC – Rio, é especialista em Psicologia Clínica pelo IPUB/UFRJ, MBA COPPEAD, Certificada nas Práticas de Colaboração e Diálogo pelo Taos Institute e pós graduada em Perspectiva e Prática Profissional Generativa, Diálogos Generativos pela Universidad de Manizales, Colombia. É também Consultora Organizacional, Coach, Designer de Conversas e Facilitadora de Diálogos.

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    OFERTA RELÂMPAGO

    Digital Completo

    Moda, beleza, autoconhecimento, mais de 11 mil receitas testadas e aprovadas, previsões diárias, semanais e mensais de astrologia!
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    RESOLUÇÕES ANO NOVO

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba Claudia impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*
    De: R$ 26,90/mês
    A partir de R$ 9,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês.