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Guia da fotoproteção: tudo para proteger sua pele no verão

Um glossário completo para você não deixar que a visita à praia se torne um sofrimento ardente na sua pele.

Por Gabriela Kimura Atualizado em 20 jan 2020, 21h46 - Publicado em 31 jan 2017, 16h14

Apesar de ser um item indispensável da sua nécessaire o ano todo, durante o verão é quando você precisa ter um cuidado redobrado. A maior incidência dos raios solares (UVA e UVB), bem como radiações infravermelho, podem queimar a pele e deixar manchas indesejadas.

Por isso, esse guia da fotoproteção é tudo o que você procurava: explica direitinho os cuidados, o que significam as siglas dos produtos e ainda tem novidades para incluir na lista de compras da próxima viagem.

Todo mundo sabe que, em qualquer consultório que você for, a recomendação vai ser sempre usar protetor solar. No entanto, na hora de escolher um para chamar de seu, a quantidade de siglas – FPS, UVA, PPD, IR por exemplo – podem te deixar zonza de tanta informação. “A falta de entendimento sobre o rótulo do protetor solar pode demonstrar que a pele não está recebendo a proteção que precisa”, destaca a dermatologista Claudia Marçal, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de Dermatologia. “Muitas pessoas desconhecem a importância de várias dessas siglas. E além delas, já temos como guideline internacional a indicação de antioxidantes como a Vitamina C e E que potencializam a proteção solar”, completa.

Para facilitar nossas vidas, a médica explica o que significa cada uma dessas substâncias (e siglas):

Antioxidantes

São aquelas moléculas que impedem a formação de radicais livres (e em alguns casos revertem os danos causados por eles), por isso são considerados excelentes aliados no dia-a-dia. “O protetor solar deve ir além dos ativos de proteção: ele deve ser um multibenefícios com elementos de ação antioxidante para imediatamente reparar o processo inflamatório formado em função da radiação”, ensina Claudia. “Principalmente quando falamos de ambientes onde há muita poluição ambiental, há a necessidade de complementar a fotoproteção com alguns antioxidantes importantes como as Vitaminas E, C, A, B3, o Resveratrol, o ácido elágico da Romã, extrato de Blueberry, da Folha de Oliveira e de Edelweiss.” Algumas moléculas podem ser adicionadas nessa lista: OTZ 10 (que minimiza os danos do calor), Alistin (considerado um antioxidante universal – que age nas camadas de água e gordura da pele) e Exo-P (um antioxidante que impede os danos dos poluentes).

Células de Langerhans

Responsáveis pela defesa imunológica da pele, estão na epiderme e têm forma de estrela. “Elas se locomovem pelo tecido e alertam outras células do sistema imunológico quanto à presença de um organismo invasor”, explica. “O problema é que a exposição à radiação UV pode induzir a uma queda em sua função, diminuindo a atividade imunológica da pele, e isso aumenta a possibilidade de cancerização”.

Cor

“Filtros de alta cobertura, com base e cor fazem parte dos últimos lançamentos em fotoproteção. A cor serve como uma barreira física à luz visível”, afirma a médica.

Filtros

Existem dois tipos de filtros de fotoproteção, que atuam de forma diferente: os químicos e os físicos. “Os filtros físicos são partículas inorgânicas que refletem ou dispersam a radiação, já os químicos são partículas orgânicas que absorvem o fóton de energia”, conta Claudia.

No protetor, é importante associar o uso dos dois, segundo a médica. “Mas os filtros físicos bloqueadores à base de dióxido de titânio, óxido de ferro e zinco são fundamentais. Eles agem como uma parede de tijolos — onde a luz bate e volta sem absorvência. Os filtros químicos são importantes, mas altamente instáveis; então, na sudorese ou na água do mar a molécula fica quimicamente instável e deixa de proteger”, explica. “E muitas vezes, os raios UVB e Infrared furam o bloqueio dos filtros químicos de alguns produtos de fotoproteção e causam dano celular que, em consequência, provoca flacidez”.

Fotoenvelhecimento

“Quando falamos em envelhecimento fotoadquirido, estamos falando da formação precoce de rugas, manchas, mudança na textura da pele, angiogenese (formação de novos vasos), epiderme pergaminácea e flacidez. Com a radiação, as manchas do melasma também podem piorar. Além disso, a radiação ainda aumenta o risco de lesões cancerígenas na pele.”

Para evitar danos, anote: é necessário aplicar duas colheres de chá de protetor solar no rosto 30 minutos antes de sair para o sol, e evitar a fotoexposição das 10 da manhã às 4 da tarde (nesse horário, prefira a sombra). “Reaplicar de duas em duas horas em ambientes abertos e de 4 em 4 em ambientes fechados”, orienta.

