Viver com medo ou deixar de viver? A reflexão necessária para quem enfrenta a ansiedade
Liana Ferraz narra sua jornada de superação da ansiedade e a escolha de viver plenamente, enfrentando medos em vez de se privar
Medo de sentir medo. Vira e mexe, sai da minha cabeça, e vai para o papel essa frase bem clichê. E confesso que eu fico olhando e numa dúvida se a tal frase é ótima… às vezes até um breve delírio de “nossa, que frase genial”, ou se é o maior lugar comum do mundo. Bom, não importa.
Eu brinco de escrever mais rápido do que o medo. Se eu fosse deixar todos esses pensamentos entrarem, escrever ou não escrever, eis a questão, estaria eternamente com a caveira na mão, enlutada por textos mortos. Eu não escreveria absolutamente nada. Simples assim.
Tudo isso pra dizer que esses dias me apareceu a seguinte frase: coragem: ter mais medo de perder a vida do que de morrer.
Achei genial. Clichê, totalmente clichê. Nossa, não, é boa.
Uma vez ouvi de um amigo que eu estava sendo imprudente porque estava fazendo alguma coisa levemente perigosa. Ele falou: “você não tem medo de morrer?”. E eu respondi: “eu tenho muito medo de ficar a vida inteira com medo de morrer”.
Isso foi dito no auge de uma superação, ainda não total, de um quadro de ansiedade gravíssimo, em que eu realmente achava que o prédio que estava ia cair, que a mola de pilates ia partir minha cabeça ao meio e que todo e qualquer chão que passasse ia abrir uma cratera sob meus pés. Tudo, absolutamente tudo, me parecia muito perigoso.
Todos os finais que eu inventava pra mim eram catastróficos, não existia lugar seguro. É horrível viver assim. Só que, quando você tem ansiedade e está em crise, é exatamente assim que se vive.
Quando eu comecei a recuperar um pouquinho da lucidez, decidi que esse era o primeiro ponto de mudança radical na minha vida. Eu tenho que ter medo da pior coisa que pode me acontecer, que é viver com medo e deixar de viver.
Esse gatilho simplesmente fez com que eu colocasse na balança “viajar de avião ou viver com medo de viajar de avião”. Eu preferi superar o pavor tenebroso que sinto de estar no ar, achando, a qualquer momento, que tudo pode dar errado. Prefiro do que o medo perene de ficar o tempo inteiro me privando de viagens.
Outra decisão que tomei também foi a de escrever. Escrever mais rápido que o medo, lembra? Mas não só isso: escrever e mostrar.
Eu me vi lá na frente, pensando no saldo, assim, da vida, naquele momento em que inevitavelmente você vai morrer (porque esse é, spoiler, o destino de todo mundo) e pensando que fiquei o tempo inteiro imaginando finais catastróficos, ou seja, a morte da minha dignidade (que não sei o que significa), a morte da minha reputação (nem tenho uma)…
…em vez de me lançar no mundo, mostrar minhas palavras, mostrar meus textos e correr o risco absoluto de ser ridícula, mas de chegar em algum momento da vida e olhar para trás e falar: quanta coisa eu experimentei ao jogar essas garrafinhas ao mar, que encontram aí do outro lado, vocês que estão lendo, por exemplo, esta coluna.
Tudo isso é uma decisão de escolher mais acertadamente os medos. Tenho medo de dar errado, de fracassar, de avião. Mas o maior de todos continua sendo o medo de perder a vida por sentir medo.
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