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Como superar a frustração em 6 passos

Esse sentimento não precisa ser incapacitante; aprenda como transformá-lo em força motriz para perseguir objetivos

Por Gabriela Teixeira (colaboradora) - Atualizado em 17 fev 2020, 15h03 - Publicado em 30 jul 2019, 12h26

Tem sempre aquele dia em que a lista de tarefas é grande e você não consegue completar nenhuma. Há também situações mais simples em que dá tudo errado. Você vai ao supermercado, por exemplo, para comprar itens específicos e não encontra nada ou prepara uma surpresa para o parceiro e ele descobre.

O fato é que voltar para casa sem ter alcançado as expectativas gera um sentimento bastante familiar a todos nós, o de frustração. “É um estado que acontece quando nos sentimos contrariados”, define a neurocientista e psicopedagoga Adriana Fóz, que acaba de lançar um livro sobre o tema, Frustração (Benvirá).

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Vítima de um acidente vascular aos 32 anos, Adriana precisou se esforçar muito para vencer as sequelas. Aprendeu a lidar com a decepção e, de sua vivência, tirou o conceito de plasticidade emocional, o resultado do treino consciente de competências emocionais em prol da superação. Essa transformação de algo tão penoso em força motora é a lição que ela entrega em sua publicação e aqui.

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1. Racionalize

Melhor do que superar a frustração é não ter que enfrentá-la. Parece difícil, mas é, sim, possível precaver-se para não sofrer depois. Essa blindagem Adriana reconhece como a habilidade em identificar situações com potencial frustrante. É necessário saber ponderar.

Diante de decisões importantes, tire um momento para analisar a conjuntura de vários ângulos com seus prováveis desdobramentos. Se as consequências parecerem pouco favoráveis, desenvolva estratégias para alterar a rota e faça mudanças. Leve em consideração experiências anteriores e tenha um plano B mesmo após fazer sua escolha.

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2. Dose as expectativas

A origem de alguns desapontamentos está em querer muito e receber pouco. De modo inconsciente, projetamos nossos desejos nos outros ou na vida em geral, mesmo que no fundo saibamos que nem tudo acontecerá do jeito que idealizamos.

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Para evitar cair na armadilha de construir castelos de areia, foque no que há de concreto, realizável e está a seu alcance, ainda que isso exija muita espera, lentos avanços e até retrocessos. Se for uma pessoa impaciente, invista em atividades que exijam calma, como pilates e meditação. E saiba que de forma alguma ser comedida implica adotar uma postura pessimista. “Ser otimista não tem nada a ver com ter expectativas; então precisamos desvincular. É, na verdade, um exercício diário para manter a esperança de que tempos melhores virão, apesar de coisas ruins acontecerem”, ensina Adriana.

3. Cultive a empatia

Como criaturas sociais que somos, estamos a todo momento criando laços com aqueles que nos cercam. E, para que as conexões se desenvolvam plenamente, é fundamental que haja comunicação. Exercer essa ferramenta de modo efetivo, porém, não é tarefa simples. Não podemos adivinhar o que o outro pensa, mas devemos perguntar.

Uma vez cientes dos sentimentos e anseios de quem está ao nosso lado, ganhamos a chance de enxergar uma situação por nova ótica. Essa atitude nada mais é do que a empatia em ação. Observe, pergunte, escute e, principalmente, tente se colocar no lugar do próximo. “Ao compreender as necessidades do outro, fica mais fácil entender por que a situação não aconteceu do jeito que imaginávamos”, diz Adriana.

4. Controle a autocrítica

Adriana explica que, por questões socioculturais, tendemos a lidar com erros de maneira punitivista, sobretudo quando se trata de nossas falhas. Isso nos condiciona a uma constante autocrítica. Quando não cuidada, essa característica poda potenciais habilidades que seriam bem desenvolvidas. Diante de uma frustração, em vez de assumir o papel de próprio carrasco, procure olhar para si mesma com a compreensão que usaria com outra pessoa em igual circunstância – hora de se lembrar da empatia.

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Getty Images
Getty Images/Reprodução

Castigar-se rigorosamente não fará o problema desaparecer e impedirá que você foque em atitudes mais importantes, como encontrar meios de superar obstáculos. Canalize a energia que gastaria se martirizando e direcione-a para momentos de autocuidado. “Contemplar-se com um olhar gentil é tão importante quanto a gentileza direcionada ao outro”, conclui a autora, na obra.

5. Reconheça seus esforços

Apesar de ser triste e frustrante não alcançar um objetivo, é preciso reconhecer a hora de parar de tentar. Evite procurar motivos ou justificativas, deixe de insistir. Há coisas que simplesmente não dão certo. Para que a decepção não tenha um efeito paralisante, volte sua atenção para o caminho percorrido até ali.

Pense em tudo que aprendeu, em quanto se desenvolveu, na força que demonstrou ao perseverar e não desistir diante da primeira adversidade. Conscientize-se de que fez tudo o que podia e valorize a jornada. Ela pode ser tão recompensadora quanto a conquista. Uma competência muito útil nesse momento é a gratidão.

Tão em voga quanto a empatia, essa palavra representa a capacidade de saber apreciar aquilo que temos, independentemente do que nos falta. Quando bem treinado, esse sentimento diminui a sensação de derrota e pode até servir para impulsionar novas tentativas. Para alcançá-la, não há mistério. Simplesmente tenha um olhar atento para diversas situações durante o dia e tire intervalos para agradecer pelo que tem ou conseguiu fazer.

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6. Seja flexível

Na física, resiliência refere-se à capacidade de um corpo retornar à sua forma natural após passar por alguma deformação. Na neuropsicologia, trata-se da habilidade que uma pessoa tem de se fortalecer enquanto enfrenta uma situação adversa. É uma competência indispensável para perseguir objetivos e conviver em sociedade.

“Torna-se essencial em qualquer situação, pois implica uma reformulação de valores e estruturas”, afirma a autora. Olhar para atitudes e decisões sem julgamento e mesmo assim repensá-las é um caminho. O importante é manter-se aberta às mudanças.

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