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Ameaçado, presidente de instituição que combate pedofilia sai do país

Thiago Tavares, presidente da SaferNet Brasil, se exilou na Alemanha após sofrer uma série de ameaças

Por Da Redação 7 dez 2021, 13h58

Após sofrer ameaças e ter seu computador invadido pelo programa espião Pegasus, Thiago Tavares, fundador e presidente da SaferNet Brasil, deixou o país e exilou-se voluntariamente em Berlim, na Alemanha. Na noite desta segunda-feira (6) a informação foi divulgada em uma carta entregue a funcionários, colaboradores e instituições parceiras.

A organização de direitos humanos criada por Thiago é conhecida por atuar no combate a pedofilia online e vinha trabalhando na captura de um dos maiores pedófilos do mundo no Brasil, no combate a desinformação nas eleições e em outras causas.

O texto dizia que o presidente da SaferNet Brasil sofreu ameaças de morte após participar da mesa “Como se estruturam as campanhas de ódio e desinformação” do “Seminário Internacional Desinformação e Eleições” do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 26 de outubro.

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(Foto: Dena Hurlebaus)/ThinkStock

“O auto-exílio ou exílio voluntário é medida extrema —e jamais aplicada desde a fundação da instituição em 2005— quando a segurança pessoal de funcionário, colaborador ou diretor da SaferNet Brasil encontra-se em grave e iminente risco. É justamente o que ocorre”, diz a carta.

De acordo com ele, as ameaças aumentaram em 22 de novembro, quando um funcionário da organização foi vítima de um sequestro relâmpago em Salvador (BA), onde foi ameaçado com violência e teve seu celular e computador roubados. Thiago estava a apenas 800 metros do local do ocorrido.

Em 2 de dezembro uma familiar do presidente da SaferNet Brasil teria sido ferida em Salvador e internada na UTI. A carta não contém mais informações sobre o episódio.

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Neste mesmo dia, foi descoberto pela ONG evidências de que o computador de Thiago foi comprometido pelo malware Pegasus, programa desenvolvido pela empresa NSO Group, de Israel, que tem sido utilizado ilegalmente para perseguir jornalistas e ativistas de direitos humanos ao redor do mundo.

Como funciona o malware Pegasus

O Pegasus funciona como um vírus que permite rastrear em segredo todas as atividades realizadas pela pessoa que teve o aparelho infectado, como ler mensagens, ver fotos, saber a localização e até ter acesso a contas bancárias, redes sociais e email.

O vírus permite ainda que o microfone e a câmera do celular sejam ativados remotamente para ouvir ligações e tirar fotos sem que a pessoa saiba.

Isso é possível graças a falhas e brechas e segurança nos códigos do IOS, sistema operacional dos iPhones, e no Android, do Google, exploradas pelo programa. Esses erros já foram corrigidos pelas empresas, mas o software utiliza aparelhos desatualizados ou de brechas que ainda não foram descobertas.

“A proximidade dos fatos, somado às ameaças que já vinha recebendo, não deixou alternativa a Thiago Tavares a não ser deixar o país, temporariamente, até que as circunstâncias dos fatos sejam totalmente esclarecidas e sejam restabelecidas as condições de segurança pessoal para o desempenho de suas atividades profissionais e acadêmicas no Brasil, seja como defensor dos direitos humanos, seja como especialista em tecnologia”, finaliza a carta.

O texto informou que Thiago Tavares chegou à Alemanha no último sábado (4).

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