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Fugir de conflitos pode destruir o seu relacionamento; psicóloga explica

Apesar de ser um mecanismo de defesa, o distanciamento frente à conflitos no relacionamento pode ser uma atitude violenta

Por Kalel Adolfo 11 set 2023, 11h32 | Atualizado em 4 jun 2026, 15h40
Evitar conflitos à qualquer custo em um relacionamento pode provocar o fim do vínculo.
Psicóloga explica por que é tão perigoso ser um "distanciador" num relacionamento.  (skynesher (Getty)/Reprodução)
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Distanciadores”: a expressão, que vem ganhando cada vez mais força nas redes sociais, se refere àqueles que fogem de quaisquer conflitos nos relacionamentos amorosos. Mas não para por aí: além de evitar discussões, essas pessoas também se fecham emocionalmente na presença de um atrito, dando o famoso gelo em seus desafetos. Será que isso é saudável? E por que alguns indivíduos recorrem ao distanciamento na hora de solucionar desentendimentos?

Para compreender a questão, CLAUDIA bateu um papo com a psicóloga humanista Paloma Gomes. Confira:

Por que ser um ‘distanciador’ é tão grave

Primeiramente, é necessário compreender que quaisquer relações — sejam amistosas, afetivas, familiares ou profissionais — são construídas a partir de muitos diálogos. Aliás, Paloma brinca que “nenhuma pessoa vem com um manual de instruções” para que possamos evitar contratempos.

Sendo assim, a especialista pontua logo de cara: “Discutir o relacionamento — a temida ‘D.R’ — serve para colocar às claras o que cada um deseja no vínculo, fortalecer a união, deixar a dinâmica mais sólida e ajustar as expectativas.” Soa essencial, certo?

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Porém, os ‘distanciadores’ — por inúmeros motivos que iremos explicar em breve — acabam não entendendo a importância do diálogo, preferindo afastar o próximo ao invés de resolver logo a questão. E por mais que a atitude possa ser um mecanismo de defesa, a psicóloga afirma que tal posicionamento é “violento”.

Ela esclarece: “O distanciamento é considerado um ‘tratamento de silêncio’ e pode ser extremamente nocivo, pois estamos concentrando todo o trabalho mental no outro. É bem diferente de precisar de um tempo para digerir uma questão. Aqui, esfriamos, tratamos a parceria de maneira ríspida e deixamos de nos comunicar. Consequentemente, colocamos um peso nas costas de quem amamos, se tratando de uma irresponsabilidade afetiva.”

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Por que os distanciadores agem desta forma

Paloma afirma que, comumente, quem se fecha frente a conflitos possui complexos relacionados à família, criação e amadurecimento. Portanto, acaba sendo muito difícil que um ‘distanciador’ identifique que está se comportando dessa maneira: “A melhor possibilidade [de mudança] é a parceria apontar o problema e a pessoa reconhecer, realizando uma autoavaliação para melhorar. Mas é imprescindível estar realmente interessado na mudança. Para isso, aconselho muito buscar ajuda terapêutica para aumentar o autoconhecimento”, diz.

Relacionamentos não são perfeitos

Segundo a psicóloga, outra causa bastante comum para que os indivíduos se fechem durante conflitos é a idealização de um relacionamento perfeito — isto é, sem brigas: “Quando olhamos para a vida, percebemos que todas as relações podem nos magoar ou serem passíveis de discussões. Então é necessário desconstruir essa romantização das relações humanas. Precisamos nos arriscar, sair desse ideal de perfeição”, declara.

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Ela dá uma dica valiosa para conseguir abraçar tal raciocínio: “Enxergue a beleza em duas pessoas, com personalidades distintas, estarem dispostas a construir algo juntas. Atritos são naturais, significam que há vida ali, que há movimento. Uma relação sem nenhum conflito está estagnada, com poucas coisas acontecendo.” Ela complementa: “Claro, não estou dizendo que a relação precisa de brigas para ser boa. Mas é bom enxergar a ternura de escolher estar juntos apesar das adversidades.”

Esteja atento à autoestima

Cultivar a autoestima é essencial para quem se fecha durante as D.Rs: “A insegurança nos coloca em um estado de raiva, onde atacamos o parceiro [seja com palavras ou silêncio] como uma forma de defesa. Conforme vamos melhorando a nossa autoestima, fica mais fácil comunicarmos ao outro aquilo que nos incomoda. Quem nos ama verdadeiramente não irá nos abandonar por sermos verdadeiras”, alerta.

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Paloma Gomes compartilha um último conselho: não devemos rotular a discussão de relacionamento como algo ruim ou sinônimo de término: “É justamente o peso que colocamos na D.R. que faz as pessoas fugirem. Porém, não se esqueça: duas pessoas, que se relacionam de maneira saudável, discutem a fim de encontrar uma solução, não um fim. Construir esse espaço de confiança e escuta é primordial”, conclui.

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