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Dia Nacional da Mata Atlântica: 7 fatos essenciais para entender o bioma

Mesmo com uma variedade impressionante de espécies animais, vegetais e aquáticas, a Mata Atlântica continua sendo um dos biomas mais desmatados do país

Por Kalel Adolfo Atualizado em 26 Maio 2022, 15h05 - Publicado em 27 Maio 2022, 08h37

Nesta sexta-feira (27), celebramos o Dia Nacional da Mata Atlântica. Portanto, que tal entender por que este bioma é tão essencial para o Brasil? Talvez você não saiba, mas esse é o único ecossistema que possui leis de proteção específicas. Outros biomas como o cerrado, o pantanal e a própria Amazônia são resguardados pela constituição de 1988, mas ainda não contam com legislações exclusivas. Saber disso já nos dá uma ideia do quanto a Mata Atlântica é imprescindível para a nossa qualidade de vida.

Mesmo assim, isso não impediu que 21.642 hectares desta floresta fossem destruídos entre 2020 e 2021. Os números assustadores representam um aumento de 66% no desmatamento em apenas um ano. “Minas Gerais bateu recorde de desflorestamento, e é lá onde estão as nascentes das principais bacias hidrográficas que abastecem a região sudeste e o Distrito Federal. Com isso, sofremos com a diminuição na retenção das chuvas e a redução do volume de água nos rios”, aponta Malu Ribeiro, diretora de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica.

Porém, a influência do desmatamento no ciclo das chuvas é apenas a ponta do iceberg: caso não lutemos por este ecossistema, poderemos provocar novas epidemias e acelerar a extinção de espécies animais e vegetais importantes. A seguir, explicamos tudo isso:

1. Qual é a dimensão da Mata Atlântica?

Embora seja o bioma que carrega as raízes do nome de nosso país — por conta do Pau-Brasil, espécie nativa da Mata Atlântica — Malu afirma que poucos conhecem a verdadeira dimensão dessa floresta: “Ela passa por 17 estados, atravessando o Brasil de Norte a Sul. A sua cobertura original era de 1,3 milhões de km quadrados, mas, hoje, temos apenas 12,4% de vegetação remanescente”, alerta.

2. Biodiversidade da floresta

Prepare-se para ficar chocada: de acordo com Malu, a floresta conta com 16 mil espécies de plantas — sendo oito mil delas endêmicas —, 200 espécies de répteis, 922 espécies de aves, 289 espécies de mamíferos — incluindo o icônico mico-leão dourado —, 350 espécies de peixes e 370 espécies de anfíbios. “A Mata Atlântica possui uma mega biodiversidade. Infelizmente, 60% dessas espécies estão ameaçadas de extinção.”

3. Por que a Mata Atlântica é um dos biomas mais devastados do país?

Antes de qualquer coisa, a especialista reitera que precisamos entender que a Mata Atlântica ocorre onde moramos: “Ela não está distante das pessoas, pois vivemos em seus domínios. Se este bioma passa por 17 estados, isso significa que ele é recortado por 3429 municípios. Logo, 72% dos brasileiros vivem na Mata Atlântica. Ela está em nossas casas e ruas. Então, quando você tem as principais capitais do país dentro da floresta, é possível começar a entender o que enfrentamos hoje.”

Contudo, as origens deste ciclo de destruição começam há séculos: “Precisamos voltar para 1.500, quando o Brasil foi descoberto. O extrativismo provocado pelo Pau-Brasil deu início a esse desmatamento desenfreado. Depois, no século XVII, o café e a cana apenas intensificam o desflorestamento. E por último, no século XXI, a urbanização acelera a perda da floresta. Agora, estamos vivendo na década da restauração dos ecossistemas, justamente pela emergência climática que estamos enfrentando”, esclarece.

4. Mata Atlântica e as chuvas

A diretora de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica afirma que a floresta é a responsável por manter o equilíbrio do clima e do ciclo hidrológico. “É uma floresta que depende da água, e a água depende da floresta. Quando o desmatamento acontece, temos mais chances de passar por secas severas e períodos de estiagem intensa. Aí acontecem as queimadas, que acabam levando várias espécies a serem quase ou completamente extintas.”

Para exemplificar, Malu pontua que as árvores gigantes — ou jequitibás rosas — são espécies que levam mais de meio século para crescer. Portanto, com o desmatamento, as chances de se recuperarem e sobrevirem às próximas décadas são bastante escassas.

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“Também não podemos esquecer de citar o aumento no nível do mar, as erosões costeiras e a pressão por ocupação como fatores que prejudicam o bioma. Esse ecossistema segura encostas e garante a reprodução e manutenção de espécies que estão ligadas à nossa cultura e alimentação”, compartilha.

5. Desmatamento altera o clima e provoca o surgimento de doenças

O desmatamento da Mata Atlântica potencializa o aumento das temperaturas através das temidas ilhas de calor. E para piorar, a perda desta vegetação também facilita o surgimento de novas epidemias: “Quando ocorreu o dano ambiental na Bacia do Rio Doce — por conta do rompimento da barragem da Samar, que trouxe aquela avalanche de lama — o rio ficou sem vida. Isso favoreceu a proliferação dos insetos que trouxeram a febre amarela para cá. Quando provocamos o desflorestamento, isso acontece”, alerta a profissional.

6. Agricultura na Mata Atlântica

A especialista explica que a agricultura possui influências conflitantes na Mata Atlântica: “Por um lado, há uma pressão pelo desmonte da legislação ambiental. Aliás, na região nordeste, existe uma grande ameaça de destruição por conta da expansão da monocultura em áreas florestais”, aponta.

Mas por outro lado, Malu afirma que os agricultores também são os principais parceiros dos ambientalistas quando o assunto é a restauração do bioma. “Se caminharmos para a agricultura de baixo carbono, que cumpre o código florestal brasileiro, podemos recuperar as matas que protegem as nascentes dos rios e as encostas, que são áreas de preservação permanente”, clarifica.

Ela declara que, se não fosse por alguns setores do agronegócio, os ambientalistas não teriam áreas para restaurar. “Hoje, a bancada do agro tenta anular a legislação, mas eles não representam a agricultura moderna brasileira. É uma posição atrasada. Temos até embargo econômico por caminharmos na contramão da história.”

7. Abrace a causa

Agora que você já entendeu um pouco da importância deste bioma, é hora de agir. “Em primeiro lugar, precisamos entender que estamos em ano de eleição. Então, quando chegar o momento de escolher candidatos, vote pela Mata Atlântica. Vote em pessoas que tenham um real compromisso com a defesa do meio ambiente. Essa conscientização já ajuda bastante”, indica.

Outro passo importante é participar de ações voluntárias: “A SOS Mata Atlântica tem uma grande rede de voluntariados que atua na restauração, plantio das florestas, coleta de sementes e na sensibilização da população. É essencial frequentar parques e áreas verdes para aumentar a nossa educação ambiental. Isso faz bem para a saúde e ajuda na conservação, pois passamos a ser agentes. Quando conhecemos a natureza, conseguimos ajudá-la bem melhor”, conclui.

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