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As “poses de poder” podem te ajudar a se sentir mais confiante

A colunista Cynthia de Almeida conta como funcionada essa técnica de linguagem corporal estudada pela professora de Harvard Amy Cuddy.

Por Cynthia Almeida
15 nov 2016, 08h56 • Atualizado em 15 nov 2016, 08h56
 (ismagilov/ThinkStock)
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  • Sabe aquele gesto de erguer os braços para festejar uma vitória? Ou a postura de quem se sente dona da situação, de levantar o queixo, manter a coluna ereta e colocar as mãos na cintura? Esses e outros trejeitos, reações típicas em momentos positivos, foram chamados de “poses de poder” pela psicóloga e professora de Harvard Amy Cuddy. O interessante é que essas posições, mesmo se praticadas fora de contexto, por dois minutos, são capazes de enganar o cérebro e fazer você se sentir empolgada, segura e confiante.

    Cuddy ficou mundialmente conhecida ao revelar o resultado de sua pesquisa em um TED (série de conferências internacionais destinadas a disseminar ideias bacanas). Seus estudos demonstraram a lógica por trás da teoria: ao levantar os braços em comemoração, o cérebro provoca uma descarga de testosterona (hormônio da dominância); ao mesmo tempo, restringe a produção de cortisol (hormônio do stress) e diminui a sensação de nervosismo. Ou seja, você realmente se sente vitoriosa e menos intimidada. A técnica tem ajudado muita gente a enfrentar acontecimentos estressantes, como entrevistas de emprego, falas em público ou reuniões difíceis.

    Pessoalmente, testei diversas vezes essa pose de mulher maravilha e aprovei! Quem já é fã do método pode agora conhecer mais sobre as pesquisas de plasticidade cerebral da psicóloga no livro que ela acaba de lançar no Brasil, O Poder da Presença (Sextante, 39,90 reais). Um dos capítulos trata de um aprendizado tão simples e eficaz quanto esse exercício de “fingir até ser verdade”: pequenos ajustes que levam a grandes mudanças. É muito mais fácil e natural para a mente incorporar atitudes menores, às quais Cuddy chama de autocutucões, do que se impor metas ambiciosas de transformação.

    Não dá para prometer, por exemplo, que, a partir de hoje, você vai deixar de ser tímida e se tornar uma pessoa extrovertida. “É assim que a coisa funciona”, escreve ela. “Em cada situação desafiadora, encorajamo-nos a nos sentir mais fortes, a transpor as muralhas do medo. É dessa experiência que nos lembraremos quando estivermos diante da próxima circunstância semelhante.” Segundo a psicóloga, nosso foco deve estar no processo, e não no resultado. É o comportamento atual que mudará o futuro e, para isso, precisamos de nanoinvestimentos, que vão, lenta e gradualmente, moldando nosso cérebro.

    Os cutucões são eficazes por diversos motivos. O principal é que exigem pouco esforço e, portanto, têm adesão mais garantida. E, depois, como os resultados esperados não são imediatos, não se tornam fonte de ansiedade ou frustração. O exemplo pessoal que a autora dá é estimulante. Ela conta que costumava reagir imediatamente diante de qualquer turbulência sem parar nem para respirar ou para raciocinar. “Quando tentava corrigir um problema instantaneamente, daquela forma atabalhoada e nervosa, nunca ficava satisfeita com minha ação. Não chegamos a lugar nenhum decidindo mudar tudo exatamente agora. Vamos aos poucos, passo a passo. Aprendi que precisava me cutucar para desacelerar e também para me fixar menos no resultado. Toda vez que me chamava atenção, criava uma lembrança, um registro daquilo, que poderia acessar na próxima vez que entrasse em pânico.” Hoje, Cuddy sabe que até não fazer nada já é alguma coisa. E isso pode ser muito bom!

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