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Gravidez na perimenopausa: como mulheres engravidam sem planejar após os 40 anos

A fertilidade diminui com a idade, mas a gravidez ainda é possível durante a perimenopausa; entenda os riscos.

Por Lorraine Moreira Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 14 out 2026, 20h00
Mulher grávida de meia-idade, com cabelos castanhos e olhos azuis, deitada na cama com travesseiros brancos, sorrindo e segurando a barriga com as mãos. Veste uma blusa bege e calça escura
Cerca de 48% das gestações entre mulheres de 40 a 44 anos não são planejadas (@gpointstudio/Freepik)
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É comum que muitas mulheres cheguem à perimenopausa com a ideia de que já não precisam recorrer a métodos contraceptivos. Para ter um filho aos 40 e poucos anos, pensam, seria necessário um esforço deliberado: identificar o período fértil, procurar um especialista e recorrer a tratamentos de reprodução assistida. Por isso, quando a menstruação se torna irregular, grande parte delas abandona os contraceptivos. E, então, engravida.

O cenário pode parecer improvável, mas é um retrato plausível da experiência de milhares de pessoas no mundo, inclusive no Brasil. Cerca de 48% das gestações entre mulheres de 40 a 44 anos não são planejadas, segundo estudo publicado no Women’s Midlife Health. Nessa idade, muitas delas também começam a passar pela perimenopausa, período de transição para a menopausa, que costuma durar anos.

Isso acontece pela falta de conhecimento de que a mulher ainda pode engravidar nessa fase, pois a ovulação, embora irregular, continua ocorrendo. “A paciente perde fertilidade [de forma acentuada] a partir dos 37 anos. Mas, enquanto tiver óvulo, ela tem chance de engravidar”, explica o médico ginecologista Jan Pawel Pachnicki, doutor em cirurgia e professor na Universidade Federal do Paraná, durante o IMS Rio 2026*. 

Gravidez não planejada após os 40 anos pode trazer riscos à saúde emocional e física

“A gravidez não desejada nessa fase da vida tende a ser pior”, afirma Jan. A mulher pode estar em um momento favorável da carreira, ter encerrado a fase de criação dos filhos ou finalmente poder realizar planos adiados por décadas. “Às vezes, ela está num outro momento e vai precisar abrir mão de alguma coisa.”

A partir dos 35 anos, também aumentam os riscos de complicações que podem afetar a saúde da mãe e do bebê. “A hipertensão na gravidez é mais comum em mulheres com 35 anos ou mais e está entre as principais causas de morte materna no Brasil. O diabetes gestacional também é mais frequente e pode trazer complicações para o recém-nascido”, pontua o especialista.

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A situação é diferente para quem deseja engravidar nessa idade. Há mulheres de 45 anos que recorrem a tratamentos de reprodução assistida, inclusive com óvulos doados, diante da dificuldade para conceber. 

“Elas estão em outra jornada. É diferente de uma mulher que já tem três filhos, acredita que não vai mais engravidar e não quer ter outros, mas acaba exposta ao risco de uma gestação aos 50 anos sem necessidade”, pontua o médico ginecologista Rodrigo Mirisola, gerente médico da divisão de saúde feminina na Bayer Brasil e especialista em reprodução assistida.

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Por que mulheres acima dos 35 anos têm mais chances de ter gêmeos?

Silhueta de uma mulher grávida de perfil, com cabelos longos e soltos, segurando a barriga com as mãos, contra um fundo de cortinas claras com listras verticais
Gravidez gemelar é mais frequente após os 35 anos (Dipinder Rainu/Pexels)

Sem planejar ter um filho, a mulher ainda pode engravidar de gêmeos. Embora a fertilidade diminua com a idade, a chance de ter gêmeos fraternos, formados a partir de dois óvulos fecundados, aumenta entre mulheres mais velhas.

Na perimenopausa, as oscilações hormonais e a diminuição da reserva ovariana podem alterar o processo de ovulação. Os níveis do hormônio folículo-estimulante (FSH), responsável por estimular o desenvolvimento dos folículos ovarianos, tendem a aumentar e variar ao longo dos ciclos.

