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Por que priorizamos relacionamentos amorosos acima das amizades?

Assim como relações amorosas, as amizades são fundamentais para o bem-estar e para a construção da nossa humanidade

Por Beatriz Lourenço 7 nov 2024, 08h00 | Atualizado em 4 jun 2026, 16h16
Por que não priorizamos as amizades em vez dos amores?
Inúmeros recortes sócio-culturais nos influenciam a negligenciar a importância das amizades.  (Unsplash/Reprodução)
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O novo filme do diretor Pedro Almodóvar, O Quarto ao Lado, ressalta o poder da amizade na vida de cada um de nós. Na história, Martha sofre com uma doença incurável e decide realizar a eutanásia. Nos seus últimos dias de vida, ela pede a companhia de uma amiga de longa data, Ingrid. Juntas, elas criam momentos de afeto e cuidado em meio a um turbilhão de dificuldades. 

“A amizade está presente em todas as relações. Ela tem um lugar fundamental nas nossas vidas porque é um amor escolhido e construído com raízes no diálogo e nas diferenças. É a partir disso que nos tornamos humanos”, explica a psicóloga Magda Tartarotti

Relacionamentos amorosos são tidos como ápice da felicidade

Mas, apesar de serem fundamentais para o nosso bem-estar, essas relações podem ficar em segundo plano quando comparadas aos relacionamentos amorosos. Isso porque a sociedade define esse envolvimento como o ápice da realização pessoal e fonte máxima de felicidade.

Segundo a especialista, nós fomos ensinados que quem possui um parceiro tem algo bom e se torna uma pessoa feliz, sem dificuldade. “Ele pode suplantar nossos desejos e nos salvar de necessidades e frustrações. O amigo, por sua vez, não é fonte de tanta ilusão – é mais humano.”

Essa ideia, porém, não é nova. Filmes, livros e a própria cultura popular frequentemente retratam o romance como um objetivo a ser seguido. Com isso, somos levados a acreditar que ele deve ocupar o centro de nossas vidas. Tanto que, geralmente, investimos mais tempo e energia em encontrar e manter um namoro do que em nutrir laços profundos com pessoas que estão ao nosso redor. 

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Cultura propaga ideais misóginos

“O lugar da mulher sempre esteve baseado nos critérios de servidão. Culturalmente, a família, o homem e os serviços domésticos devem vir em primeiro lugar. É por isso que, ao nascer, logo nos apresentam os contos de fada – que lembram o papel de subserviência feminina. E a concepção do amor romântico pesa no nosso papel social”, reflete Magda. 

Imediatismo e medo da solidão

Além disso, o tempo e a energia são recursos limitados, e, na tentativa de equilibrar várias áreas da vida, priorizar relacionamentos amorosos pode ser visto como mais “natural” ou “necessário”. O medo da solidão e a pressão para atender a expectativas externas também contribuem para essa escolha. 

“Quando jovens e adolescentes, precisamos estar inseridos em grupos. Mas, na fase adulta, ocorre um distanciamento por motivos diversos, como a necessidade de maior dedicação à família, trabalho e a correria urbana. É comum, mas não é recomendado. Precisamos tomar cuidado com o exílio social.”

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Essa hierarquia de valores merece ser repensada. Afinal, as amizades são relações que resistem ao tempo e às mudanças, proporcionando suporte e lealdade em todas as fases da vida.

“Nós somos seres coletivos, nos humanizamos a partir das relações. O amor é uma necessidade básica, nele está contido o cuidado. Um casal não pode ser uma fusão, ambas as partes precisam preservar sua individualidade para manterem uma boa relação”, conclui a psicóloga.

 

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