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Uso e significado do espelho na decoração

Além de refletir a imagem humana, os espelhos ampliam espaços, criam janelas ilusórias e multiplicam a luz natural ou artificial

Por Redação M de Mulher 15 abr 2012, 21h00 | Atualizado em 16 jan 2020, 14h56
Reportagem: Leusa Araujo  – Edição: MdeMulher
Reportagem: Leusa Araujo - Edição: MdeMulher (/)
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Os espelhos criam uma janela a mais no ambiente, trazendo a luz de fora
Foto: Getty Images

Elaine Rabinovitch, psicóloga social e autora da tese “Vitrinespelhos-Brasil”, sobre o modo de morar e os ornamentos das casas populares brasileiras, defende que os objetos da casa não só retratam como conduzem mudanças no comportamento e nos valores.

Nesse sentido, o espelho pode sair de um lugar meramente decorativo, ou da herança chique aristocrática – associada aos valores tradicionais e aos bons modos -, para atuar como elemento transformador do espaço, pois dialoga com portas envidraçadas, aumenta a refração da luz, multiplica seu lado brilhante, oferecendo novas possibilidades.

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Os jogos de espelhos podem ter várias funções. Basta colocá-los em posições estratégicas para promover uma verdadeira revolução:

· Criar uma janela a mais no ambiente, trazendo a luz de fora;

· Transportar a paisagem externa para o ambiente interno (jardim, piscina);

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· Criar ilusão de amplitude em pequenos espaços ou de continuidade de um ambiente (no final de um corredor, por exemplo).

Contra o mau-olhado

É na entrada da casa, de preferência no hall, bem de frente para a porta, que inúmeras tradições recomendam a colocação do espelho como guardião. Como se as forças maléficas não pudessem atravessar a face brilhante, o vidro gelado do espelho.

Houve um tempo em que os pesquisadores e místicos acreditavam que a luz saía do olho humano e iluminava os objetos, portanto o olhar era capaz de emitir maus fluidos.

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Como são feitos os espelhos

As primeiras imagens refletidas foram obtidas no Egito e na Grécia antiga, com polimento de ouro, prata e bronze. Assim foi até o século XIV, quando os artesãos da cidade portuária de Veneza, na Itália, descobriram a técnica de produção de espelhos a partir de chapas de vidro e cristal, cobertas com estanho ou mercúrio. Os segredos dessa arte eram guardados a sete chaves e os artesãos trabalhavam sob vigilância.
Os espelhos móveis venezianos, tão caros quanto joias, rechearam os grandes castelos e salas da aristocracia até o século XVIII. Além de decorativos, eram símbolos de riqueza e ostentação.

No Brasil, os espelhos eram produzidos até há bem pouco tempo artesanalmente, de vidro, pois o cristal era caríssimo, importado da Bélgica. “A diferença entre vidro e cristal depende da quantidade de chumbo adicionada na fabricação da chapa – quanto menos chumbo, mais puro é o cristal. A face brilhante é feita à base de nitrato de prata. Para reconhecer a qualidade do espelho é preciso olhar na diagonal: o vidro produz ondulações e o cristal é totalmente plano, sem distorções”, explica José Seixas, artesão de uma tradicional vidraçaria, instalada há anos em São Paulo.

Restaurar não compensa

Preços baixos e grande variedade de modelos industrializados desencorajam a restauração desses objetos e raramente compensa dar um novo banho de prata numa peça muito danificada.”É impossível corrigir manchas antigas que já penetraram na superfície do vidro”, diz o artesão.

A única maneira de garantir a durabilidade dos espelhos é mantê-los longe da umidade. Por isso, os de banheiro têm vida mais curta. A garantia de qualidade fica por conta da tradição do fabricante.

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