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Exposição celebra riqueza do continente africano com penteados e adornos

A artista visual Íldima Lima destaca a ancestralidade na mostra virtual Negras Cabeças, que fica em cartaz até o mês de dezembro

Por Nathalie Silva (colaboradora) Atualizado em 22 jul 2021, 20h06 - Publicado em 22 jul 2021, 17h00

Quem navega pela exposição digital Negras Cabeças, idealizada pela artista baiana Íldima Lima, se depara com uma forma diferente de conhecer a cultura e história de povos do continente africano.

Por meio de penteados e adornos de oito mulheres, o público se conecta com a linguagem visual-ancestral das etnias Betsimisaraka (Madagascar), Mangbetu (Congo), Suri (Etiópia), Mursi (Etiópia), Mwila (Angola), Mbalantu (Angola), Himba (Namíbia/Angola) e Fulani (Senegal). Cada etnia com a sua particularidade, que tende a se perder nas ideias generalizadas e restritas da África. 

Para CLAUDIA, Íldima Lima diz que seu intuito é instigar as pessoas a pesquisar mais sobre as tantas culturas presentes no continente africano, que foi violentado e objetificado a partir da diáspora. 

“Acredito que as pinturas contribuem para o fortalecimento da nossa identidade a partir da representatividade no campo imagético. A arte engrossa o coro para esse chamado do resgate do que seria um referencial de beleza negra concebido em suas matrizes originais sem o embranquecimento promovido pelo processo de colonização e perpetuado pelo racismo estrutural”, destaca.

Mangbetu
Penteado representa da etnia Mangbetu |Divulgação/Divulgação

A exposição celebra e comunica visualmente a potência, a beleza e o simbolismo por meio de penteados. Para a artista, a mensagem pode ser alcançada tanto pelas pessoas negras, no sentido de evocar o sentimento de pertencimento e orgulho das próprias raízes, quanto das não-negras. Dessa forma, cria-se uma oportunidade de aproximação e reconhecimento do valor dessas tradições que não encontramos nos livros, mas que existiram e ainda resistem.

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“Minha única expectativa é que as pessoas, em especial as negras, sintam-se provocadas a sair da exposição e pesquisar mais sobre a nossa história, todos que vieram antes de nós e que, por terem sofrido diversas formas de violência, foram retirados de sua humanidade”, enfatiza. 

Game
Game interativo da exposição |Divulgação/Divulgação

Além das pinturas, a exposição ainda conta com um game, ferramenta didática e atrativa. No futuro, Íldima planeja apresentar seu trabalho fisicamente a partir de outras conexões tecnológicas. 

Digo isso muito mais no sentido de ampliar nossas vozes nesses espaços tradicionais de arte, ou seja, no sentido da representatividade, transmitindo a mensagem a outras artistas negras de que é possível ocupar galerias e museus contando nossas histórias”, motiva.

A mostra virtual está disponível no site Negras Cabeças. Para acompanhar a experiência, clique aqui.

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