Andie MacDowell: “Envelhecer é um presente”
Aos 68 anos, atriz fala sobre autenticidade e a liberdade de descobrir o que realmente importa
Andie MacDowell foi uma das personalidades que subiram à passarela do Le Défilé L’Oréal Paris, desfile anual promovido pela marca durante a Semana de Moda de Paris. O evento reuniu, em um cenário ao ar livre próximo à Torre Eiffel, nomes como Viola Davis, Jane Fonda, Eva Longoria, Kendall Jenner, entre outros. Neste ano, a iniciativa teve como tema “Express Your Worth” (“Expresse Seu Valor”, em tradução livre).
Aos 68 anos, a atriz se tornou uma das vozes mais reconhecidas na discussão sobre envelhecimento na indústria da beleza. Desde que assumiu os cabelos grisalhos durante a pandemia, ela passou a falar abertamente sobre a importância de não enxergar a idade como algo a ser escondido.
Uma carreira que atravessa gerações
A estrela começou a carreira como modelo antes de estrear no cinema em Greystoke – A Lenda de Tarzan, em 1984. Ganhou reconhecimento com Sexo, Mentiras e Videotape e, nos anos seguintes, estrelou filmes como Quatro Casamentos e um Funeral – pelo qual recebeu uma indicação ao Globo de Ouro.
Ao longo das décadas, Andie também construiu uma trajetória na televisão, com trabalhos como Maid, disponível na Netflix. Abaixo, leia a entrevista completa:
CLAUDIA: O que o Le Defilé significa para você?
É um momento muito emocionante. O conceito deste ano, de abraçar seu poder, é muito bonito. Todas temos algo autêntico em nós mesmas, e descobrir o que faz você ser você é algo muito importante. Também adoro a ideia de me conectar com outras mulheres e apoiar a irmandade entre nós. Essa mensagem pode ajudar a mudar o mundo.
CLAUDIA: Por muito tempo, foi dito às mulheres que a beleza tem data de validade. O que você gostaria de dizer para aquelas que estão com medo de envelhecer?
Envelhecer é um presente. Esse conceito de tristeza foi o que venderam para nós, mas essa não é minha experiência – me sinto melhor hoje do que em qualquer outro momento da minha vida.
Não há nada a temer, esse é um momento lindo da vida. Você tem uma clareza diferente e uma habilidade de se concentrar no que realmente importa – e isso é espetacular. Nós estamos constantemente criando muito e sei que tenho mais para oferecer.
CLAUDIA: E você é uma atriz tão poderosa. Sente que interpretar diferentes personagens mudou a forma como vê a si mesma?
É muito bonito poder viver diferentes personagens. Também sou uma leitora ávida e, quando leio algo, consigo sentir diferentes personagens. Eles me tocam profundamente e essa é a beleza de poder contar histórias. Me sinto muito grata pela minha profissão.
CLAUDIA: E você viu a Margaret Qualley construir sua própria carreira e identidade como atriz. Ela te inspira?
Minha filha tem muita liberdade que eu não tinha, porque a maneira como eu a eduquei foi diferente da maneira como fui criada. Eu sentia o julgamento da minha família, como se eu pudesse envergonhá-los ou algo do tipo – e eu disse para a Margaret nunca sentir essa limitação. O que ela faz é realmente incrível, ela é extraordinariamente corajosa.
CLAUDIA: O que é essencial para viver uma semana de moda?
Uma boa noite de sono é muito importante! Manter o otimismo, procurar momentos de alegria, viver em gratidão, estar no momento presente, meditar… Outra coisa essencial é que não estou bebendo – sinto que meu corpo funciona melhor se eu não bebo porque sou muito sensível para o álcool. Então, sem champanhe para mim!
CLAUDIA: Você é uma das mulheres que ajudou a desafiar a ideia de que os cabelos grisalhos devem ser escondidos. O que fez você decidir abraçar o cabelo natural e o que esse processo te ensinou sobre você?
Eu sempre quis ver minha mãe com o cabelo assim, mas não consegui porque ela faleceu aos 53 anos e pintava os cabelos. Mas meu pai nunca coloriu os fios. Apesar de ser um homem, eu admirava muito e achava lindo.
Na época da pandemia, eu via meu rosto e sentia que deixar os cabelos grisalhos era algo que eu realmente queria fazer. Fica bem em mim e me sinto feliz assim.
CLAUDIA: Olhando para trás, o que você mais aprendeu sobre seu poder?
O nosso poder vem da autenticidade. Todo mundo tem algo único sobre si. E não há duas pessoas iguais – aprendi o que me dá sentido e o que tenho a oferecer. E muito do que me dá sentido é o humor e o fato de ser verdadeira comigo mesma.
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