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Gouinage: entenda a prática que proporciona prazer sem penetração

Contrariando convenções culturais, o sexo sem penetração subverte padrões machistas e explora as possibilidades do corpo

Por Kalel Adolfo 12 dez 2023, 10h02 | Atualizado em 4 jun 2026, 15h48
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Educadora sexual revela os benefícios do sexo sem penetração.  (Yana Iskayeva (Getty)/Reprodução)
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Por mais que o termo ‘gouinage’ derive da expressão gouine, que em francês significa ‘sapatão’, a prática não é exclusividade da comunidade LGBTQIAPN+. Na verdade, o gouinage nada mais é do que o sexo sem penetração, um movimento que busca explorar a eroticidade de todo o corpo (ao invés de limitar a transa aos órgãos genitais).

Em uma sociedade extremamente falocêntrica, levar o gouinage como possibilidade de prazer é bastante relevante, visto que existem inúmeras formas de reinventar a sexualidade.

Pensando nisso, entrevistamos a educadora sexual Luana Lumertz, que explica mais sobre a prática e dá dicas para encontrar prazer para além da penetração. Confira:

Gouinage: o que é?

Como dito, o gouinage é o sexo sem penetração, permitindo descobrir suas zonas erógenas através do toque, cheiros e gostos. Diferente da masturbação, que envolve apenas a fricção dos genitais, o gouinage utiliza todos os órgãos sensoriais.

Luana aponta que, por mais que tenhamos avançado em inúmeros debates acerca do sexo e sexualidade, muitas pessoas ainda rotulam o gouinage como ‘transa gay’ ou ‘transa LGBT’: “Há, inclusive, aqueles que consideram o gouinage como preliminar apenas por não ter penetração”, diz.

Todavia, a especialista afirma que, sim, o gouinage é uma prática sexual como qualquer outra: “Em nossa sociedade, temos uma cultura bastante falocêntrica. O sexo é muito heteronormativo, e só é ‘levado a sério’ quando existe a penetração do pênis no canal vaginal”, reitera.

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Toda essa influência (machista, diga-se de passagem) chega a pautar as relações homoafetivas. “As pessoas ficam focadas em saber quem é o ‘ativo’ ou ‘passivo’ da relação, como se tudo se resumisse a isso”, pontua.

Por isso, é essencial que tiremos o falo dos holofotes. “A partir daí, vamos explorar várias terminações nervosas e zonas erógenas que, ao mesmo tempo que dão prazer, saem daquele roteiro pré-determinado.”

Um benefício físico fundamental citado por Luana: a prática permite que mulheres portadoras de alguma disfunção ou dor na relação, como dispareunia ou vaginismo, experimentem um florescer da libido.

Como praticar o gouinage

Segundo Lumertz, a prática já começa a partir da preparação do ambiente: “Você pode usar uma vela de massagem para aumentar o toque sensorial e trabalhar a questão da presença, do cheiro… O importante aqui é entender que todos os sentidos merecem ser contemplados”, indica.

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A educadora sexual também recomenda explorar o corpo com bastante calma, apostando em beijos e lambidos por todas as regiões que sentir vontade: “Sinta a pele sem pressa, sem afobamento. O gouinage não precisa ‘terminar em algo’. Vai muito além disso”, declara.

Gouinage pode ser mais prazeroso do que o sexo tradicional?

Para Luana Lumertz, a resposta é positiva, visto que essa é uma prática sexual que se propõe a experimentar o indivíduo como um ‘corpo de prazer’.

“Quando cortamos essa ansiedade e expectativa de que a transa precise dar em penetração, podemos sentir muito mais prazer.”

Acione o corpo inteiro

Aqui, a educadora sexual afirma que vale tudo: clitóris, cabeça do pênis, entrada do ânus, períneo, mamilos, braços, coxas, atrás dos joelhos, pés, virilha.

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O corpo pode (e deve) ser explorado por completo a fim de chegarmos ao orgasmo sem a penetração. “Através do sexo oral, do carinho e dos toques, chegamos a um clímax intenso”, diz.

Por fim, a especialista reforça um recado importante: “Sexo é sexo, independentemente de ter penetração ou não.”

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