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Vereadores da Bancada Negra de Porto Alegre sofrem ameaças de morte

Quatro vereadoras e um vereador da Bancada Negra receberam mensagens com expressões racistas, homofóbicas e lesbofóbicas

Por Da Redação Atualizado em 7 dez 2021, 17h19 - Publicado em 7 dez 2021, 17h15

Nesta segunda-feira (6), quatro vereadoras e um vereador da Bancada Negra da Câmara Municipal de Porto Alegre receberam ameaças de morte através de seus emails institucionais.

As mensagens, das quais a Folha de S.Paulo teve acesso, tinham expressões racistas, homofóbicas e lesbofóbicas contra os parlamentares. O autor, que alega viver no Rio de Janeiro, cita armas e descreve ainda como cumpriria a ameaça. Ele diz que viajaria para Porto Alegre com uma “passagem só de ida”.

Os membros ameaçados registraram um boletim de ocorrência na manhã desta terça-feira (7), na Delegacia de Repressão aos Crimes Informáticos da Polícia Civil de Porto Alegre.

O texto de ameaça foi assinado pelas iniciais RWA, mas foi descoberto que a assinatura é falsa e que a pessoa indicada já teve o nome usado em ameaças feitas contra outros parlamentares.

A Bancada Negra de Porto Alegre acredita que a ameaça foi feita pelo grupo de ódio Dogolachan, criado em 2013, e responsável por uma série de ameaças feitas em 2020.

A assinatura  RWA é um indicativo da autoria do ataque, já que o dono das iniciais é vítima do grupo desde 2017. E já foi utilizada em pelo menos nove outras ameaças de morte, segundo uma reportagem do UOL de dezembro de 2020.

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Parlamentares de Belo Horizonte, Curitiba e Joinville Duda Salabert (PDT), Caroline Dartora (PT), Alisson Julio (Novo) e Ana Lúcia Martins (PT), respectivamente, duas deputadas federais, Taliria Petrone (PSOL) e Carla Zambelli (PSL), a deputada estadual Janaína Paschoal (PSL), o ex-deputado Jean Wyllys e a prefeita de Bauru, Suéllen Rosim (Patriota) já foram alvos do grupo de ódio.

Daiana Santos, Karen Santos (PSOL), Bruna Rodrigues (PCdoB), Laura Sito (PT) e o vereador Matheus Gomes (PSOL) formam a Bancada Negra de Porto Alegre. Essa foi a segunda ameaça de morte recebida pelo vereador Matheus Gomes apenas esse ano.

Em janeiro, ele recebeu a primeira ameaça por email, após um protesto realizado pela bancada na execução do hino do Rio Grande do Sul em 1º de janeiro, durante a cerimônia de posse dos novos vereadores.

“Nessas horas, a primeira coisa que faço é avisar a família para que minha mãe e meu pai não sejam pegos de surpresa com publicações de redes sociais ou da imprensa”, disse Matheus em entrevista à Folha sobre as ameaças. Para ele, os ataques contra a Bancada Negra devem ser tratados como um ataque a democracia e não como casos isolados.

“Saber que tem gente que deseja a minha morte por eu ser um jovem parlamentar negro, um questionador do racismo estrutural na capital mais segregada racialmente de todo o país, é angustiante, entristece e também revolta. Não desejo a ninguém ter que ler o que li”, finalizou.

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