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Os livros mais esperados de 2026 que todo mundo vai comentar

Com nomes como Annie Ernaux, Conceição Evaristo e Maya Angelou, o meio literário começa o ano com grandes promessas

Por Ana Luiza Bezerra 19 jan 2026, 14h18 •
Montagem com fotos de autoras (incluindo Annie Ernaux, Conceição Evaristo e Colleen Hoover), ilustrando seleção de lançamentos literários de 2026 e livros mais aguardados do ano.
Annie Ernaux, Conceição Evaristo e Colleen Hoover (Nobel Prize - Stefan Bladh / culturadered / @celiaridleyphotos/Instagram)
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  • No início de todo ano, é natural elaborarmos metas para o crescimento pessoal ao longo dos próximos meses. E, na lista de muita gente, está o desejo de ler mais. Além de ajudar a fugir das telas, é uma forma simples de estimular o cérebro, ampliar o repertório e promover o pensamento crítico.

    E para quem já está se preparando para as próximas leituras, separamos uma seleção de lançamentos de 2026 pra você ficar de olho.

    1. Os armários vazios, de Annie Ernaux

    Esta é uma história de ruptura social. Denise Lesur tem vinte anos e é a primeira da família a frequentar o ensino superior. Os pais, proletários e com pouca instrução, pouco têm a ver com os burgueses educados e com acesso à cultura a que ela está prestes a se juntar.

    Sozinha no dormitório, enquanto se recupera de um evento doloroso, Denise reflete sobre o próprio crescimento, os sacrifícios feitos pelos pais, o estranhamento cada vez maior em relação às origens e a raiva de se perceber marcada pelo fracasso.

    Publicado originalmente em 1974, foi o primeiro romance de Ernaux e já traz sementes dos grandes temas de sua obra, como choque de classes, condição feminina e trauma, em um questionamento tenaz da identidade.

    2. Meus Amigos, de Fredrik Backman

    Romance nº 1 do New York Times, Backman está de volta com uma história ao mesmo tempo divertida e profundamente comovente sobre quatro adolescentes cuja amizade cria um laço tão poderoso que muda a vida de um completo estranho vinte e cinco anos depois.

    3. Mulher em Queda, de Colleen Hoover

    Petra Rose já foi um fenômeno editorial, mas, após a repercussão devastadora de uma adaptação de sua obra, perde credibilidade, público e até a vontade de escrever, tornando-se alvo de ódio viral. Tentando se reerguer, ela se refugia em uma cabana à beira de um lago para concluir um thriller capaz de salvar sua carreira.

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    A chegada de Nathaniel Saint, um detetive enigmático com notícias perturbadoras, desperta nela uma criatividade intensa e obsessiva.

    Conforme a escrita avança, a fronteira entre ficção e realidade se dissolve: o personagem criado por Petra se parece demais com Nathaniel e parece assumir o controle da história, levando-a a questionar o que é real, o que é invenção e até onde irá para retomar a própria narrativa.

    4. Literatura negra: uma poética de nossa afro-brasilidade, de Conceição Evaristo

    Com pioneirismo e inovação acadêmica, Conceição Evaristo produziu, nos anos 1990, sua dissertação de mestrado sobre literatura negra, falando de si e de nós em um ambiente que ainda não dava a devida importância à autoria negra, ou sequer reconhecia essas produções como literatura.

    Em Literatura negra: uma poética de nossa afro-brasilidade, a autora desenvolve o conceito de Escrevivência ao analisar poemas de autores negros dos séculos XIX e XX, com destaque para a poesia publicada nos Cadernos Negros.

    Foto de Nathacha Appanah em fundo azul, usando camisa clara, autora destacada entre os lançamentos literários de 2026 e novidades de livros internacionais
    Nathacha Appanah (@nappanah/Instagram)
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    5. O Professor De Auschwitz, de Wendy Holden

    Baseado em uma história real, o livro acompanha Fredy Hirsch, um rapaz judeu e gay que, diante da brutalidade da Segunda Guerra Mundial, assume a tarefa quase impossível de levar esperança e alguma estrutura às crianças dentro do campo.

    Ele tenta convencer oficiais da SS da importância de ambientes limpos e de um espaço mínimo para que os pequenos pudessem aprender e brincar.

    6. Ter ou não ter filhos, de Ruth Manus

    Na obra, a autora compartilha uma narrativa íntima e crítica sobre o dilema de ter ou não filhos, uma dúvida que atravessa gerações de mulheres.

    A partir da própria experiência como mãe recente, ela aborda angústias, cobranças internas e sociais, alegrias e exaustões que acompanham a maternidade.

    Mais do que um relato pessoal, o livro expõe as contradições de uma sociedade que exige mulheres empoderadas e inspiradoras, mas não oferece políticas públicas, divisão justa de responsabilidades nem condições reais de apoio.

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    7. Castelo De Vidro, de Stephen Kiernan

    Uma história emocionante sobre sobreviventes em busca de recomeço no pós-Segunda Guerra. Inspirado na vida de Marc Chagall, Asher perde a família para a guerra e vaga pelos campos devastados até chegar ao enigmático e onírico Chateau Guerin, um santuário onde ex-combatentes lidam com seus traumas ao se unirem em torno de um objetivo comum: transformar areia em vidro para adornar, com vitrais, uma catedral francesa bombardeada.

    etrato de Maya Angelou com cabelo grisalho curto e vestido preto, imagem usada em lista de lançamentos literários de 2026 e livros para ler no ano
    Maya Angelou (Divulgação/Divulgação)

    8. O coração da noite, de Nathacha Appanah

    Vencedor do Prêmio Femina 2025 (categoria principal de romance) e do Renaudot des Lycéens 2025, o livro narra a história de três mulheres vítimas de violência doméstica, entre elas a própria autora. Trata-se de um mergulho profundo em origens, feminicídio e confinamento.

    9. O Império da IA: por dentro da corrida inconsequente pela dominação total, de Karen Hao

    Uma das não ficções mais comentadas nos Estados Unidos em 2025, O império da IA narra bastidores da OpenAI, empresa pioneira no desenvolvimento de inteligência artificial e criadora do ChatGPT.

    A jornalista Karen Hao mergulha nas disputas corporativas entre bilionários do Vale do Silício e na corrida das gigantes digitais pelo protagonismo na tecnologia.

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    O livro também critica o modelo de extração de dados, matéria-prima, energia e mão de obra barata de países pobres para alimentar a busca pela chamada “inteligência artificial geral”, que visa imitar a capacidade cognitiva humana.

    10. Todas as filhas de Deus precisam de bons sapatos para a estrada, de Maya Angelou

    No livro, Maya Angelou revisita o período em que viveu em Acra, em Gana, no início dos anos 1960, quando muitos afro-americanos buscavam no continente africano uma reconexão com suas origens.

    Após passar pelo Cairo, ela seguiu para Gana para acompanhar o filho, Guy, então estudante, planejando ficar pouco tempo antes de partir sozinha para a Libéria, onde assumiria um trabalho institucional.

    Um grave acidente sofrido por ele, porém, mudou seus planos: Angelou precisou permanecer por mais tempo no país, trabalhar para sustentar a si e ao filho em recuperação e criar raízes temporárias ali, experiência que se torna o eixo do livro.

    Nesse percurso, ela reflete sobre identidade, pertencimento e maternidade, ao pensar o que significa ser negra, americana e estrangeira, enquanto aprofunda a metáfora dos “bons sapatos” como símbolo de liberdade e da possibilidade de seguir em frente, transformando a estrada em caminho.

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