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Fala, leitora! Leitoras de CLAUDIA compartilham suas histórias

Diário de uma mulher de 40 anos: da Chapeuzinho à loba

Psicóloga e leitora de CLAUDIA, Daniela Cota fala sobre o amadurecimento e o encontro de dois lados da sua personalidade

Por Da Redação Atualizado em 14 set 2021, 20h56 - Publicado em 14 set 2021, 20h55

Estou me aproximando dos 40… Parece clichê dizer isso, mas de fato é uma idade que mexe com a vida de uma mulher, pelo menos com a minha. Talvez você esteja em outra fase e se identifique com o que eu vou dizer também, afinal, acredito que há uma loba e uma Chapeuzinho em cada uma de nós.

Sabe aquelas coisas que a gente escuta falar sobre “a fase da loba”, da mulher mais madura, apropriada da sua sexualidade? Tenho sentido alguns destes sintomas. Claro, tem outros sinais aparecendo também: a mudança do corpo, a necessidade de cuidar mais da saúde, um nível de energia não tão elevado como antes, mas que aponta para uma maturidade interessante… Foram anos na trilha do autoconhecimento, experimentando, quebrando a cabeça e agora eu diria que percebo uma boa bagagem de experiências para a sagacidade dessa nova fase.

Sempre tentei vestir a capa da Chapeuzinho vermelho, da menina boazinha, que leva doces para vovó… Sim, confesso que trago essa doçura em mim. E que também tive duas avós muito doces!
Ao mesmo tempo, sempre carreguei comigo uma inquietude na alma, algo que nem sei explicar direito o que é. Percebo que foi essa inquietude que me levou a buscar tanto: viagens, experiências místicas, terapias, relacionamentos, enfim…. Para chegar agora, próxima, bem próxima aos 40 anos e dar conta de me encontrar com uma espécie de lobo no meio do caminho.

Vou te contar algo… Dizem que, nas histórias, as personagens são partes de nós mesmos, da nossa própria psique. A “minha” chapeuzinho vermelho (e não por acaso vermelho, mas isso é assunto para outra hora) se encontrou no meio do caminho com um lobo, que na verdade, na minha história era uma loba.

E neste encontro, as duas, a menina e a loba se reconheceram, com um certo receio, claro. Afinal, a doçura e a selvageria às vezes não se cruzam. Houve um estranhamento inicial, a loba mostrou seus dentes, talvez sua rabugice, demonstrando não ser nada domesticável. A menina mostrou sua cesta de doces, seu olhar curioso, assustado e inocente. Aos poucos, as duas foram se olhando e começaram a se movimentar, uma em frente a outra, como em uma dança.

Dançaram por um tempo assim, olhos nos olhos, e quando menos perceberam, já estavam tão próximas que se reuniram, transformaram-se mutuamente e se tornaram uma só. E deste encontro, vejo renascer uma mulher com novos temperos: com pitadas de doçura, salpicadas de ousadia e um tanto de rabugices, mistura perfeita para uma mulher de 40 e para as próximas décadas que virão…

daniela cota
Foto/Acervo pessoal

Daniela Cota é psicóloga clínica graduada pela UFMG. Pós-graduada em Arteterapia e Facilitadora de Biodanza. Há 14 anos desenvolve cursos e encontros para mulheres, além dos atendimentos individuais, promovendo reflexões e vivências sobre o feminino na modernidade. Mineira de Belo Horizonte, adora viajar e tem muitas histórias para contar. A autodescoberta do seu próprio feminino a levou a investigar o tema e criar espaços de reflexões e transformações para outras mulheres.

 

 

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