Casa Clã Mama 2026 debate autonomia das pacientes: “Você é dona do seu tratamento?”
Debate no Casa Clã MAMA 2026 aborda empoderamento feminino no tratamento do câncer de mama, com foco em autonomia e informação.
Receber um diagnóstico de câncer de mama significa, muitas vezes, entrar em contato com uma realidade até então desconhecida. Entre exames, consultas e possibilidades de tratamento, surgem dúvidas que nem sempre são fáceis de organizar. Mas, diante de tantas decisões: de que modo a paciente pode ter voz sobre o próprio tratamento?
Esse foi o ponto de partida do talk “Você é dona do seu tratamento?”, realizado nesta sexta-feira (9), durante o Casa Clã MAMA 2026. Mediado por Helena Galante, diretora de núcleo de CLAUDIA, o encontro reuniu a oncologista Renata Bonadio, a ginecologista e diretora médica executiva da Daiichi Sankyo Brasil, Fabiana Sanches, e a jornalista e criadora de conteúdo Jordana Pires, que recebeu um diagnóstico de câncer de mama.
Ao compartilhar sua jornada, Jordana contou que aprender a confiar na equipe médica foi fundamental para não deixar que a doença ocupasse todos os espaços da sua vida. “Eu vou sentar, ouvir e entender os próximos passos junto da minha médica. Porque senão você começa a entrar num looping em que não vive mais”, afirmou.
A importância dessa relação também apareceu no relato de Renata, que recebeu um diagnóstico de linfoma quando terminava sua residência em oncologia. “Mesmo eu sendo uma oncologista e conhecendo os tratamentos, […] fiquei totalmente sem chão, totalmente perdida”, relembrou. A experiência, segundo ela, transformou sua maneira de acolher as pacientes, principalmente nos primeiros momentos de medo e incertezas.
Outro ponto discutido foi o acesso à informação, principalmente diante da quantidade de conteúdos sobre saúde disponíveis nas redes sociais. Para Fabiana, pesquisar sobre o assunto pode ajudar, mas é necessário compreender que cada diagnóstico exige uma abordagem individual. “A gente não deve se contentar apenas com rede social ou com o que leu na internet, mas levar isso para o médico”, orientou.
A conversa também abordou os avanços dos tratamentos, incluindo terapias-alvo e imunoterapia, e a importância de considerar as características de cada tumor na escolha das opções terapêuticas.
Para Jordana, o diagnóstico trouxe ainda uma reflexão sobre sua identidade. “Quando eu descobri o diagnóstico do câncer, precisei olhar para as outras Jordanas”, contou. Entre o trabalho, a família e o tratamento, a jornalista percebeu que precisava encontrar espaço para todas essas versões de si mesma. “O meu maior aprendizado é que eu sou plural e que isso aqui não me resume.”
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