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Claudia Suemoto: a pesquisadora brasileira que venceu o Prêmio CLAUDIA 2025

Conheça a médica que transforma dados e autópsias em descobertas inéditas sobre demência

Por Laura Ming
9 dez 2025, 22h06 • Atualizado em 9 dez 2025, 22h47
Colagem com duas fotos de Claudia Suemoto. Ela é amarela, tem cabelo castanho e liso e está sentada. Usa um colete azul marinho e, atrás dela, há também um cenário azul marinho.
Claudia Suemoto é uma das maiores pesquisadoras do Brasil e venceu o Prêmio CLAUDIA 2025 na categoria de saúde e inovação (Renato Nascimento/CLAUDIA)
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  • Criar hipóteses no Brasil para o mundo replicar. É nessa inversão de lógica que Claudia Suemoto, 49 anos — uma das maiores especialistas em demência do país e vencedora do Prêmio CLAUDIA 2025 — concentra sua pesquisa. Ela nunca sonhou em ser médica. Na infância, imaginava-se professora e cresceu em uma casa guiada por números: o pai economista, a mãe contadora.

    Mais tarde, depois de um mestrado e um pós-doc na Universidade de Harvard, decidiu aplicar no Brasil o que aprendera no exterior. Passou a usar métodos avançados de estatística para compreender as causas da demência, um movimento que a levou a realizar descobertas inéditas.

    Como Claudia Suemoto se tornou uma das maiores pesquisadoras sobre demência?

    Foto de Claudia Suemoto. Ela é amarela, tem cabelo castanho e liso e está sentada. Usa um colete azul marinho e, atrás dela, há também um cenário azul marinho. Ela está sorrindo para a foto
    Claudia Suemoto é uma das maiores pesquisadoras do mundo quando o assunto é demência (Renato Nascimento/CLAUDIA)

    A partir de informações de grandes bancos populacionais e de estudos de longo prazo conduzidos em diferentes regiões do país, ela conseguiu enxergar nuances próprias da realidade brasileira, uma de suas maiores contribuições. “Em um dos artigos, eu coloquei que a escolaridade média da amostra era de quatro anos”, conta.

    “O revisor americano devolveu dizendo que eu devia ter errado a digitação. Para ele, era impossível a média ser quatro. Mas essa é a realidade de muitos idosos brasileiros.”

    A escolaridade aparece entre os 14 fatores de risco mapeados que influenciam o desenvolvimento de demência. Por isso, resultados de pesquisas científicas americanas e europeias nem sempre são replicáveis aqui: nossos contextos biológicos, culturais e socioeconômicos são distintos.

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    À frente do Banco de Cérebros da USP, o maior da América Latina, e docente de geriatria da FMUSP, Claudia analisou um volume inédito de dados e identificou características típicas do país. Percebeu, por exemplo, a enorme influência dos fatores cardiovasculares na ocorrência de demência no Brasil. 

    Claudia e sua equipe foram pioneiros em pesquisa sobre declínio cognitivo

    Sua equipe também assinou um dos estudos mais comentados dos últimos anos: foram os primeiros a associar o alto consumo de alimentos ultraprocessados ao declínio cognitivo, o que rendeu reportagens em jornais internacionais.

    Depois disso, grupos dos Estados Unidos e do Reino Unido encontraram resultados semelhantes, desta vez replicando a hipótese brasileira. Em 2025, o grupo de Claudia voltou a ganhar destaque ao mostrar a relação entre o consumo de adoçantes artificiais e pior desempenho cognitivo, mais uma descoberta inédita.

    Mas o caminho para chegar até aqui não foi linear. Claudia prestou medicina com o sonho de se tornar psiquiatra, mas na faculdade descobriu a geriatria. Após formada, casou-se e se mudou para Limeira, interior de São Paulo, terra do então marido.

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    O começo da trajetória de Claudia Suemoto

    Foto de Claudia Suemoto. Ela é amarela, tem cabelo castanho e liso e está sentada. Usa um colete azul marinho e, atrás dela, há também um cenário azul marinho. A imagem foca em seu rosto
    Estudar em Harvard transformou a carreira de Claudia Suemoto (Renato Nascimento/CLAUDIA)

    Abriu consultório, atendeu muitos pacientes com demência, mas sentia que algo a impedia de avançar. “Era um investimento na carreira do meu marido. Não tinha nada pra mim lá”, resume. Faltava a dimensão que sempre buscou: transformar a vida de milhares de pessoas, não apenas de uma por vez.

    A separação marcou o início de um recomeço. Claudia passou em Harvard, uma das universidades mais prestigiosas do mundo, e embarcou para Boston com a filha de seis anos, Isa, e a mãe, que se mudou temporariamente para ajudá-la na rotina de cuidados. 

    Claudia costuma dizer que chegou “mais tarde à mesa” em comparação a colegas mais jovens, que iniciaram a carreira científica sem pausas geográficas, emocionais ou familiares. Mas ela não vê nisso uma desvantagem, e sim parte do pacote que a trouxe até aqui. Ser mulher, mãe e cientista traz obstáculos. “A gente veste muitos chapéus”.

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    Seu lema de vida? Evitar valorizar o “não”. Prefere ir tentando e avançando onde encontra o caminho aberto. E assim, vai abrindo espaço para a ciência brasileira no mundo. Assim como Isa, sua filha que hoje tem 19 anos e estuda Ciências da Computação na Boston University, na cidade que foi um dos marcos da trajetória das duas.

    O Prêmio CLAUDIA 2025

    O Prêmio CLAUDIA chegou a sua 25ª edição, celebrando mulheres que transformam o Brasil em diferentes áreas. A edição 2025 foi realizada em 9 de dezembro, às 20h, no Roxy Dinner Show, Rio de Janeiro, e destacou finalistas que se tornaram referência em cultura, educação, negócios, direitos da mulher, saúde, inovação, sustentabilidade, trabalho social, influência digital e impacto do ano.

    O júri desta edição reuniu nomes influentes e plurais, como Zezé Motta, Maria da Penha, Luiza Helena Trajano, Ana Fontes e a jornalista Aline Midlej, além das representantes da Editora Abril: Karin Hueck (editora-chefe de CLAUDIA), Helena Galante (diretora de núcleo da Abril) e Andrea Abelleira (VP de Publishing da Editora Abril).

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