Lugar de mulher é na cozinha. E na sala, no escritório, no jardim, no parque, na Nasa, no canteiro de obras, na direção de um táxi (sem ser chamada de “dona Maria”), da família ou de uma empresa.
Lugar de mulher é em todo lugar. E de homem também – inclusive na cozinha. A questão é menos onde, e mais como e para quê.
Às vezes queremos estar em mais de um lugar ao mesmo tempo: dando um gás na carreira e acompanhando de perto o crescimento dos filhos, em casa. Ou queremos estar de um jeito diferente nos lugares de sempre: na cozinha, sem a obrigação de preparar todas as refeições da família, mas curtindo o prazer de fazer algo especial de vez em quando. No trabalho, tendo tantas oportunidades e no mínimo a mesma remuneração que nossos colegas homens.
Para mim, a grande questão é sair do modo oposição: homens contra mulheres, mães que trabalham versus mães que ficam em casa etc. e tal. Não é preciso que os homens percam para a gente ganhar – horizonte, liberdade, respeito.
Para que possamos estar plenamente no mercado de trabalho, as corporações devem mudar não apenas para “acomodar” nossas “necessidades especiais” com creches e horários flexíveis. Mais do que isso, nossos homens devem poder dizer a seus chefes que vão sair mais cedo para pegar os filhos na escola ou levá-los ao dentista. Para estarmos inteiras em casa, as “donas de casa” não podem ser vistas pela sociedade (e pelas outras mulheres) como menos capazes, menos interessantes, cidadãs de segunda categoria.
O ismo que pode nos fazer feliz é um movimento da sociedade para que todos possam estar em todos os lugares. Cada um onde quiser.
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