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Criança pode ser vegetariana?

Duas especialistas defendem seu ponto de vista sobre essa polêmica questão

Por Vanessa de Sá (colaboradora) 18 ago 2015, 09h34 | Atualizado em 28 out 2016, 21h24
iStock/Thinkstock/Getty Images
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SIM

Se houver um planejamento adequado, a alimentação vegetariana pode ser saudável e prevenir diversas doenças, além de atender à demanda nutricional da criança. A Associação Dietética Americana e a Academia Americana de Pediatria analisaram vários estudos que comparam o desenvolvimento de crianças vegetarianas com o de crianças onívoras, ou seja, que comem todo tipo de alimento, e concluíram que as dietas vegetarianas não muito restritivas e bem concebidas promovem crescimento normal. Esses estudos indicam ainda que ela pode trazer benefícios na prevenção e no tratamento de sobrepeso, hipertensão, diabetes e até câncer, já que apresentam alta quantidade de substâncias antioxidantes, como vitaminas E, A, C, K, fibras e fitoquímicos presentes em frutas, verduras e legumes.

Assim como qualquer dieta tradicional, as vegetarianas podem ou não ser adequadas do ponto de vista nutricional. Isso vai depender da qualidade e da quantidade dos alimentos que compõem o cardápio. Por isso, ela deve ser programada cuidadosamente para que forneça quantidades adequadas de calorias, carboidratos, gorduras, proteínas, vitaminas e minerais, principalmente para as crianças que, em fase de crescimento e desenvolvimento, têm necessidades maiores do que os adultos. Na oferta diária de comida, o ideal é que seu filho receba alimentos variados, saudáveis, balanceados e coloridos, reduzindo as chances de deficiências, já que muitos itens são excluídos. Seja a criança vegetariana ou não, equilíbrio é tudo.

Elaine Cristina Rocha de Pádua é proprietária da DNA Nutri, consultoria nutricional, e autora do livro O Que Tem no Prato do Seu Filho? – Um Guia Prático de Nutrição Infantil para Pais (Alles Trade)

NÃO

Conforme o tipo da dieta vegetariana adotado, a criança pode ter deficiência das vitaminas B12 e D, de cálcio, selênio, cobre, ferro, zinco e de proteínas; baixa ingestão de gordura saturada e colesterol; e excesso de ingestão de carboidratos, fibras dietéticas, magnésio, potássio, folato, antioxidantes (como vitaminas C e E) e fitoquímicos. As fibras e os fitoquímicos interferem na absorção do ferro e do zinco. As gorduras presentes na carne e no leite (com destaque para o ômega 3 e o colesterol) são importantes no primeiro ano de vida. Elas ajudam no desenvolvimento do sistema nervoso periférico, que possibilita o desenvolvimento neuromuscular (por exemplo, sentar e andar), na manutenção das membranas celulares de todo organismo e também no metabolismo das vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K), e na síntese de hormônios.

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Além da carne, do leite e dos ovos serem as principais fontes de ferro, zinco, cálcio, vitamina D e B12, esses alimentos também são mais bem aproveitados pelo organismo (a chamada biodisponibilidade). A falta desses nutrientes levará ao aparecimento de anemia, raquitismo e até predisposição a infecções, uma vez que também têm papel importante no sistema imunológico. Nos casos em que se tenta substituir esses alimentos por vegetais, a quantidade ingerida deve ser muito maior, devido à baixa biodisponibilidade, e nem sempre a criança consegue consumir tudo. Em pediatria, o melhor suplemento são mesmo os alimentos, que o organismo absorve na medida certa e está pronto para se livrar dos nutrientes em excesso.

Virginia Resende Silva Weffort é pediatra nutróloga, professora da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (MG) e autora do livro Nutrição em Pediatria – da Neonatologia à Adolescência (Manole)

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