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Doar leite materno é ato de solidariedade em tempos de pandemia

De acordo com a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (RBLH), as doações aumentaram 20% entre maio e junho, apesar do isolamento social

Por Gabriela Maraccini (colaboradora) - Atualizado em 31 jul 2020, 18h55 - Publicado em 1 ago 2020, 10h00

Os bancos de leite humano estão conseguindo aumentar o seu estoque de leite materno durante a pandemia do novo coronavírus. Mesmo com o isolamento social, o número de leite coletado pela Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (RBLH) cresceu entre maio e junho deste ano.

“Na última reunião que fizemos, soubemos que a Rede Brasileira conseguiu um ganho de até 20% a mais no estoque de maneira geral”, afirma Danielle Aparecida da Silva, coordenadora do Banco de Leite Humano (BLH) do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz).

Um dos motivos pelos quais os estoques não sofreram efeitos negativos com a pandemia foi justamente o trabalho em home office. Com eles, muitas mães que antes não tinham disponibilidade para realizar a doação hoje conseguem realizar este ato de solidariedade, que pode beneficiar vários bebês recém-nascidos.

“Um dos depoimentos de mães nesse período é que, por ter um tempo maior no home office, o bebê passa a demandar mais dela, sugando mais vezes o seio e, assim, estimulando a produção. Com excesso de leite novamente, ela retoma o hábito da doação”, explica Danielle.

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De acordo com o Ministério da Saúde, cada 300 mililitros (ml) do alimento sustentam, em média, dez recém-nascidos JGI/Jamie Grill/Getty Images

Além disso, a Rede, assim como várias outros segmentos da economia como o comércio, restaurantes e escritórios precisou se reinventar. “Logo quando a pandemia chegou ao país, tivemos uma preocupação muito grande de rever as nossas práticas e normas de biossegurança”, conta a coordenadora. “Chegamos à conclusão de que os protocolos, já utilizados no decorrer de toda a nossa história, alcançavam a segurança necessária nesse período.”

A RBLH também mergulhou no universo das redes sociais e realizou seminários virtuais e lives em prol da doação de leite materno, especialmente no mês de maio, quando se comemora o Dia Mundial de Doação de Leite Materno. “Nós buscamos novas ferramentas de comunicação para o nosso público alvo, que é a mulher que amamenta, a mulher que doa. Isso fez com que o nosso estoque não caísse, pelo contrário, aumentasse”, relata.

Por que é importante doar?

A amamentação com leite materno é essencial para os primeiros meses de vida de um bebê. É por meio dele que recebemos anticorpos e  fortalecemos vínculos familiares.

No entanto, muitas crianças, principalmente as prematuras que estão internados, necessitam de doação de leite humano para sobreviverem. De acordo com o Ministério da Saúde, um litro de leite materno doado pode alimentar até dez recém-nascidos por dia.

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“Os nutrientes do leite materno vão ajudar a formar o metabolismo do bebê e auxiliar no crescimento. Aquele bebê que recebe leite humano tem menor incidência de cardiopatias e diabetes, desenvolve menos alergias e por aí vai”, explica Danielle.

É seguro doar durante a pandemia?

Sim! Segundo a coordenadora da RBLH, os protocolos de segurança e funcionamento dos bancos de leite foram revisados e atualizados para o período da pandemia, visando garantir a saúde da doadora e dos funcionários.

Todo o leite doado é analisado, pasteurizado e submetido a um rigoroso controle de qualidade antes de ser ofertado a uma criança, conforme rege a legislação que regulamenta o funcionamento dos bancos de leite humano no Brasil, a RDC Nº 171. Após análises, o alimento é distribuído de acordo com as necessidades específicas de cada recém-nascido internado.

Além disso, é possível fazer a doação sem sair de casa. Para isso, basta entrar em contato com o banco de leite mais próximo de sua residência por telefone (para acessar a localidade de cada banco, clique aqui). As orientações necessárias para a coleta e armazenamento do leite humano ordenhado serão fornecidas nesta ligação. Após o contato, os dados da doadora serão avaliados e, em caso de aptidão, a equipe entrará em contato na véspera da visita. O transporte do leite doado é realizado em caixas isotérmicas com gelo e controle de temperatura.

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Posso doar?

Toda mulher que amamenta é considerada uma possível doadora de leite humano, basta estar saudável e não tomar nenhum medicamento que interfira no processo.

Também no site da RBLH, é possível ver o passo a passo para realizar a extração do leite. Depois de seguir corretamente as etapas, reserve o conteúdo extraído em recipiente de vidro esterilizado, armazene em congelador e entre em contato com o banco mais próximo de sua residência. O leite pode ser armazenado por até 15 dias.

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