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O ano de 2020 fecha um ciclo de 800 anos, nada será como antes

A astróloga cabalista Rivka Lemle conversou com CLAUDIA sobre o momento atual e as mudanças que ainda estamos vivendo

Por Ana Claudia Paixão - Atualizado em 1 jul 2020, 20h16 - Publicado em 4 jul 2020, 13h00

A busca pela transformação levou a ex-jornalista e produtora, Rivka Lemle, a mergulhar na Kabbalah, em 2003. A vertente do judaísmo que analisa a evolução da alma (e ensina a mudança pessoal por meio da elevação da consciência) tem um toque místico e religioso, mas trabalha com regras práticas e aplicáveis no dia a dia.

Para Rivka, que estuda astrologia desde os 19 anos e passou os últimos 15 anos se dedicando à astrologia cabalística, acompanhar os tempos atuais tem sido intenso.

“É importante entender que estamos vivendo uma profunda transformação e que não parou por aqui. Muita gente pergunta quando vamos voltar? Jamais vai voltar.  Teremos mudanças nos hábitos, no pensamento, na alma e na forma de agir das pessoas”, ela explicou. “Foi uma parada obrigatória”, diz na entrevista abaixo.

O mapa astral cabalístico difere em alguns detalhes do tradicional, mas basicamente a mensagem dos astros é bem parecida. O que todos estamos vivendo é o fim de uma era e nos preparando para entrar na de Aquário, que tanto ouvimos falar, mas que finalmente está batendo na porta. A virada será em 21 de dezembro desse ano, e Rivka conversou com CLAUDIA sobre o momento atual, assim como o que podemos esperar para o restinho de 2020.

Quais as principais diferenças entre a astrologia ‘tradicional’ e a cabalística?
A principal diferença é que entra Deus na equação. Não existe nada na Kabbalah que não entre a Luz do Criador e, na Astrologia Cabalística, não é diferente. O mapa em si é totalmente baseado na astrologia, é um mapa astral como qualquer um. O que muda é a interpretação. Quando a pessoa tem aspectos desafiadores não digo “você nasceu com esse aspecto e ponto”. Dou ferramentas para a pessoa melhorar e trabalhar esses pontos. Estamos aqui para evoluir e as dificuldades são justamente as oportunidades que temos para mudar.

Sendo a evolução espiritual o foco do mapa, como os astros podem ajudar nessa mudança? Estudando os aspectos mais difíceis. Os pontos fáceis são pontos de fluência, são facilidades, então é bom mostrar para a pessoa poder utilizar bem. Os pontos difíceis, as quadraturas e oposições e algumas conjunções, são pontos que às vezes emperram a vida da pessoa. Ali, sim, podemos indicar as ferramentas da Kabbalah para a pessoa se elevar acima daquela situação que muitas vezes se repete na vida.

Dentro da Kabbalah pode ser que o signo que a gente acredite ser o nosso, não seja. Quando muda de um signo para o outro?
A Kabbalah segue o calendário lunar, então, às vezes, tem diferença de dias nos calendários lunar e gregoriano. Algumas pessoas vêm com o Sol num signo no gregoriano e no lunar um signo depois, ou um signo antes. A pessoa então tem um mix das duas energias, dos dois signos. Existem aplicativos que fazem a conversão da data.

Se for o caso de que o meu signo seja outro, deveria olhar na astrologia tradicional para o outro signo também?
Sim, a pessoa tem as características dos dois signos! Meu filho é Touro pelo Gregoriano e Áries pelo lunar. Ele realmente tem as características dos dois signos.

Na astrologia tradicional se fala com frequência e receio do ‘mercúrio retrógrado’. No mapa cabalístico é igual?
Igual, mas é preciso desmistificar Mercúrio quando fica retrógrado. Ele fica retrógrado várias vezes no ano. Então vamos parar a vida nessas épocas? Claro que não!  É um momento ótimo para revisões, para algo que não ficou pronto e é uma chance de rever e refazer. Sim, pode dar uma interferência nas comunicações, como mandar um e-mail e não chegar, ter problemas em aparelhos eletrônicos e até confusão nas conversas, mal-entendidos. Mas longe de ter receio. Todos os planetas estão aí para nos ajudar na nossa evolução. Então se Mercúrio entra em movimento retrógrado, algo de bom isso tem para nós.

Há a grande conjunção de Júpiter com Saturno em Aquário, dia 21 de dezembro de 2020. Aí, sim, vamos inaugurar uma nova era!

