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Luiza Trajano diz que chorou ao entender o que é o racismo estrutural

"Sempre achei que [eu] não era racista até entender o racismo estrutural", apontou Luiza em entrevista ao Roda Viva

Por Da Redação - Atualizado em 6 out 2020, 10h26 - Publicado em 6 out 2020, 10h25

Luiza Trajano, dona do Magazine Luiza, esteve no Roda Viva desta segunda-feira (5) e falou sobre a polêmica em torno do novo programa de trainee da empresa. Voltado a pessoas negras, o processo seletivo reacendeu, de maneira acalorada, o debate em torno do chamado racismo reverso. Há quem diga que, ao favorecer candidatos negros, a empresa estaria praticando racismo contra pessoas brancas. 

Na entrevista, Luiza voltou a defender sua iniciativa, chamando a atenção para o problema do racismo estrutural. “Temos que entender mais o que é racismo estrutural. O dia que entendi até chorei, porque sempre achei que [eu] não era racista até entender o racismo estrutural”, apontou Luiza. Sua fala diz respeito à compreensão de que todas as pessoas brancas se beneficiam do racismo estrutural presente na sociedade, por mais que não propaguem a discriminação de maneira ativa. 

Aprofundando-se no tema, ela falou a respeito da importância de promover processos seletivos que realmente impactem a vida de quem tem menos espaço no mercado de trabalho. A obrigatoriedade do conhecimento de inglês, por exemplo, é algo que dificulta muito a colocação dos mais pobres. “O inglês não precisa ter, depois eles vão ter curso para aprender”, disse ela, assumindo um posicionamento que está sendo adotado por outras grandes empresas, como Google, Bayer e O Boticário.

“Como podemos colocar mais negros se eles não aparecem? O ponto de partida já é desigual”, enfatizou, defendendo programas de trainee com recorte racial e critérios mais alinhados com a população de baixa renda. A ideia é capacitar pessoas negras para cargos de liderança – nos quais pessoas brancas ocupam a esmagadora maioria das vagas.

A empresária também frisou que o Magazine Luiza conta com um programa de bolsa de estudos voltado a funcionários de todas as etnias. Essa iniciativa funciona há mais de 15 anos na empresa. “Pagamos de 30% a 70% [dos cursos] porque as pessoas de nível mais simples não têm condições de estudar e trabalham o dia inteiro”.

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