Adeus, Mounjaro? Conheça a retatrutida, nova caneta emagrecedora com maior perda de peso e tripla ação
Ainda em testes clínicos, a retatrutida atua sobre três hormônios e pode superar medicamentos como Mounjaro e Ozempic na perda de peso
A retatrutida é um medicamento injetável de aplicação semanal, assim como Mounjaro e Ozempic, conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”. Chamada de molécula de tripla ação, ela atua simultaneamente sobre três hormônios: GLP-1, GIP e glucagon. Mounjaro atua sobre dois deles, enquanto Ozempic atua sobre um.
Desenvolvida pela Eli Lilly, responsável pelo Mounjaro, a retatrutida tem como grande diferencial o glucagon, que pode aumentar o gasto energético de quem faz o tratamento. Atualmente na fase 3 de estudos clínico, a retatrutida pode se tornar a opção mais potente de medicamento injetável para emagrecimento disponível no mercado.
Como a retatrutida funciona?
A retatrutida é formada por uma única molécula que ativa simultaneamente três receptores. “O GLP-1, o que aumenta a saciedade, reduz a ingestão alimentar, retarda o esvaziamento gástrico, especialmente no início, e estimula a secreção de insulina dependente da glicose”, segundo Lorena Lima Amato, endocrinologista doutora pela Universidade de São Paulo.
O GIP, que “complementa o efeito insulinotrópico e participa da regulação do apetite e do metabolismo do tecido adiposo”, de acordo com a especialista. E o glucagon, que é a principal diferença em relação à tirzepatida (Mounjauro). “Pode aumentar o gasto energético e favorecer a mobilização e oxidação de gordura”, comenta Lorena.
Assim, ela atuaria tanto na redução da ingestão calórica quanto, potencialmente, no aumento do gasto energético. “Embora o glucagon isoladamente possa aumentar a produção hepática de glicose [liberar mais glicose no sangue], esse efeito parece ser compensado pela ação conjunta sobre GLP-1 e GIP, já que os estudos demonstraram melhora importante da hemoglobina glicada.”
Retatrutida é mais potente que os medicamentos disponíveis, como Ozempic e Mounjaro?
A retatrutida está sendo divulgada como uma opção mais potente do que o Ozempic e o Mounjaro, mas ela pode fazer perder mais peso? “Em termos de eficácia média para perda de peso, a retatrutida parece superar os medicamentos atualmente disponíveis”, diz a doutora, que aponta os dados:
- Retatrutida 12 mg: 28,3% em 80 semanas na fase 3 do TRIUMPH-1.
- Tirzepatida 15 mg (Mounjaro): aproximadamente 20,9% em 72 semanas no SURMOUNT-1.
- Semaglutida 2,4 mg (Ozempic): aproximadamente 14,9% em 68 semanas no STEP 1.
Mas o estudo em comparação com a tirzepatida ainda está em andamento. “A retatrutida apresenta a maior eficácia média já observada em estudos avançados de um medicamento antiobesidade, mas ainda não está definitivamente demonstrado que seja superior à tirzepatida”, diz ela.
A explicação é a seguinte: “os estudos diferem em população, duração, adesão e método estatístico. Um ensaio comparativo direto entre as duas moléculas está em andamento”. Outro ponto é que ela ainda não está aprovada para uso clínico, não pode ser comprada ou utilizada fora de ensaios clínicos.
Maior perda de peso significa resultados mais rápidos?
Nem sempre perder mais peso ao final do tratamento significa que o resultado vai acontecer de forma mais rápida. “Para afirmar isso, seria necessária uma comparação direta, na mesma população e nos mesmos intervalos.” Mas os dados sugerem uma resposta relativamente rápida. Na fase 2, a dose de 12 mg produziu redução média de 17,5% em 24 semanas e de 24,2% em 48 semanas. A curva ainda não havia atingido platô.
“A dose, porém, é aumentada gradualmente”, diz a especialista. Os efeitos adversos provavelmente aumentariam em caso da pessoa acelerar a escalada para obter resultado mais rápido. Exemplos são náuseas, vômitos, diarreia, desidratação e alterações eletrolíticas, colelitíase e outras complicações biliares, perda de massa muscular, sarcopenia e redução da força, deficiências nutricionais, fadiga, tontura, hipotensão e queda de cabelo, entre outros.
Por outro lado, uma perda com acompanhamento médico pode trazer benefícios, como melhora mais precoce da glicemia, pressão arterial e perfil lipídico, redução da apneia obstrutiva do sono, dor articular e limitação funcional, benefício potencial para esteatose hepática e risco cardiometabólico e possibilidade de reduzir outros medicamentos, com ajuste médico.
“A retatrutida provavelmente elevará o patamar de eficácia farmacológica, mas o objetivo não deve ser emagrecer o mais rápido possível. O melhor resultado é alcançar perda suficiente para melhorar a saúde, preservando massa muscular, estado nutricional e tolerabilidade”, diz Lorena.
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