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Como identificar um chefe narcisista no trabalho? Especialista aponta 8 sinais

Nem todo chefe difícil é narcisista, mas padrões de comportamento recorrentes sinalizam a necessidade de atenção

Por Ana Carolina Palermo 10 set 2026, 16h16
Homem de terno escuro e gravata xadrez, com expressão séria, segura um telefone fixo preto na orelha direita, olhando diretamente para frente. Ele está sentado em um escritório, com uma planta verde à esquerda e persianas brancas à direita. Uma caneca branca com a palavra WORLDS aparece parcialmente na mesa.
Necessidade constante de admiração, dificuldade em receber críticas e relações marcadas por medo ou desvalorização podem ser sinais de uma liderança com comportamentos narcisistas (Reprodução/Pinterest)
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Ter um chefe difícil, autoritário ou pouco aberto a críticas não significa, necessariamente, trabalhar com uma pessoa narcisista. Afinal, em algum momento, qualquer pessoa pode reagir mal a uma crítica ou querer reconhecimento.

O sinal de alerta aparece quando determinados comportamentos deixam de ser pontuais e passam a formar um padrão recorrente. Grandiosidade, necessidade excessiva de admiração, baixa empatia e uso das relações para preservar poder, status ou imagem são algumas características que podem aparecer nesse contexto.

“Mais importante do que rotular alguém é observar a frequência desses comportamentos, a assimetria de poder e os efeitos produzidos na equipe”, explica Edwiges Parra, psicóloga, conselheira em Gestão de Pessoas e professora da FGV-SP.

Um diagnóstico de transtorno de personalidade só pode ser realizado por um profissional especializado e não deve ser feito a parir de comportamentos observados apenas no ambiente de trabalho.

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1. A necessidade de ser constantemente admirado (a)

Mulher de blusa salmão com babados gesticula com as mãos abertas, boca aberta e olhos arregalados, expressando surpresa ou indignação. Um homem de óculos e camisa branca, com a mão na testa, parece preocupado atrás dela. Uma pessoa de costas, em primeiro plano, ouve a conversa
A necessidade excessiva de reconhecimento pode fazer com que a liderança centralize conquistas e coloque a própria imagem acima das necessidades da equipe (Reprodução/Freepik)

É natural esperar reconhecimento pelo próprio trabalho. A questão muda quando a necessidade de aprovação e admiração passa a ocupar um espaço central na relação com a equipe.

Esse chefe pode transformar resultados coletivos em conquistas pessoais, centralizar situações em torno da própria imagem e esperar uma espécie de lealdade incondicional dos funcionários.

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A falta de empatia também pode aparecer nesse cenário, principalmente quando as necessidades e dificuldades da equipe são colocadas em segundo plano diante da necessidade da liderança de preservar a própria imagem.

2. O sucesso é dele (a), mas o fracasso é da equipe

Três colegas de trabalho em um escritório moderno. Uma mulher de blazer bege mostra um documento a um homem barbudo de camisa azul, enquanto outro homem barbudo de camisa xadrez bebe de um copo de papel. Eles estão sentados em sofás verdes, com uma mesa de centro e plantas ao redor
Quando os méritos ficam concentrados na liderança e os problemas são sempre atribuídos à equipe, a relação profissional pode se tornar desgastante (Reprodução/Freepik)

Um dos comportamentos mais característicos dessa dinâmica é a apropriação dos resultados positivos enquanto os erros são imediatamente transferidos para outras pessoas.

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Na prática, o sucesso de um projeto pode ser apresentado como consequência da competência da liderança. Porém, quando algo dá errado, a responsabilidade passa a ser atribuída a suposta incapacidade, falta de comprometimento ou até deslealdade dos funcionários.

“É uma assimetria: o mérito sobe na hierarquia e a culpa desce”, resume a especialista.

Além de desgastar a equipe, essa lógica dificulta que erros sejam analisados de maneira construtiva. Em vez de servirem como aprendizado, passam a ser utilizados para “encontrar culpados”.

