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#TemQueFalar: “Ele me deixou num canto e se masturbou na minha frente”

Nossa leitora Mariana*, de 46 anos*, conta como foi o abuso sexual que sofreu aos 14

Por Redação CLAUDIA - Atualizado em 22 out 2016, 15h51 - Publicado em 30 out 2015, 17h09

Na última semana, as mulheres brasileiras se uniram em torno do tema #PrimeiroAssédio, capitaneado pelo grotesco ataque sofrido por uma participante do MasterChef infantil – ela tem apenas 12 anos. A mobilização levou muitas delas a compartilhar em suas redes sociais casos semelhantes ou ainda mais graves, que deixam seqüelas profundas em suas vítimas. Algumas delas, porém, preferiram guardar suas histórias para si, por medo de ser identificadas por seus agressores. Ontem, CLAUDIA publicou a história de uma leitora que, 15 anos após um ataque sexual, ainda tem medo de ser encontrada. Não demorou para que outras mulheres nos procurassem. Em comum, o desejo de dividir seus traumas, medos e culpas. Especialistas apontam que falar sobre eles é uma das maneiras eficientes de superá-los. Por isso, criamos o movimento #temquefalar. Um espaço de cura, que incentiva a troca de experiências e, sobretudo, traz o assunto à tona, para evitar novas vítimas entre crianças e mulheres. A seguir, o depoimento de Mariana, 46 anos.    

“Sofri abuso sexual aos 14. Eu estudava em um dos mais conservadores colégios da minha cidade, que fica localizado no centro. Ao lado do colégio, morava uma família bem tradicional, acima de qualquer suspeita. Minha melhor amiga era dessa família.

Um dia fui até a casa procurá-la para conversarmos sobre um trabalho daquela semana. Quem me atendeu foi o seu irmão mais velho, que tinha cerca de 26 anos. Ele foi educado e pediu que eu entrasse, afirmando que ela estava em casa. 

Eu entrei, ele fechou o portão e me conduziu até a sala da casa. Chegando lá, fechou a porta com a chave. Só então eu vi que ele estava mentindo: na verdade, ele estava sozinho. À princípio não imaginei que ele iria fazer algo de ruim comigo.

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Ele se aproximou e me disse que não adiantaria gritar, pois era impossível alguém escutar, já que a casa era grande. Comecei a tremer e pedir pelo amor de Deus para que não fizesse nada comigo, mas ele não dava assunto pra mim; era como se estivesse surdo.

Então, levantou a minha saia e começou a me tocar. Eu senti nojo, ódio, medo… Eu continuava implorando misericórdia. Ele me deixou num canto e se masturbou na minha frente. Eu comecei a pedir a Deus que me ajudasse, supliquei a Deus em voz alta.

Ele se preparava pra me violentar, quando o interfone tocou e ele teve que atender. Era alguém pedindo para que atendesse a campainha. Ele foi até lá receber alguma coisa e, enquanto conversava com o homem do portão, eu corri e sai. Corri por toda a rua até estar segura.

Por dias eu fingi estar doente pra não ir a aula. Ainda sentia o cheiro do terror. Por meses fiz um esforço enorme para não ser vista por ele. Eu me afastei da minha amiga, de longe o via sempre na porta da escola.

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Nessa época, me fechei no meu silêncio, não contei a ninguém, não confiava mais em ninguém. Ele roubou a minha inocência e minha alegria.

Acho que as meninas precisam ter espaço para falar, ter alguém que as escute. Tem que falar mesmo, tem que expor a dor para ser curada, para viver.”

Se você também quiser dividir o seu relato com outras leitoras, envie para redacaoclaudia@gmail.com. A sua identidade será preservada.

*O nome e a idade foram alterados por solicitação da vítima.

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