Fingir orgasmo faz mal para a relação? Entenda as consequências
Fingir orgasmo pode minar a intimidade do casal. Saiba como abordar o tema e resgatar a verdade sobre seu prazer
Fingir um orgasmo pode parecer, em um primeiro momento, a saída mais simples. Seja para evitar uma conversa desconfortável, encerrar uma relação sexual que já não está prazerosa ou esconder a dificuldade de chegar ao clímax, a atitude pode surgir como uma solução imediata.
Quando isso se torna frequente, porém, o que parecia uma saída fácil pode começar a comprometer a intimidade do casal. “Mesmo em relações estáveis ou de longa duração, intimidade e tempo de relacionamento não significam necessariamente liberdade para falar sobre sexo”, explica Sabrina Munno, sexóloga da Doctoralia.
Segundo a especialista, o hábito também pode criar uma percepção equivocada sobre o que proporciona prazer ao outro. “A principal consequência é que se cria uma comunicação sexual baseada em uma informação que não é verdadeira. O parceiro acredita que determinados estímulos estão proporcionando prazer e continua repetindo aquilo”, explica.
Com o passar do tempo, isso pode aumentar a distância entre o que acontece durante o sexo e os estímulos que realmente proporcionam prazer, fazendo com que a vida sexual do casal entre em um ciclo cada vez mais difícil de romper.
Quando fingir orgasmo vira um hábito
Um episódio isolado não significa necessariamente que exista um problema grave na relação. Para Patrícia Carneiro, ginecologista e sexóloga da clínica AMO, em Salvador, o sinal de alerta aparece quando fingir se torna a principal saída para evitar conversas abertas sobre sexo.
“Se ela pensa ‘se eu disser que não gostei, ele vai ficar magoado’, ‘não posso dizer que não quero’ ou ‘é melhor fingir para isso acabar logo’, precisamos olhar para a qualidade da comunicação e, principalmente, para a segurança emocional e sexual que existe nessa relação”, afirma.
Em vez de se concentrar apenas na pergunta “por que estou fingindo?”, Patrícia propõe outra reflexão: por que existe a sensação de que não é possível ser sincera sobre o próprio prazer?
“Às vezes, o problema não está no orgasmo que foi fingido, mas na falta de segurança para dizer a verdade sobre o próprio prazer”, explica. Para Sabrina, quando esse comportamento se repete, pode diminuir a satisfação sexual, transformar o sexo em uma experiência automática e até gerar ansiedade de desempenho.
Fingir pode “ensinar” ao outro aquilo que não funciona
É preciso contar que estava fingindo?
“Honestidade sexual não significa necessariamente contar tudo de maneira abrupta; significa deixar de sustentar uma dinâmica que não corresponde ao que se sente”, diz Sabrina.
Em alguns casos, pode ser mais confortável começar a conversa pelo que se deseja experimentar dali em diante, em vez de focar no que não estava funcionando até então. Frases como “tenho percebido que preciso de outro tipo de estímulo”, “quero te mostrar como gosto de ser tocada” ou “acho que podemos experimentar algumas coisas diferentes” ajudam a tirar o peso do erro e levar a conversa para um lugar de descoberta.
Patrícia segue uma linha semelhante: “Ela não precisa começar confessando o que fingiu, pode começar dizendo o que deseja construir de diferente daqui para frente.”
A especialista também ressalta que fingir um orgasmo não significa necessariamente falta de amor ou de desejo pelo outro. “Muitas mulheres fazem isso para não decepcionar, evitar constrangimento ou porque nunca aprenderam realmente a comunicar o próprio prazer”, explica.
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