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3. Alternância entre elogios intensos e desvalorização

Um homem de óculos, camisa branca e gravata azul anota em uma prancheta, enquanto uma mulher loira, de blusa azul e jeans, senta-se ao fundo com expressão de tristeza, apoiando a cabeça na mão
A alternância entre valorização e críticas constantes pode fazer o funcionário duvidar da própria competência e buscar aprovação o tempo todo (Reprodução/Freepik)

Em determinado momento, o funcionário pode ser colocado em um pedestal; pouco depois, principalmente se discordar da liderança ou conquistar autonomia, passa a ser criticado ou desvalorizado.

Segundo a especialista, essa alternância pode gerar bastante instabilidade emocional. O elogio, nesses casos, nem sempre está relacionado apenas ao reconhecimento do trabalho, mas também pode funcionar como forma de aproximação e controle.

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“Essa dinâmica é reconhecida como uma alternância entre idealização e desvalorização. Isso traz muita instabilidade emocional para quem está debaixo desse tipo de liderança”, afirma.

O resultado é um profissional que nunca sabe exatamente qual reação esperar e pode começar a trabalhar em busca constante da aprovação do chefe.

4. Discordar vira sinônimo de desrespeito

Três pessoas em uma reunião, com um casal discutindo e gesticulando enquanto uma mulher em primeiro plano observa documentos. O homem usa óculos e camisa social, a mulher veste blusa rosa e tem cabelo preso, ambos expressam frustração. Na mesa, há um notebook e copos dágua
Irritação desproporcional, ironias e desqualificação podem aparecer quando uma discordância profissional é interpretada como uma ameaça à autoridade (Reprodução/Freepik)

Questionamentos e opiniões diferentes fazem parte de um ambiente profissional saudável. O problema aparece quando qualquer discordância é interpretada como afronta à autoridade.

A reação pode incluir irritação desproporcional, ironias, silêncio punitivo, desqualificação ou tentativas de descredibilizar o funcionário diante dos colegas. Também podem surgir comportamentos sutis como deixar a pessoa fora de reuniões, omitir informações importantes, retirar oportunidades ou mudar critérios repentinamente.

Para Edwiges, existe uma diferença importante entre esse comportamento e uma liderança madura: ““Ela não precisa diminuir o outro para preservar sua autoridade.”

5.  As regras mudam, e você sempre parece estar errado

Um homem de terno gesticula com a mão direita enquanto uma mulher de blazer bege, de costas, cobre o rosto com as mãos, em uma mesa com laptops e xícaras
Mudanças frequentes de orientações e negativas sobre o que foi combinado podem fazer o funcionário questionar a própria memória e percepção (Reprodução/Freepik)

O gaslighting também pode aparecer nas relações profissionais: isso ocorre quando acontecimentos são constantemente distorcidos ou reinterpretados de maneira que o funcionário comece a questionar a própria memória e percepção.

Frases como “Eu nunca te pedi isso“, “Você entendeu errado“, “Essa conversa nunca aconteceu“, ou “Você está sendo sensível demais” podem aparecer nesse tipo de dinâmica.

O chefe pode tentar alterar um prazo ou orientação e, depois, responsabilizar o funcionário por não cumprir aquilo que havia sido combinado. Quando isso se torna frequente, a pessoa perde a confiança na própria leitura das situações.

6. Seu destaque parece incomodar

Um homem e uma mulher sentados em uma mesa de escritório, ambos segurando celulares. O homem, à esquerda, com barba e cabelo preso, olha para a direita. A mulher, à direita, com cabelos longos e camisa branca, olha para cima com expressão pensativa. Há um tablet e um copo de café na mesa.
Quando o reconhecimento de um funcionário é encarado como ameaça, podem surgir tentativas de diminuir conquistas ou dificultar oportunidades (Reprodução/Freepik)

Um funcionário pode ser valorizado, enquanto seus resultados ajudam a reforçar a imagem de competência da liderança. Mas a situação pode mudar quando ele começa a conquistar reconhecimento próprio.