FPS

A sigla de Fator de Proteção Solar refere-se apenas aos raios UVB. “É o valor obtido pela razão entre a dose mínima eritematosa na pele protegida por um protetor solar e a dose mínima eritematosa na mesma pele quando desprotegida”, explica. Mas um FPS alto vai necessariamente te proteger? A dermatologista explica que não: “Hoje, descobriu-se que a proteção solar que leva em consideração apenas a questão do eritema (vermelhidão) desconsidera a dose suberitematosa, que é um dano criado antes mesmo da pele ficar vermelha, dando origem às chamadas ‘sunburn cells’ (ou células que sofreram alterações importantes pela radiação ultravioleta apresentando degeneração no seu DNA, promotoras mais tarde da possibilidade de cancerização)”, destaca a especialista, que recomenda FPS de no mínimo 30. “Mas não esqueça a proteção contra o UVA, infravermelho e luz visível!”

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Imunoproteção oral

Segundo a médica, mais recentemente tem se falado muito na questão dos pré e probióticos associados à formulação local e via oral com conceito de defesa e imunologia da pele. “Os filtros imunoprotetores via oral vieram para ficar com propriedades de melhora da resistência cutânea e imunológica. Eles funcionam como verdadeiros guardiões quando associados aos protetores locais, para preservar a estrutura e evitar a desnaturação do DNA celular por proteger as células imunológicas da pele e reverter em parte os danos biológicos e inflamatórios causados pela exposição exagerada ao sol”, enfatiza.

Se quiser usar, Claudia indica os seguintes: Polipodium Leucotomus, Picnogenol, Astaxantina, Luteina, Extrato de White e Green Tea, Resveratrol e ácido elágico da Romã, sempre associando ao uso de silício orgânico Exsynutriment para melhora do aspecto da flacidez. Mas, cuidado: isso não substitui o protetor de uso tópico!

IR ou Infrared (infravermelho ou IV)

É sentido através do calor ou mormaço. “É uma radiação que acomete num comprimento de onda suficiente para atingir a derme mais profunda — a derme reticular —, onde estão as fibras de ancoragem e sustentação da pele. E isso provoca um dano muito importante, com menor elasticidade e uma piora no aspecto geral com a destruição do arquétipo da pele, além de um maior potencial de cancerização.”

Luz visível

Mesmo não sendo um conceito novo, é necessário pontuar, de acordo com a Dra., que a luz visível continua sendo um perigo. “Presente na nossa rotina diária, ela é capaz de promover a médio e longo prazos um quadro de eritema mesmo que subcutâneo, mas já suficiente para gerar a presença das sunburn cells“, explica.

A luz visível atua no estímulo da melanogênese, resultando em manchas. “As pessoas que têm tendência ao melasma não podem só pensar em ter um fotoprotetor com UVA e UVB. Tem que ter algum tipo de ativo que combata a ação danosa do Infrared e luz visível. São ativos tirados de extratos vegetais que têm ação antiinflamatória e bloqueadores, como dióxido de titânio”, acrescenta.

PPD (Persistant Pigment Darkening)

Indica o grau de proteção contra os raios UVA. Nos rótulos, o PPD pode aparecer como FPUVA (Fator de Proteção UVA). “O PPD ideal é a partir de 10 e deve representar, no mínimo, um terço do FPS”, explica.

Radicais livres

Átomos ou moléculas instáveis e altamente reativas, os radicais livres, em excesso, passam a atacar células sadias, como proteínas, lipídios e DNA. “Ele danifica a membrana e a estrutura da célula, podendo, em casos extremos, levar à morte celular.”

UVA

Principal responsável pelo envelhecimento precoce (manchas e rugas), esse tipo de radiação atravessa nuvens, vidro e epiderme, é indolor e penetra na pele em grande profundidade, até às células da derme — sendo o principal produtor de radicais livres. “Os raios UVA afetam a pele o ano todo, independente da estação. Esse tipo de radiação não é bloqueado totalmente com protetor solar e traz prejuízos, desde lesões mais simples até, em casos mais graves, câncer de pele”, alerta a dermatologista.

UVB

A radiação ultravioleta B deixa a pele vermelha e queimada, danificando a epiderme e é mais abundante entre às 10 da manhã e às 4 da tarde. “Seu grau de proteção é medido pelo FPS e é uma radiação que pode furar o bloqueio dos filtros químicos e aumentar o risco de cancerização”, comenta.

Veículo

Gel, creme, loção, spray, bastão: todos esses são veículos dermocosméticos que devem ser considerados na hora da escolha de um fotoprotetor, pois isso ajuda na prevenção de acne e oleosidade. “Pacientes com pele com tendência à acne devem optar por veículos livres de óleo ou gel creme. Pacientes que praticam muita atividade física devem evitar géis, pois eles se diluem facilmente”, finaliza.

Dra. Claudia Marçal: Dermatologista da Clínica de Dermatologia Espaço Cariz, com especialização pela Associação Médica Brasileira (AMB), membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e membro da American Academy of Dermatology (AAD), CME (Continuing Medical Education) na Harvard Medical School.

Com a ajuda da dermatologista Márcia Linhares elaboramos esse quiz para saber se você está ~sabendo tudo~ sobre o uso dos protetores:

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