Rivka Lemle


Na Kabbalah, cada pessoa tem seu ‘tikun’, que é o que tem que ser corrigido nessa vida, como o ‘karma’. Quais os papéis dos planetas nos tikuns de cada um?
Analisamos o tikun (correção) da pessoa através dos nodos lunares, lua negra e todos os aspectos difíceis como quadraturas, oposições e certas conjunções. É um mistura de vários fatores e não só um.

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Estamos vivendo um momento coletivo crítico e conversamos com as astrólogas Maria Eugênia de Castro e Claudia Lisboa sobre a mesma questão: houve como prevê-lo? Seria possível evitá-lo?
Sim, essa época foi prevista por vários astrólogos. Quando vinham clientes se consultar no início do ano, queriam saber se iam ter crescimento ou se o negócio ia prosperar. Eu disse para todos que seria um ano difícil, escasso e sem crescimento. Muitos astrólogos falaram dessa difícil conjunção que já estava prevista desde sempre! Agora prever que seria uma doença, isso é impossível. Podemos ver, sim, impedimentos, dificuldades e muita restrição.

Chegamos à metade do ano de 2020 com quatro meses de isolamento, indo para um novo momento ainda incerto. O que é importante aprender e mudar com tudo que estamos vivendo?
A importância é entender que estamos vivendo uma profunda transformação e que não parou por aqui. Muita gente pergunta quando vamos voltar? Jamais vai voltar. Pode voltar diferente e modificado, mas igual jamais! Teremos mudanças nos hábitos, no pensamento, na alma e na forma de agir das pessoas. Foi um grande “sacode” que Deus nos deu dizendo: “Pare gente! Pra que tanta correria? Pra que tantas viagens, tanto consumismo? Pra que? Querem chegar aonde?” E a resposta era lugar nenhum. Destruindo a natureza numa busca desenfreada do vazio. Foi uma parada obrigatória.

E quando será “a” virada?
A grande conjunção de Júpiter com Saturno, em Aquário, será no dia 21 de dezembro de 2020. Aí sim vamos inaugurar uma nova era! [de Aquário] Estamos fechando um grande ciclo de 800 anos, isso não é brincadeira. Nada será como antes.

Arquivo Pessoal/Divulgação

Nós passamos pelo solstício bem na virada da lua nova de câncer. O que podemos esperar nesse mês e o que devemos ficar atentas para mudar na nossa atitude?
A lunação do mês de Câncer é perfeita para revermos nossas emoções. Câncer é cuidar, nutrir, dar amor e carinho. Mas também fala de emoções negativas, como raiva, medo e tristeza. Não queremos sentir essas sensações. Mas para nos livrar delas temos que entender de onde elas vêm para poder eliminar de vez. Procurar entender como a raiva me serve. Quando estou com raiva e brigando estou chamando a atenção dos outros, então muitas vezes essa raiva me serve. Quando fico triste, fico fechada num casulo e me sentindo desamparada, só olho para a minha dor e não tenho tempo para olhar pro meu semelhante. Com o medo é a mesma coisa. Ele paralisa. Então, quantas vezes usamos o medo como desculpa para não avançar na vida? Esse mês é perfeito para analisar as emoções negativas e eliminá-las de forma racional, porque elas realmente atrapalham.

Causa e efeito estão praticamente instantâneos. Temos que sentir a urgência de olhar para o lado, cuidar do outro

Rivka Lemle

 

 

Já passamos por alguns eclipses lunares e o primeiro eclipse solar do ano. Qual é a influência de um eclipse e no que devemos ter atenção?
Temos que estudar onde cai no mapa. Muitas vezes não atinge nada, não pega cúspide de casa, não pega planeta nenhum e a pessoa passa numa boa.

Já tem como antecipar alguma coisa do que poderá vir com a Lua Nova de Leão?
Mais uma etapa de preparação para essa grande conjunção do final de ano de Júpiter com Saturno, em Aquário. Até lá serão meses preparatórios para isso. A verdade é que agora não existe mais ficar no meio do caminho. Causa e efeito estão praticamente instantâneos. Temos que sentir a urgência de olhar para o lado, cuidar do outro e entender de uma vez por todas que enquanto existir um ser humano sofrendo no mundo, eu não serei totalmente feliz. É nosso dever olhar para o outro pelo nosso próprio bem! Cada vez mais o consumismo, o externo e a casca perderam terreno e cada vez mais a alma, a compaixão e a gratidão por estar vivo serão a tônica da nossa vida.

 

 

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