Psicanálise, TCC, gestalt… entenda as 9 principais terapias e qual escolher
Descubra as principais abordagens terapêuticas e o guia completo para escolher o tratamento ideal, considerando suas necessidades.
A terapia é um tema cada vez mais central em nossa sociedade. Palavras como “gatilho”, “ansiedade” e “análise” migraram para as redes sociais, mesas de bar e até mesmo escritórios, e os terapeutas têm ajudado os pacientes a entenderem como lidar com os problemas que a vida apresenta.
Enquanto as experiências de sofrimento passam a ser nomeadas sob o guarda-chuva da saúde mental, cresce também a procura por acompanhamento psicológico. Mesmo quem não recebeu diagnóstico formal de depressão, ansiedade ou transtorno alimentar tem buscado apoio profissional.
Prova disso é que quase 40% da população faz ou já fez terapia, ainda que uma parcela relevante desse número tenha interrompido o tratamento por dificuldades financeiras, segundo a plataforma Doctoralia.
No momento da escolha, porém, o entusiasmo costuma dar lugar à confusão. Ao pesquisar profissionais, o paciente se depara com uma enorme quantidade de abordagens: psicanálise, terapia cognitivo-comportamental, gestalt, psicodrama, junguiana, humanista, entre outras. Cada linha apresenta fundamentos e métodos próprios.
Diante desse cardápio, surge a pergunta: qual escolher? Para te ajudar, apresentamos diferentes abordagens e, a pedido da reportagem, especialistas explicam o que considerar na hora da escolha.
Como escolher a melhor abordagem?
A escolha começa pela compreensão do momento vivido. “A pergunta não é apenas qual abordagem funciona melhor, mas qual é a sua necessidade agora”, afirma Larissa Fonseca, psicóloga clínica.
“Se a pessoa está em sofrimento agudo ou tem conflitos objetivos no trabalho ou no relacionamento, abordagens mais estruturadas e focadas em resolução breve, como a terapia cognitivo comportamental, tendem a ajudar a organizar o pensamento, regular emoções e reduzir sintomas com mais rapidez”, acrescenta Larissa.
Por outro lado, quando há inquietações mais persistentes, outros processos podem funcionar melhor. “Se a inquietação é mais profunda, com repetição de padrões, sensação de vazio, conflitos identitários, questões relacionadas à própria história e à chamada sombra, pode ser necessário um processo mais analítico e aprofundado”, diz.
9 tipos de abordagens terapêuticas e como cada uma funciona
1- Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)
Desenvolvida por Aaron Beck, a terapia cognitivo-comportamental é baseada em evidências científicas. Ela parte do princípio de que pensamentos, emoções e comportamentos estão interligados. O terapeuta auxilia o paciente a identificar e reestruturar padrões de pensamento para trabalhar uma queixa específica e, com essa mudança da mentalidade, promover mudanças comportamentais.
É amplamente utilizada no tratamento de ansiedade, depressão e transtornos alimentares, entre outras condições, e costuma ser uma das primeiras escolhas de quem inicia terapia. “O objetivo é que a pessoa identifique situações-problema, compreenda seus pensamentos e emoções e desenvolva recursos para lidar com eles”, afirma psicóloga Jaqueline Figueiredo Ferreira, do Doctoralia.
2- Psicanálise
A psicanálise foi criada por Sigmund Freud e investiga os processos inconscientes que influenciam o comportamento humano. Utiliza técnicas como associação livre, em que o paciente expressa pensamentos sem censura, análise dos sonhos e da transferência.
A teoria freudiana propõe a dinâmica entre id, ego e superego e entende o papel das experiências infantis na formação da personalidade. O processo tende a ser mais longo e profundo, com sessões frequentes. “O objetivo é tornar consciente o que é inconsciente, o que demanda tempo e regularidade”, diz Jaqueline.
3- Psicanálise Lacaniana
Formulada por Jacques Lacan, a vertente lacaniana é uma releitura da obra freudiana à luz da linguística e da filosofia. Há uma valorização da escuta do discurso do analisado, podendo haver interrupções para estimular que o paciente reflita. O tempo de sessão pode variar, com cortes realizados em momentos específicos, não necessariamente ao final de um período fixo.
4- Psicologia Junguiana
Desenvolvida por Carl Gustav Jung, a psicologia analítica propõe a existência do inconsciente coletivo, uma dimensão psíquica compartilhada pela humanidade. O processo de individuação, que busca integrar aspectos conscientes e inconscientes da psique, é muito importante aqui. A prática clínica pode envolver análise de sonhos, imaginação ativa, e exploração simbólica, com o uso de desenhos e outros recursos.
5- Terapia Gestalt
A Terapia Gestalt foi desenvolvida por Fritz Perls e entende o indivíduo como um todo integrado ao ambiente. O foco está na experiência presente, na ampliação da consciência e na responsabilização pessoal. O terapeuta pode propor experimentos para favorecer a integração de aspectos internos e a elaboração de situações inacabadas.
