Lavagem nasal faz bem? Veja os benefícios e os cuidados que você precisa ter
Alivie rinite, sinusite e nariz entupido com a lavagem nasal. Saiba como fazer corretamente, qual soro usar e os cuidados essenciais.
Nariz entupido, rinite atacada, resfriado ou aquela sensação insuportável de ressecamento que aparece nos dias mais secos, para diferentes situações, a lavagem nasal pode ajudar a aliviar o desconforto e facilitar a respiração.
O procedimento consiste, basicamente, na limpeza das cavidades nasais com solução salina e detalhes como frequência, volume, pressão e até a qualidade da água fazem diferença.
Segundo o Dr. Marcio Barros, médico alergista, imunologista e professor da Faculdade de Medicina de Jundiaí, a lavagem ajuda a remover substâncias que ficam acumuladas na mucosa e também contribuí para o funcionamento do próprio mecanismo de limpeza do nariz.
“Ela ajuda a retirar secreção, poeira, poluentes e alérgenos que ficam depositados na mucosa e ainda favorece o mecanismo natural de limpeza do próprio nariz”, explica.
O especialista ressalta, no entanto, que a prática não deve ser encarada como uma solução para qualquer problema respiratório.
“É um cuidado simples, barato e que pode ajudar bastante. Mas não faz mágica. Em algumas doenças, principalmente nas crônicas, a lavagem entra como parte importante da rotina, sem substituir outros tratamentos quando eles são necessários.”
Quando a lavagem nasal pode ajudar?
A técnica pode ser utilizada em casos de rinite, sinusite, resfriados, congestão nasal e períodos de tempo seco, embora cumpra funções diferentes em cada cenário.
Para quem sofre com rinite, por exemplo, a lavagem auxilia tanto na retirada de secreção quanto na remoção dos alérgenos que ficam em contato com o nariz. “Para muitos pacientes, acaba fazendo parte da rotina diária”, afirma o médico.
Nos casos de sinusite, principalmente as crônicas, ela também costuma fazer parte do tratamento, já durante um resfriado, é importante ajustar as expectativas.
“Não vai fazer a infecção desaparecer, claro, mas pode aliviar bastante o nariz entupido e facilitar a eliminação da secreção”, explica Barros. Em épocas de baixa umidade, o soro também pode trazer conforto à mucosa nasal.
Preciso lavar o nariz todos os dias?
Nem sempre, segundo o especialista, não existe uma frequência universal para a lavagem nasal.
“Se a rinite está atacada, há muita secreção ou o nariz está bastante congestionado, pode ser necessário lavar várias vezes ao dia. Já uma pessoa que está bem, sem sintomas, não precisa transformar a lavagem nasal numa obrigação diária.”
Ou seja, a frequência deve acompanhar a necessidade! E exagerar também pode causar desconforto: “Lavagens muito frequentes, principalmente quando realizadas com pressão excessiva ou soluções mais concentradas, podem causar “ardor, ressecamento, irritação e até pequenos sangramentos”, explica.
Qual soro usar na lavagem nasal?
Para a maioria das pessoas, o soro fisiológico 0,9% costuma ser suficiente e confortável para o uso cotidiano.
Já as soluções hipertônicas, que apresentam uma maior quantidade de sal, podem ter indicação em situações de maior inchaço da mucosa e congestão, por outro lado, também podem causar mais ardência. “Prefiro que sejam usadas quando existe uma indicação específica do médico que acompanha aquele paciente”, orienta Barros.
Também é possível preparar uma solução em casa, mas esse método exige cuidado redobrado, tanto a quantidade de sal quanto a procedência da água precisam ser adequadas para evitar irritação e contaminação.
Pressão não significa uma lavagem melhor
Na hora de lavar o nariz, a posição da cabeça e a força aplicada são fundamentais. De maneira geral, a orientação é manter a cabeça levemente inclinada para a frente e para o lado, permitindo que o líquido circule e saia pela outra narina ou pela boca.
Mas um dos erros frequentes é acreditar que apertar a seringa ou a garrafinha com força aumenta a eficácia. “Mais pressão não significa uma lavagem melhor. Não mesmo! O que queremos é volume, não pressão”, destaca o médico.
Quando o líquido é impulsionado com força excessiva, ele pode alcançar a região da tuba auditiva, responsável pela comunicação entre o nariz e o ouvido: “Isso pode causar dor, sensação de ouvido tampado e, em algumas situações, problemas no ouvido médio. Em crianças, esse cuidado é ainda mais importante.”
Spray, seringa ou garrafinha?
A escolha do dispositivo depende do objetivo da lavagem e da quantidade de soro utilizada.
Sprays liberam volumes menores e podem ser suficientes para umidificar a mucosa ou aliviar desconfortos leves. Já as seringas e garrafinhas próprias permitem utilizar uma maior quantidade de solução e costumam ser mais adequadas quando há muita secreção.
“Depende da idade, do conforto e de como cada pessoa se adapta. Mais importante do que o dispositivo é conseguir um bom volume sem precisar usar força”, explica.
A higiene do recipiente também importa
Além de evitar pressão excessiva, o especialista destaca a importância de limpar corretamente os acessórios usados na lavagem.
“Outros erros comuns são preparar uma solução com a concentração errada, não higienizar direito a seringa ou a garrafinha e, nas soluções feitas em casa, não ter o cuidado necessário com a água”, afirma Barros.
Depois do uso, seringas e garrafinhas devem ser lavadas e bem secas, manter o recipiente constantemente úmido e sem higiene adequada pode favorecer contaminações.
Pode usar água da torneira?
Caso seja utilizado soro fisiológico pronto, essa preocupação não se aplica. Já nas soluções preparadas em casa, a água exige uma atenção especial.
O médico recomenda água destilada ou estéril, ou ainda água previamente fervida e depois resfriada, um filtro doméstico comum não torna a água apropriada para esse tipo de uso.
“Uma água pode ser segura para beber e, ainda assim, não ser adequada para ser usada numa lavagem nasal”, explica. Segundo o especialista, infecções relacionadas a contaminação da água são muito raras, mas podem ser graves, por isso, trata-se de um risco que pode ser evitado com medidas simples.
Quando é preciso procurar um médico?
A lavagem nasal pode melhorar sintomas, mas não deve mascarar problemas persistentes, em infecções respiratórias, o alerta aumenta quando os sintomas permanecem por mais de dez dias sem melhora ou quando a pessoa apresenta uma melhora inicial seguida de nova piora.
Merecem avaliação médica quadros com secreção de mau cheiro ou diferente do habitual, obstrução principalmente de um lado, sangramentos recorrentes e perda persistente do olfato.
Quem passou recentemente por cirurgia nasal, apresenta sangramentos frequentes, alguma obstrução importante ou sente dor e ouvido tampado sempre que faz a lavagem também deve procurar orientação antes de insistir na prática.
Com bebês e crianças pequenas, volume e pressão precisam ser adaptados. “A anatomia da criança tem algumas peculiaridades. Ela não é simplesmente uma versão menor da anatomia do adulto”, lembra Barros.
A simplicidade da lavagem nasal é justamente um de seus pontos fortes, desde que a técnica seja feita corretamente. “Com indicação e técnica corretas, é uma ferramenta muito boa para cuidar da saúde respiratória”, conclui o especialista.
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