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Segundo Rodrigo, em determinados meses, níveis mais altos de FSH podem coincidir com a presença de mais de um folículo capaz de responder ao estímulo hormonal. Essa combinação pode favorecer o desenvolvimento de mais de uma dessas estruturas e, consequentemente, a liberação de dois ou mais óvulos no mesmo ciclo — fenômeno conhecido como ovulação múltipla. 

“É preciso que as duas coisas coincidam: um nível mais alto do hormônio e a presença de folículos que possam ser estimulados”, explica Rodrigo.

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Quem faz reposição hormonal pode parar de usar método contraceptivo?

A menopausa é o assunto do momento na saúde feminina. Basta folhear revistas, rolar o feed por alguns minutos ou assistir à TV para perceber que o fim da vida reprodutiva ganhou espaço no debate público. Cada vez mais, mulheres que sentem os primeiros sinais da perimenopausa procuram consultórios para entender se estão se aproximando dessa fase.

“Às vezes, a paciente chega com queixas relacionadas à menopausa, recebe a indicação de terapia hormonal do médico e acredita que não corre mais o risco de engravidar. Mas a terapia hormonal não funciona como contraceptivo”, afirma Jan. “Temos visto mulheres engravidarem nessas circunstâncias.”

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Embora a terapia de reposição hormonal contenha estrogênio e, para mulheres com útero, geralmente também um progestogênio, suas doses não são suficientes para suprimir a ovulação de forma confiável. Por isso, quem ainda pode engravidar precisa avaliar a necessidade de manter um método contraceptivo.

Qual é o melhor método contraceptivo após os 40 anos?

Não existe um contraceptivo ideal para todas as mulheres. A escolha depende das necessidades e das características de cada uma. Os preservativos, por exemplo, também protegem contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). O DIU de cobre é uma alternativa sem hormônios, mas pode não ser a melhor opção para quem já tem fluxo menstrual intenso, porque tende a aumentar o sangramento.

Ao mesmo tempo, existem benefícios adicionais dos contraceptivos hormonais. A depender do tipo, ajudam a reduzir o fluxo menstrual e as cólicas, controlar os sintomas da endometriose e melhorar a acne. “Quando prescrevemos um tratamento, queremos, antes de tudo, que ele seja eficaz. Depois, avaliamos os efeitos secundários, que podem ser positivos ou negativos. No caso dos contraceptivos, isso é muito claro”, afirma Jan.

E quanto à pílula combinada? 

As pílulas combinadas tradicionais contêm uma forma sintética de estrogênio e um progestógeno. Embora sejam contraceptivos eficazes, apresentam desvantagens nessa fase da vida da mulher. 

“O estrogênio administrado por via oral está associado a um maior risco de trombose, sobretudo quando há outros fatores de risco”, diz Rodrigo. Tabagismo, hipertensão, histórico de trombose e enxaqueca com aura exigem atenção especial na escolha do método.

Nesses casos, podem ser recomendadas alternativas sem estrogênio, como as pílulas à base de progestógeno, as injeções, os implantes e o DIU hormonal. Para mulheres na perimenopausa, alguns métodos também podem ser combinados com a terapia hormonal, que trata sintomas dessa fase, mas não evita a gravidez.

Até que idade é preciso usar anticoncepcional?

A britânica Dawn Brooke detém o recorde de mulher mais velha a engravidar naturalmente, segundo o Guinness World Records. Ela deu à luz um menino por cesariana em 20 de agosto de 1997, aos 59 anos. O caso é tão excepcional que o recorde permanece imbatível desde então. A raridade de uma gravidez nessa idade ajuda a explicar por que a contracepção deixa de ser necessária após os 55 anos.

“A partir dessa idade, a probabilidade de engravidar é tão baixa quanto a probabilidade de engravidar se estiver usando algum método”, explica Jan. Após os 55 anos, a chance de uma gravidez natural é próxima de zero, o que dispensa o uso de um método contraceptivo. O preservativo, por outro lado, deve ser usado sempre, para a proteção contra ISTs.

*A jornalista viajou para o IMS Rio 2026 a convite da Bayer.

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