Nesse momento, podem surgir tentativas de reduzir suas conquistas, dificultar oportunidades ou questionar sua postura diante da equipe.

Segundo Edwiges, isso acontece porque o reconhecimento de outra pessoa pode ser percebido não como algo positivo para o grupo, mas como uma ameaça a autoridade ou a sensação de superioridade daquela liderança.

7. Você trabalha mais para evitar a reação do chefe do que para fazer seu trabalho

Homem caucasiano de barba e cabelo castanho comprido, vestindo terno preto e camisa listrada, com a mão na testa e olhos fechados, parece estressado em uma reunião de trabalho. Outras pessoas desfocadas estão ao fundo, e um laptop com gráficos aparece em primeiro plano
O medo constante de críticas e reações imprevisíveis pode colocar o profissional em estado de alerta e comprometer até sua confiança no próprio trabalho (Reprodução/Freepik)

Quando grande parte da energia passa a ser usada para prever reações, evitar críticas e escolher cuidadosamente cada palavra, o ambiente pode estar perdendo a segurança psicológica. A pessoa pode entrar em estado de hipervigilância e começar a sentir medo de errar, dificuldade para tomar decisões, ansiedade e perda de espontaneidade.

“A pessoa não necessariamente se tornou menos competente, ela pode estar tentando se defender de uma ameaça contínua”, explica Edwiges.

Esse desgaste também pode ultrapassar o expediente, com alterações no sono, sintomas físicos, queda de produtividade e tendência ao isolamento.

8. Medo, humilhação e retaliação viram rotina

Três colegas de trabalho, duas mulheres e um homem, sentados em uma mesa de reunião, parecem estressados e frustrados. A mulher negra à esquerda olha para um laptop, com a mão na testa. A mulher loira ao centro e o homem grisalho à direita também têm as mãos no rosto, demonstrando cansaço. Sobre a mesa, há um gráfico de pizza em uma prancheta e óculos.
Quando o medo substitui o diálogo e situações de humilhação ou retaliação se repetem, o problema pode ir além de um conflito profissional comum (Reprodução/Freepik)

Conflitos profissionais fazem parte de qualquer ambiente de trabalho, pessoas podem discordar sobre prioridades, ideias ou formas de conduzir uma tarefa e, em relações saudáveis, existe o espaço para diálogo e negociação.

“Quando o medo substitui a confiança e o profissional precisa silenciar continuamente para sobreviver naquele ambiente, já não estamos falando apenas de uma dificuldade de comunicação”, afirma a psicóloga.

Como se proteger desse tipo de liderança?

Para quem não pode pedir demissão de imediato, estabelecer limites pode ser uma forma de diminuir a exposição a situações de manipulação.

Edwiges recomenda tornar a relação mais objetiva, confirmar orientações e prazos por escrito e registrar decisões importantes. Depois de una conversa, por exemplo, pode ser útil enviar uma mensagem retomando aquilo que foi combinado.

Também é importante manter uma rede de apoio dentro e fora da empresa e conhecer os canais disponíveis, como RH, compliance, ouvidoria ou uma liderança superior.

Quando procurar ajuda ou considerar sair?

O apoio psicológico não precisa ficar restrito a situações de esgotamento extremo. Ansiedade persistente, insônia, crises de choro, medo intenso de trabalhar, isolamento e perda de confiança nas própria capacidades podem indicar que o problema já está ultrapassando os limites do expediente, e a psicoterapia pode ajudar a organizar os acontecimentos e reconhecer limites.

A possibilidade de mudar de emprego também pode ser considerada quando as violações se tornam recorrentes, existem retaliações, os canais internos não oferecem proteção e as tentativas de diálogo não têm resultado. Como a especialista resume, “permanecer por necessidade durante algum tempo é diferente de normalizar o abuso.”

Como reconhecer uma pessoa narcisista?

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