6- Psicodrama
Criado por Jacob Levy Moreno, o psicodrama é uma abordagem que utiliza a dramatização como instrumento terapêutico. O paciente, chamado de protagonista, encena situações de sua vida com o auxílio de outros participantes ou do terapeuta, permitindo a expressão emocional. Conceitos como espontaneidade, criatividade e papel social são centrais para reorganizar internamente os possíveis conflitos.
7- Terapia Positiva
Associada aos estudos de Martin Seligman e ao movimento da psicologia positiva, essa terapia se concentra em fortalecer recursos pessoais, virtudes e emoções positivas. Ela não foca exclusivamente na patologia, mas também busca promover bem-estar, engajamento, sentido de vida e realização. Técnicas incluem identificação de forças de caráter, práticas de gratidão e intervenções baseadas em evidências sobre felicidade.
8- Terapia Humanista
Um dos principais nomes associado a terapia humanista é Carl Rogers, criador da abordagem centrada na pessoa. Ela parte da concepção de que o ser humano possui uma tendência inata à autorrealização. O terapeuta constroi um espaço onde há empatia, congruência e aceitação, e o paciente é estimulado a alinhar suas ações a seus valores e a construir metas realistas.
9- Hipnoterapia
A Hipnoterapia utiliza o estado de transe hipnótico como recurso clínico para acessar conteúdos psíquicos e promover mudanças cognitivas, emocionais ou comportamentais. Embora práticas hipnóticas tenham sido sistematizadas por Milton Erickson no século 20, a hipnose clínica contemporânea é baseada em protocolos específicos. O transe pode auxiliar no tratamento de fobias, traumas e hábitos.
Muito importante é a relação com o psicólogo
Um dos fatores mais importantes para uma terapia é a conexão com o psicólogo. “Se não houver uma excelente conexão com o profissional, a terapia não vai dar certo. Nós chamamos isso de vínculo terapêutico. Quando existe qualquer insegurança, principalmente medo de ser julgado, você não se abre”, pontua Daiane Viana, psicóloga disponível na Doctoralia.
Também é importante considerar o próprio perfil. “Pessoas mais pragmáticas tendem a se identificar com abordagens mais estruturadas e focadas em objetivos.”
Ainda assim, muitos profissionais utilizam técnicas integrativas, adaptando recursos conforme a demanda.
“A terapia é um processo, não um rótulo teórico. Cada profissional, por mais que siga uma abordagem base, não necessariamente utiliza a mesma técnica, conduta, formato e até o tempo de sessão”, diz Larissa.
Risco de terapia da moda
No momento da escolha de uma terapia, é provável que você se depare com terapias que não possuem regulamentação, evidência e façam promessas pouco realistas. “Saúde mental não é espaço para experimentações sem critério. Sofrimento psíquico envolve neurotransmissores, padrões de pensamento, histórico de vida e, muitas vezes, traumas. Isso exige formação e ética”, diz Larissa.
“Nós temos muitas terapias não regulamentadas bastante difundidas, principalmente nas redes sociais. Quando se fala em ‘terapia de uma sessão’, ‘em 15 dias eu vou resolver esse problema’, ou terapias que prometem cura e resolução rápida, já é preciso ficar em alerta. Como alguém pode prometer algo sem nem conhecer o indivíduo, sem saber qual é a demanda dele? Mesmo que seja um grande especialista na área que se propõe a tratar, isso ainda é problemático”, acrescenta Daiane.
Outros atores importantes para se considerar
Perfil do terapeuta
Também entram na equação fatores subjetivos. Algumas pessoas ficam mais confortáveis para se abrir com profissionais de determinado gênero ou faixa etária, por exemplo. A etapa inicial de pesquisa é fundamental para alinhar expectativas.
“Quando alguém inicia psicoterapia, geralmente chega com a expectativa de ser compreendido, acolhido e ajudado a lidar com suas dificuldades, por isso é importante identificar esse profissional”, comenta Jaqueline.
Disponibilidade financeira e de tempo
Tempo e orçamento são fatores decisivos na escolha da terapia. A frequência das sessões, os honorários e a duração estimada do processo precisam ser compatíveis com a realidade de quem busca atendimento.
“Profissionais mais experientes costumam cobrar valores mais altos, mas há terapeutas mais jovens, com formação sólida e experiência clínica, que oferecem preços mais acessíveis”, afirma ela.
Assine a newsletter de CLAUDIA
Receba seleções especiais de receitas, além das melhores dicas de amor & sexo. E o melhor: sem pagar nada. Inscreva-se abaixo para receber as nossas newsletters:
Acompanhe o nosso WhatsApp
Quer receber as últimas notícias, receitas e matérias incríveis de CLAUDIA direto no seu celular? É só se inscrever aqui, no nosso canal no WhatsApp.
Acesse as notícias através de nosso app
Com o aplicativo de CLAUDIA, disponível para iOS e Android, você confere as edições impressas na íntegra, e ainda ganha acesso ilimitado ao conteúdo dos apps de todos os títulos Abril, como Veja e Superinteressante.





