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O cuidado no uso de florais na busca de processos de cura

A homeopata Evelin Carvalho Carneiro orienta a melhor forma para usar esse tipo tratamento durante a pandemia

Por Ana Carolina Pinheiro Atualizado em 13 jun 2020, 21h22 - Publicado em 12 jun 2020, 21h29

Diluída em uma mistura de água com conhaque, que também pode ser substituído por vinagre de maçã, as essências florais medicinais, conhecidas como florais de Bach, são ferramentais naturais para o tratamento alternativo de questões emocionais. Para entender esse elemento que facilitaria o processo de cura como um todo, é importante identificar a sua base da criação.

O médico inglês Edward Bach, responsável pela criação, debruçou-se durante anos em estudos no campo da Bacteriologia na University College Hospital, na Inglaterra. A única coisa que interrompeu suas pesquisas foi uma hemorragia, que o levou a uma internação e à notícia de que teria apenas mais três meses de vida. Sentindo-se um pouco melhor, o retorno aos estudos foi essencial para a sua surpreendente recuperação.

Em 1919, Edward deixou o cargo de assistente clinico no College Hospital para ser bacteriologista do London Homeopathic Hospital, onde teve o primeiro contato com a Doutrina de Hahnemann por meio do livro Organon da Arte de Curar. Hahnemann deu início à medicina homeopática, que define as doenças como perturbações de energias vitais. Nesta terapia, a cura ocorre por meio de substâncias extraídas de fontes vegetais, minerais ou animais, que causam os mesmos sintomas das doenças, mas que diluídos ou dinamizados em doses certas, podem neutralizar o problema e reduzir os sintomas.

Bebendo dessa fonte, Bach encontrou no plantio de plantas a chance de encontrar remédios mais suaves para substituir sua primeira invenção, os nosódios, recurso natural que também usava amostras patológicas, mas de animais ou vegetais, no processo de tratamentos. A partir desse objeto de pesquisa, as flores, ele identificou 38 espécies com princípios de cura. Entre elas, os florais são divididos em sete categorias: medo; insegurança; perda de interesse; solidão; sensibilidade aumentada; desesperança e desespero e preocupação.

Por conta da complexidade e individualidade de cada pessoa, o tratamento pode ser feito com uma misturar de até 6 ou 7 essências. A recomendação dos especialistas é de que a prescrição seja feita por um profissional, como o terapeuta floral ou homeopata, após uma avaliação em consulta. Mas, por conta do cenário atípico que vivemos, órgãos e conselhos de medicina passaram a rever algumas discussões sobre o tipo de atendimento. “Antes da pandemia, havia uma divisão entre profissionais que defendiam a consulta à distância ou não, mas isso caiu por terra durante o isolamento social. Então, agora, muitos já fazem consulta por chamada de vídeo ou ligação de áudio”, comenta a homeopata Evelin Carvalho Carneiro.

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SilviaJansen/Getty Images

Mesmo com algumas redes de apoio gratuitas, nem todas as pessoas conseguem seguir esse caminho de passar em uma consulta com especialista. Nesta situação, a médica explica qual é a melhor forma de buscar ajuda antes de pingar as gotinhas. “Sem dúvidas, o melhor caminho seria recorrer a um profissional, mas na pandemia o farmacêutico de estabelecimentos autorizados também pode dar uma orientação e observar as explicações e condições que o indivíduo demonstra”, explica a profissional.

Quando isso acontecer, o correto é que o farmacêutico apresente as flores e suas funções para que a pessoa relacione com o que está sentindo. Ao usar, o indivíduo também tem a responsabilidade de notar se os incômodos estão sendo amenizados ou não. “Em casos aparentemente mais delicados, o farmacêutico já deve orientar que a pessoa procure imediatamente um médico em vez de usar o floral. Do mesmo modo, que, ao usar os florais e nenhuma mudança for sentida, também é responsabilidade do paciente procurar esse apoio”, pontua Evelin. A especialista continua: “há um crescimento de pessoas com sintomas como ansiedade e medo do futuro. Por isso, muito profissionais estão atendendo de graça nesse período. Procure ajuda quando precisar”, orienta.

Reconhecimento da terapia

Quando se trata estudos científicos, a terapia de florais não é um consenso em relação aos seus resultados. Há uma divisão de pesquisadores que identificam seus benefícios e os que enxergam como uma função semelhante à de um placebo. De acordo com a Anvisa, “a Organização Mundial da Saúde (OMS) enquadra a MTC (medicamentos tradicionais complementares) e as terapias florais no conceito de ‘medicina tradicional’ que compreende uma ampla gama de práticas de longa data que estão em constante evolução e são baseadas em crenças e teorias diversas (…).As terapias ‘complementares e alternativas’ seriam aquelas usadas em conjunto ou em substituição às terapias alopáticas, mas que não estão ainda incorporadas no sistema médico internacional, mesmo quando amplamente utilizados em nível nacional”, aponta um documento da Agência de Vigilância Sanitária publicado em 28 de novembro de 2018.

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