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“Não vão nos calar”, diz vereadora ao sofrer ameaça de morte e racismo

Em vídeo, Carol Dartora explica que o ataque parece ser orquestrado, já que outras candidatas eleitas receberam ofensas parecidas

Por Da Redação Atualizado em 6 dez 2020, 18h59 - Publicado em 6 dez 2020, 18h54

Com quase 9 mil votos, a doutoranda em educação Carol Dartora (PT) se tornou a primeira vereadora negra de Curitiba. Neste domingo (6), a militante das causas populares e das questões identitárias usou suas redes sociais para contar que recebeu ameaça de morte e ofensas racistas por e-mail. “Nada no mundo vai me impedir de te matar e me matar em seguida”, dizia a mensagem.

Acabo de receber ameaças de morte. As autoridades já foram contatadas e todas as providências estão sendo tomadas para que seja garantida minha segurança e da minha equipe. Eles combinaram de nos matar, combinamos de ocupar tudo!”, escreveu Carol, que também tranquilizou seus seguidores informando que estava bem.

Por vídeo, a vereadora apontou que mais candidatas negras eleitas foram alvos de ataques similares. “Parece ser um ataque orquestrado. Outras vereadoras lá em BH e Joinville também receberam e-mails dessa mesma forma com a mesma assinatura. A gente ficou sabendo que a pessoa que tá assinando ali é uma pessoa que foi vítima de crime de ódio. Então, eles estão usando uma vítima para nos intimidar mais ainda, mas quero dizer que eles não vão nos calar”, afirmou.

  • Sobre as ofensas, Carol explicou como lida com elas relacionando com o racismo estrutural sofrido pelos pretos e pardos no Brasil. “Não vou sair chorando e gritando. Não é a primeira vez que estou sofrendo injúria racial, isso faz parte do cotidiano de pessoas negras, por isso não vou sair chorando porque disse que meu cabelo é feio ou me chamou de macaca”, declarou.

    “Eu digo me elegi falando de questões raciais na cidade de Curitiba, foram quase 9 mil pessoas que depositaram seu voto de confiança em mim. Não é a agora que vou baixar minha cabeça e vou entrar naquela Câmara de Vereadores dia 1º para continuar fazendo esse debate mais intensamente”, garantiu.

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    Onda de ataques às candidatas negras eleitas

    Assim como Carol, Ana Lúcia Martins (PT) foi a primeira vereadora negra eleita em Joinville. A professora também recebeu injúrias raciais e ameaças de mortes, que foram denunciadas e, posteriormente, repetidas pelos criminosos como resposta ao caso ter sido levado para a Justiça. Além de Ana, eles também atacaram o vereador mais votado da cidade, Alisson Júnior, que é cadeirante e defensor dos direitos humanos.

    No caso de Ana Lúcia, um inquérito foi aberto tratando a situação como injúria racial e ameaça. A Polícia Civil de Santa Catarina cumpriu mandado de busca e apreensão na residência de um suspeito no dia 22 de novembro.

    Em Bauru, quem recebeu ameaças de mortes e ofensas de injúria racial também foi a prefeita Suéllen Rossim (Patriotas), primeira mulher e pessoa negra a ocupar esse cargo nos 124 anos da história da cidade. A polícia identificou o autor das mensagens, que foi liberado após prestar depoimento por falta de elementos para representar uma prisão, o que pode mudar durante o inquérito policial. Segundo ele, que também é negro, o intuito das ofensas era de promover uma discussão sobre racismo velado. Já os responsáveis pela autoria das ameaças de mortes não foram identificadas ainda.

     

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