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Stéphanie Habrich é empreendedora, apaixonada pelo mundo da educação e do jornalismo infantojuvenil. Fundadora do Joca, único jornal para jovens e crianças do Brasil, ela vai abordar aqui na coluna temas que interligam o contato com as notícias desde a infância e a educação, sempre pensando em como podemos ajudar nossos filhos a serem cidadãos com pensamento crítico.
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Uso excessivo de telas por crianças: a cada estudo, uma preocupação

Recentes pesquisas mostram que o aumento de tempo de exposição a telas tem causado atraso no desenvolvimento da fala e linguagem

Por Stéphanie Habrich Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
6 dez 2023, 09h00

O Governo federal abriu consulta pública para ouvir a sociedade em busca de estratégias para o uso de telas por crianças e adolescentes. A intenção do projeto, após a consulta, é reunir especialistas em um grupo de trabalho para auxiliar na elaboração de um guia oficial com orientações sobre o tema, o que deve ocorrer ao longo de um ano.

A iniciativa é positiva e – considerando a gravidade da situação – muito urgente. Segundo pesquisa do Instituto de Psicologia (IP), da Universidade de São Paulo (USP), um em cada quatro adolescentes brasileiros faz uso excessivo de jogos de videogame. 28% deles atingiram os critérios do Transtorno de Jogo pela Internet (TJI), que é classificado como doença pela Organização Mundial de Saúde (OMS). 

Aqueles que possuem o transtorno de games, como a condição foi chamada, não conseguem controlar o tempo, a frequência e a intensidade em que ficam jogando (independentemente se estão no celular, tablet ou computador) e sempre priorizam os jogos em detrimento de outras atividades. Os especialistas afirmam que o problema deve ser encarado como uma epidemia.

Já escrevi outras colunas aqui na Claudia falando sobre esse tema e me entristece ver que, a despeito do problema crescer ano a ano, nada de concreto ainda foi feito para educar os jovens e orientar os pais sobre como agir. 

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O que torna a situação ainda mais crítica é o fato de os jovens terem mais chances de ficar dependentes da tecnologia, pois o cérebro só se desenvolve completamente a partir dos 21 anos, o que faz com que tenham dificuldade para controlar impulsos e ficar longe das telas.

Uso excessivo de telas: problema é mundial

A preocupação com a questão é mundial. Em diferentes lugares do mundo o assunto vem sendo discutido. Na França, o ministro da Educação, Gabriel Attal, pediu “uma reação coletiva” ao excesso de exposição de crianças e adolescentes aos tablets e smartphones. 

Em entrevista ao jornal Le Parisien, ele apontou para o risco de uma “catástrofe na saúde e educação” após a troca de livros por tablets.

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“Estudos mostram que telas em excesso resultam em menos sono e, consequentemente, menos atenção nas aulas. Isso também causa um impacto na aprendizagem da linguagem e na leitura”, afirmou Attal.

Seu alerta veio após a divulgação dos resultados da última avaliação anual do Ensino Fundamental francês. Estudantes da sétima série demonstraram ter graves problemas no domínio da língua francesa e principalmente na leitura. E mais da metade não consegue fazer cálculos. 

Segundo os professores de lá, além do menor aprendizado, os alunos têm tido cada vez mais dificuldades de atenção, de compreensão, além de apresentar muito cansaço e desinteresse – todos esses são sintomas atribuídos ao uso excessivo de telas na infância.

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Outro país que levantou alerta em relação à digitalização do ensino foi a Suécia. O país, que chegou a substituir totalmente os livros por tablets, agora está voltando atrás e desde setembro vem tirando os gadgets e retornando com material impresso para as salas de aula.

A decisão foi tomada depois de uma pesquisa feita no ano passado revelar que 20% dos alunos não escrevem mais à mão e têm perdido a capacidade de leitura.

A cada estudo, um novo alerta

Conforme novas pesquisas vão sendo feita, mais preocupações com o uso de telas vão surgindo. O mais recente alerta vem da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF) e está relacionado ao desenvolvimento da fala.

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“No pós-pandemia vimos um aumento exagerado de casos de crianças com atraso de fala e linguagem”, diz a Dra. Mônica Guerra, que é otorrinolaringologista e coordenadora do departamento de foniatria da ABORL-CCF.

Diante da constatação, os especialistas foram atrás de estudos e artigos para entender se o problema podia ser associado à exposição exagerada a telas e chegaram à conclusão que sim.

Diferentes estudos mostraram um déficit de desenvolvimento em crianças excessivamente expostas a telas. Um dos domínios mais afetados é da fala e linguagem.

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“O uso de tela também atrapalha a criança na hora de lidar com situações e lugares diversos, em que ela precisa ter o que chamamos de flexibilidade de pensar e se adaptar dependendo da situação”, disse Mônica.

A partir das descobertas, a associação divulgou recentemente um material sobre o uso de telas na infância e adolescência. Entre as recomendações estão: até 2 anos de idade nada de telas; entre dois e seis anos, no máximo 1 hora por dia; acima de 6 anos, uso limitado desde que garantido o tempo gasto com atividades físicas, sociais e sono. O documento completo está disponível neste link. 

Joca e TINO em papel

Sempre encarei com preocupação esse excesso de tempo que as crianças e jovens vêm ficando diante das telas, tanto que em 2011, quando fundamos o Jornal Joca, fiz questão que ele fosse impresso.

Acredito que o contato manual com o papel estimula mais o hábito da leitura. O mesmo aconteceu quando criamos o TINO Econômico, jornal para adolescentes sobre economia e finanças. 

Também temos os sites dos periódicos, que são atualizados diariamente, mas não queremos deixar de oferecer o papel, porque acreditamos que é importante esse contato para o desenvolvimento dos jovens e adolescentes.

Se você também se preocupa com esse tema, participe da consulta pública. Esta é uma questão que só será resolvida se estivermos todos juntos, remando na mesma direção.

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