O hype das gominhas: suplementos de colágeno realmente funcionam?
Dermatologista esclarece se esses "produtos milagrosos" são realmente eficazes para a pele e a forma mais vantajosa de consumo
Coloridas, saborizadas e embaladas em potes que lembram doces gourmet, elas conquistaram espaço nas bolsas e nas redes sociais. Prometendo melhorar a aparência da pele, se tornaram um dos suplementos mais populares da indústria da beleza.
Estamos falando dela: as gominhas de colágeno! Em vídeos que acumulam milhões de visualizações, influenciadoras exibem a rotina de autocuidado mastigando uma ou duas unidades por dia enquanto prometem o ‘“milagre” facial.
Mas, por trás dessas promessas, existe uma pergunta que continua no pensamento das novas consumidoras: as gomas realmente funcionam?
Em entrevista à CLAUDIA, a dermatologista Ana Maria Benvegnú analisa o fenômeno e esclarece os principais pontos que você precisa conhecer antes de apostar nessa tendência. Veja a seguir.
As gominhas de colágeno funcionam?
O desafio é que esses produtos possuem tamanho reduzido, o que dificulta a concentração de grandes quantidades do ativo em uma única unidade. Por isso, em muitos casos, seria necessário consumir várias diariamente para atingir a dose necessária.
Além disso, algumas formulações contêm açúcar, xaropes e corantes — ingredientes que comprometem a qualidade nutricional do produto quando consumidos em excesso.
O colágeno ingerido vai direto para a pele?
Essa é uma das promessas mais repetidas pelas campanhas publicitárias, mas não corresponde ao que acontece no organismo.
Depois de ingerido, o colágeno passa pelo processo natural da digestão. No estômago e no intestino, ele é quebrado em aminoácidos e pequenos peptídeos, que são absorvidos pela corrente sanguínea e distribuídos para diferentes tecidos do corpo. Ou seja, o colágeno não segue um caminho exclusivo até a pele.
“Quando ingerimos colágeno, ele precisa passar por todo o processo digestivo antes de ser absorvido. Então, não é correto dizer que ele vai diretamente para a nossa pele, isso é uma falácia criada pelo marketing”, afirma a dermatologista.
Isso não significa que a suplementação seja ineficaz. Algumas formulações contêm peptídeos favoráveis à saúde da pele, porém, após a digestão, esses nutrientes entram na corrente sanguínea e são distribuídos pelo organismo.
O colágeno também compõe estruturas como articulações, tendões, ligamentos, ossos e vasos sanguíneos. Por isso, não é possível afirmar que todo o colágeno ingerido será destinado exclusivamente à pele.
Quanto tempo demora para aparecer o resultado?
Quem espera mudanças rápidas acaba se frustrando. De acordo com a médica, os efeitos da suplementação ocorrem após 8 a 12 semanas de uso contínuo. Mesmo assim, os resultados tendem a ser discretos.
Em vez de promover uma transformação visível da noite para o dia, o colágeno oral atua como uma estratégia complementar de prevenção ao envelhecimento cutâneo, ajudando a manter a qualidade da pele a longo prazo.
A melhora costuma ser percebida na textura, na hidratação e na elasticidade da pele do que em mudanças dramáticas relacionadas à flacidez ou às rugas profundas.
Gominhas, cápsulas ou pó: qual é a melhor opção?
Quando o assunto é eficácia, a forma do suplemento influencia diretamente a capacidade de atingir a dose recomendada de colágeno.
Segundo a dermatologista, as versões em pó costumam levar vantagem porque permitem concentrar a quantidade adequada do nutriente em uma única porção diária. As cápsulas também representam uma alternativa eficiente, embora exijam um maior consumo diário.
Já as gomas, enfrentam uma limitação prática. Para alcançar a mesma quantidade de colágeno presente em outros produtos, também é necessário consumir várias unidades ao longo do dia. Como consequência, aumenta a ingestão de açúcares, xaropes, corantes e outros aditivos presentes na formulação.
“Aqui, entramos em outro problema, porque muitas gominhas contêm açúcares, xaropes e corantes, ingredientes que podem prejudicar a qualidade da pele. E sabemos que o excesso de açúcar, por exemplo, contribui para a degradação do colágeno”, alerta Ana Maria.
A suplementação consegue compensar a perda natural de colágeno?
A partir dos 25 anos, a produção natural de colágeno começa a diminuir gradualmente. Esse processo faz parte do envelhecimento biológico e não pode ser interrompido. Nesse cenário, o colágeno pode ser um aliado, mas não uma solução isolada.
“A suplementação é um trabalho de formiguinha. Ela ajuda na prevenção, mas não consegue frear sozinha todo o processo de envelhecimento”, explica a médica.
A especialista também destaca que a manutenção do colágeno depende de uma combinação de fatores, incluindo alimentação equilibrada, consumo adequado de proteínas, hidratação, proteção solar e uma rotina consistente de skincare.
Além disso, procedimentos dermatológicos como bioestimuladores de colágeno, ultrassom microfocado, radiofrequência e lasers costumam produzir resultados mais eficientes quando o objetivo é tratar sinais de envelhecimento.
Existem contraindicações?
O colágeno é considerado um suplemento seguro e costuma ser bem tolerado pela maioria das pessoas. No entanto, pacientes com doenças intestinais, como síndrome do intestino irritável, ou com condições renais crônicas devem buscar orientação médica antes de iniciar qualquer suplementação.
No caso específico das gominhas, a atenção deve estar para os ingredientes adicionais presentes na fórmula.
Pessoas com diabetes, por exemplo, devem verificar a quantidade de açúcares, corantes, adoçantes e aditivos, especialmente quando a recomendação no rótulo exige o consumo de várias gominhas por dia.
Vale a pena investir nas gominhas de colágeno?
As gominhas não são uma fraude, mas também não representam uma solução milagrosa para a pele. O ponto central é verificar se o produto oferece uma quantidade suficiente de peptídeos bioativos de colágeno para produzir benefícios reais.
Para quem busca uma estratégia de longo prazo para manter a qualidade da pele, a suplementação pode ser uma ferramenta complementar.
Contudo, ela deve fazer parte de um conjunto maior de cuidados e não substituir hábitos saudáveis ou tratamentos dermatológicos quando indicados.
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