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Crianças precisam de skincare? Dermatologista explica os riscos dos excessos

Especialistas alertam para os riscos de crianças aderirem a rotinas propagadas nas redes sociais

Por Ana Luiza Bezerra 26 out 2026, 18h00
Menina sorridente, de roupão branco e toalha na cabeça, segura um pincel de maquiagem laranja e um espelho de mão, em ambiente claro com planta desfocada ao fundo
A busca por uma pele perfeita chega cada vez mais cedo, mas dermatologista alerta para riscos físicos e emocionais do excesso de produtos (Magnific/Reprodução)
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Sérum anti-linhas finas, redutor de poros, cremes para diminuir olheiras… Nas redes sociais, são inúmeras as recomendações de rotinas de skincare para alcançar a tão sonhada pele perfeita. Só que todos esses passos vêm ganhando um novo público: crianças e pré-adolescentes.

Séruns, ácidos, máscaras e diferentes etapas de cuidado aparecem cada vez mais cedo nas rotinas compartilhadas nas redes. Mas reproduzir o ritual de um adulto não significa, necessariamente, oferecer à pele o cuidado que ela precisa.

“A pele infantil tem características próprias e não precisa de uma rotina sofisticada para ser saudável. Em geral, os pilares são higiene adequada, hidratação quando necessária e fotoproteção. Nessa idade, o objetivo não é tratar rugas, estimular colágeno ou fazer ‘anti-aging’, mas preservar a barreira cutânea”, explica Lara Fileti Arruda, dermatologista do Hospital São Francisco de Mogi Guaçu.

Nessa fase, em que o corpo ainda está em desenvolvimento, os cuidados excessivos com a pele podem acarretar até mesmo riscos físicos, como irritação, ressecamento, descamação, ardência e comprometimento da barreira cutânea. “E, quando há inflamação, existe ainda o risco de hiperpigmentação pós-inflamatória, principalmente em peles com maior tendência a desenvolver manchas”, conta a especialista.

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Menina sorridente de pijama vermelho com corações brancos, com fatias de pepino nos olhos, seguradas por mãos com unhas vermelhas. Uma pessoa com cabelo castanho claro aparece desfocada à direita.
Mais do que seguir tendências, o cuidado com a pele nessa fase deve priorizar saúde, proteção e escolhas conscientes (@prostooleh / Magnific/Reprodução)

O que realmente está entrando na rotina das crianças 

Mais do que saber quais produtos estão em alta, é importante que os pais também consigam entender os ativos que estão sendo incluídos na rotina daquela pele. Segundo Marina Miranda, fundadora da Be Clean, aplicativo que permite o escaneamento de produtos e o acesso a análises detalhadas sobre seus ingredientes, o problema é que os rótulos ainda podem ser difíceis de compreender para quem não está familiarizado com os nomes dos componentes.

“A lista de ingredientes não deveria ser uma barreira. O consumidor precisa conseguir acessar essa informação de uma maneira clara para entender o que está escolhendo. Isso se torna ainda mais importante quando falamos de crianças e pré-adolescentes, porque a decisão não deveria acontecer só porque um produto viralizou.”

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Autocuidado sem pressão estética

Mãe e filha, ambas com toalhas brancas na cabeça, aplicando creme facial. A mãe segura o pote e passa o produto no nariz e bochecha da criança, que sorri.
Entender os ingredientes e reduzir a pressão estética são passos importantes para construir uma relação mais saudável com o skincare (@prostooleh / Magnific/Reprodução)

Só que toda essa preocupação também esbarra em outra questão. Como a skincare também pode ser uma forma de autocuidado, como ensinar a um jovem que ele deve cuidar de si sem empurrá-lo para um universo marcado pela pressão estética?

Para Marina, a proposta não é tratar o interesse por skincare como algo negativo, mas incentivar escolhas mais conscientes. “O skincare pode ser uma forma de cuidado, mas ele não precisa ser sinônimo de uma rotina cheia de produtos. Antes de seguir uma tendência, vale buscar informação e entender o que aquela pele realmente precisa”, recomenda.

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“Acredito que o caminho é ensinar as crianças a cuidar da pele pela perspectiva da saúde, e não da busca pela perfeição. Podemos incentivar hábitos simples, como lavar o rosto delicadamente, usar protetor solar, manter a pele hidratada quando necessário e compreender que cada pessoa tem características próprias. Não é preciso ter uma pele absolutamente livre de imperfeições para ter uma pele saudável. Os pais têm um papel importante ao observar o conteúdo consumido nas redes sociais e evitar que a aparência se torne um assunto central na construção da autoestima dos filhos”, complementa Lara.

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